Fofoco encafifado

A gente fica mesmo. Os vizinhos do 2B estão esvaziando o apê, não ficaram nem um ano por aqui.
O pessoal do 3A saiu há 6 meses e ainda não entrou ninguém. Fico pensando se eles viram algo que não vi. Deve ser uma coisa bem podre pra não me contarem. Talvez seja eu.
A vizinhança japonesa é quieta e ensimesmada, não gosta muito de entra-e-sai de comadres, trocas de receitas e canapés vespertinos. Cada um na sua. Bom dia, boa tarde e boa noite. Pelo menos isso.
Eu também não gosto muito de papo furado, bom dia, boa tarde e boa noite e basta. Outro dia um dos vizinhos tava na garagem com o tampão do carro aberto olhando atônito o motor do Toyota. Deu pra ver meia dúzia de pontos de interrogação flutuando ao redor da cabeça dele. Cheguei sem estardalhaço perguntando qual era o problema. Ele me encarou com um olhar
o-problema-é-meu dizendo não-é-nada-obrigado.
Parecia o Hannibal the cannibal sussurrando que eu devia engordar mais. Cruzes. Liguei meu carro e mandei ele inteirinho sifu.
O bairro é legal. Tem um templo que dá pra ver aqui da janela (agora não dá porque é verão e as árvores ao redor estão exuberantes), tem plantações de arroz, convenience stores e não tem muita gente. Depois de Hamamatsu, nunca mais me acostumei em São Paulo, tudo me parece muito engolidor por lá.
O pessoal está partindo e depois de uns 250 bons dias e boas tarde e boas noites, podia ter um tchau. Só um. Mas nem isso. O pessoal do 3A deixou lembrancinhas agradecendo, é costume. Quando nós chegamos entregamos lembrancinhas aos vizinhos, tudo conforme as regras japas. Esses aí vão e nem tchum. Então tchau.

Sobre a demissão do Velho Nakamura, descobrimecontaram que é política interna. Chega gente, o cachorro é MUITO grande.

Tem gente bem flhdpt por aqui. De uma forma cômica e extravagante, a comunidade brasileira que mora aqui soa a velho-oeste como se fossemos desbravadores, pioneiros, colonizadores num mundo novo e nessa caravana de cães que ladram e mordem, os oportunistas aparecem.
Já estou mexendo meus pauzinhos contra esses flhdpts sacanas. A casa vai cair, mermão.

Não, nada a ver com os cachorros MUITO grandes. São outros cães. Mas que raça, hein? Vem do outro lado do planeta pra cagar na nossa calçada? Já é.

2 comentários:

rnt disse...

antes de ir, minha tia foi avisada de q o pior da adaptação é aguentar brasileiro fdp querendo fazer tua caveira, fora isso, td blza... brasileiros eram o problema.
sei lá. cada vez mais creio no q diz meu namorado, brasileiro eh um povo traíra por natureza. uma coisa cultural. nhé.

Kenia Mello disse...

Acho que esse lance de brasileiro ser filho da puta tem muita a ver com a baixa auto-estima: pra se afirmar, precisa pisar na cabeça de alguém, dar a entender que é melhor através de comentários depreciativos sobre terceiros and so on.
Mas o lado da falta de educação eu não perdôo e isso não é só primazia nossa, não, apesar de aqui ser exacerbado - aqui, não me refiro aoBrasil de um modo geral, mas a essa região onde vivo...