CSI

Não, não faz essa cara, morto sempre haverá e sempre há um. Pode ser que não seja na tua frente, nem com essa volúpia e com tanta borra espalhada assim. Pega ali aquele troço meio cinza e joga aqui no balde. Esse branco é osso. Deve ter mais disso espalhado pra lá. A direção é essa. O impacto foi grande. Sim, já fotografei. Procura bem que esmigalhou e se misturou com essa areia aí do canto. Não adianta chupar Hall's que não vai mudar o cheiro. Aliás, esse nem tem cheiro. Claro, pode passar esse removedor no sanguinho. Minha avó que falava assim, sanguinho. Acho que era pra não assustar. Quando a gente chegava machucado perto dela pra tratar, ela dizia xi, tem sanguinho. Teve uma vez, passando naquela avenida da churrascaria do chifrão na porta, sabe? Então, teve um acidente ali e tinha um cara deitado na esquina, a gente no banco de trás com a minha avó no meio, eu numa janela e meu irmão noutra, ela perguntou se tinha sanguinho. Cara, era um rio vermelho, era sanguinhozão.
Mas pior mesmo foi quando meu avô morreu e tava saindo sangue do nariz dele, ela disse passa um paninho no sanguinho na napa do defunto.
Minha avó, cara, que amor.

Um comentário:

:: Luz :: disse...

Nossa eu adoro CSI.

A minha sobrinha tbm falava "sanguinho". É aí que está a magia... crianças e velhos são a mesma coisa! A criança está aprendendo tudo e o velho aprende que não sabe nada. Sendo que ambos têm muito a nos ensinar.

Não conheci as minhas avós, só o meu avô paterno... o cara era tão fodão que teve que fazer greve de fome pra morrer. Teve cancer ósseo e urrava de dor, mas vaso ruim não quebra, é o que dizem. Ele dizia que de tão ruim morreria. Morreu e levou um "cadiquinho" do meu coração junto dele. Deixou tantas lembranças e ensinamentos que parece que morreu mas não foi embora. Continua aqui. E o meu coração sente uma saudade presente-ausente.