Floresta e lysoform

Madrugadona 3:30 fui por gasolina no self service aqui perto. Aproveitei pra passar um pano nas partes internas do Toyota. É a melhor hora de qualquer verão.

Amanheceu.

O sábado chega rápido como um trem bala passando a poucos centímetros da minha cara gorda.
Daqui a algumas horas vou comer sushis variados, lulas, salmões e atuns. Todos em plena extinção. Aproveito a leva e vou comendo enquanto é possível.
Se fosse para sentir pena de bicho em extinção, eu sentiria.

Mas não sinto tanto assim. Sou mais uma cidade que uma floresta, apesar de achar árvores em abundância legais de ver, mas não para morar. Também tenho dó de bicho deprimido em zoológico. Vez por outra corro pro mato e faço um churrasco. Minha ecologia é assim, ir no mato pra queimar carne. Mas recolho o lixo, até o que encontro e não é meu, juro.

Qual lixo não é meu? O seu não é meu? Posso não ter essa cara de greenpeace, mas não curto sujar a sala de estar. Lixo, sujeira, é matéria fora de lugar. Eu nunca me situei direito, portanto.

Aqui em casa somos dois animais bípedes e a Táta, que é quadrúpede, réptil e tartaruguíssima. Se ela for bem cuidada, vive 100 anos. Então a Táta vai durar para sempre no meu entender de foréva. A Táta não reclama porque não fala, se falasse, eu tava ferrado. Mas eu levo a Táta pra passear. Não como se fosse um cachorro; o itinerário normal de um cachorro seria impossível com a Táta, ia durar uns dois dias. Levo ela pra graminha aqui em frente de casa e ela delira. Nunca abanou o rabo e nem disse obrigado com os olhos, mas a gente se entende. Já disse que é Táta porque ela ainda é uma tátaluga, quando virar gente, chamo de Júnior.

Por falar em gente, às vezes é melhor ter uma tartaruga feliz que um vietnamita infeliz. Antes era um, agora são dois que trabalham comigo consertando e reformando pianos. São dois meninos lá da filial em Saigon e estão aqui para estagiar. O problema não é a geografia, a cultura, nada disso. O grande lance frontal é o hálito. Podre. Fim de papo.

Custa escovar a boca toda? Eu acho que tem gente que pensa que escovar é só na frente, os incisivos. E ainda com pasta de bosta. Diz o Millôr que o maior anticoncepcional ainda é o mal hálito. Imagina mero coleguismo profissional. Um metro de distância e eu sei quem é sem olhar.

Um dos meus maiores medos - recorrentes, mas sem paranóias Ozzy Osbourne - é feder pros outros. Até o exagero do bom cheiro perfumado me preocupa. Boca então.

Uma vez dei um Hall's de cereja brasileiro, o melhor tira-pala do mundo. Saiu pela culatra e entrou pelas minhas narinas. A fétida sensação de estar num mictório de rodoviária com todos os líquidos de uma nação misturados a uma lavanda de cereja.

Não sei o que é. Mas não tenho coragem de dizer olha cara, vai lavar a boca com lysoform.

2 comentários:

Kenia Mello disse...

Mau hálito é de lascar, cruz credo.
Vá trabalhar com aquelas máscaras de boca e nariz que a galera costuma usar nos tempos de gripe aviária. Hehehe

Dani (ela) disse...

rss... fiquei imaginando a Táta fIliz na graminha.

ó, quando a gente tem uma afeição a quem sofre de alitosa, damos até um toque... é tipo assim, não deixaria uma amiga sair de casa mal vestida (nem com a boca fedorenta) saca?

então, vê aí o grau de intimidade com os vietnamitas he he.