Chás e tal

Tem a xícara de chá que não fumega mas vaporiza todo o ambiente com uma paz solene e desejável que só se encontra nessa hora da noite e em silêncio. Tem mais que isso, tem o sabor da camomila que inebria e vasculha todas reentrâncias da boca aconchegando-se e ficando íntima com sua quentura e seu beijo telúrico e total.
De todas as beberagens, só ao chá e ao vinho foi dada a condição do único. Explico, se você beber uma cerveja e depois outra, todas as cervejas serão apenas cerveja. Uma taça de vinho e depois outra da mesma garrafa têm almas diferentes. O chá também, mas só que se conta aos goles na mesma xícara. De fato, o chá é a bebida do reencontro e da amizade. O café tem a sua condição sociabilizadora, mas tem o mesmo timbre e aura da cerveja, do sol na cara, do cheiro de bronzeador, da gargalhada e não do silêncio. Nunca vi ninguém tomar uma cerva em silêncio. Chás e vinhos são o mínimo do silêncio e da contemplação. São acompanhados de rituais e credos em sua feitura e apreciação. Por isso são mais noturnos e selenos, quase imperceptíveis se não vistos.

2 comentários:

Gustavo disse...

chá preto.
chá preto.
chá preto pra substituir o café.
acho que gosto mais de chás do que de vinhos.


e pior que nem achei que tivesse se inspirado na estrovenga do chico, só me veio na cabeça imediatamente.
e amarelo manga, trilha do Instituto, com Otto Du Peixe e Lucio Maia, preciso conseguir isso pra comprar, mas nunca vi
tá ligado no Maquinado? CD solo do Lucio Maia? Vale a pena!
e na verdade...nem sei direito o que é uma estrovenga!

Pixies disse...

Chá num dá barriga :D