No resto da cidade

Gritaram até o megafone acabar a pilha.
Era de cima do caminhão e era debaixo de chuva
e era da boca do homem
no mesmo dia em que todos anões correram do jardim.

Cultivam rosas e magnólias
sem saber que irão colorir o epitáfio
de quem as rega.
A água da morte também é límpida
feito o riacho da canção do baiano.

Saem em bandos carnívoros babando
segurando foices e fúria,
cantando gregoriano e italiano
mas nunca em francês porque é brega.

Nunca caem de joelho no milho da discórdia.
Hoje é dia de abobrinha japonesa.
Chove a vida e seca o parto.
A cor da dor de cotovelo é a cor do lenço
do teu pranto, meu amor.

É a cor da primeira coisa que vês,
é a cor da última coisa que vês,
é o calor é o frio é a cor
que não se enxerga,
mas que carregas
porque és.

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