Los Day by day


É uma série sobre preconceito.
Tem gente que disse que eu era (sou) da elite branca com sofá macio e prestobarba. Sim, claro, conforto não gera culpa, mas não sou de elite branca nenhuma porque sou amarelo, japa, oriental, asiático; nasci no Brasil pra ser japa/estrangeiro e vim para o Japão ser brasileiro/ estrangeiro. Quase um pária sem-pátria flutuando entre a terra santa e o inferno do olhar-de-quem-não-te-reconhece-como-gente.
A questão é que tem esse mal estar entre o politicamente correto e o balde chutado. Dá bleargh ânsia. Tudo isso foi pensado em algum ponto eqüidistante entre o Atlântico e o Pacífico ao norte do trópico de Câncer, numa tarde de tédio e solidão. E isso criou asas até chegar no país do elevador de serviço, da porta dos fundos, do tapinha nas costas com gorgeta, da velha frase É gente como a gente.
Não sei o que é ser politicamente correto. Nem quero.
Tudo isso por causa das cotas nas universidades, do sebastianismo ianque com o candidato Obama, das devoluções de brasileiros nos aeroportos europeus e de uns anos pra cá, da necessidade constante que temos de explicar nossos valores morais e franceses (igualitário, libertário e fraterno) antes de contar uma piada. Esse texto é exatamente isso, um pré-release de apologias politicamente incorretas.
Mas te digo só mais duas coisas: Que todas as cores e todos os sexos e todos os credos e todas as ideologias são obras. Então lavou, tá novo.
A outra coisa é que o foda-se da minha testa não sai nem com tiner.
Pois é.

Um comentário:

rnt disse...

"A outra coisa é que o foda-se da minha testa não sai nem com tiner"

hahaha, genial. daquelas coisas que a gente sente mas não sabe explicar. o nei explica.