CARTA ABERTA

Querido:

Vi suas fotos em Lugo, acho.
Vi Evaristo e Júlia, um gato e a Cris.
Te vi.

O que mais emociona nas amizades apaixonantes
é ver e ver e ver. Ever.

Nada mudou a não ser os anos e um móvel aqui,
uma cadeira ali. Algumas coisas jogamos fora,
outras adquirimos
e nada se perdeu.

As noticias voam e nossa solidão também,
nunca nos cansamos dessa conversa
nem desse jeito histriônico de abrir portas e corações.
Algumas vezes silêncio, vento, mar:

- Quem não tem esse perigoso sonhador no último
andar do infinito da cachola? É, ele não grita
e no entanto não está mudo.

Tem dias que acho que nunca mais vou te ver
e compenso a vida com mais azul e céu
para saber que sim, um abraço há de sobrar
para contar num livro, em duzentas páginas
descrevendo as sensações. Fora o vinho.

Nada está perdido, benedito.

Inté.

Nenhum comentário: