Gênese Teen End

No principio – e não existia solidão nesse principio –
Havia um peito suculento, na verdade, dois
E eram de uma boca só.

Um pouco depois do princípio
E muito longe do epílogo
A colher vinha feito
Barquinho aviãozinho carrinho de doce
Doce a mesma mãe, a mesma mão,
O mesmo principio.

Como todo principio tem por vício
O reinício circulo in vita,
No principio a voz atravessava
O espaço de um quintal,
Se muito de um apartamento
E dizia no miolo de um sorriso
- Tá na mesa, filho.

No fim, no princípio do fim
A convivência longa
Acostumados com seus hábitos caras hálitos,
Esquecidos os peitos barquinhos e princípios,
A dominadora resmunga:
- Vem comer não, ô cachorro sem alma?

2 comentários:

Gustavo disse...

isso é simplesmente genial.
dá prazer de ler, sabe? as palavras, mesmo que se ignorando o sentido, tem...assim, um ritmo, prazeroso de se ler.

Reis disse...

Poxa, Gustavo, eu bem queria falar assim bonitinho como você falou, mas tô tão lenhado com este texto que não resisti: bela e simplesmente fodástico!