Rock in Rio - não no Rio

Vale o nome, a grana ao redor do nome, a cor do nome e o nome Euro, doze estrelinhas em círculo na conta bancária.
Tem a seleção brasileira comandada por uma autarquia, seja lá o que isso significa, que contratou uma empresa árabe de eventos para marcar os jogos amistosos em lugares absolutamente verde-amarelo: Boston, Seattle, Londres, Suécia.
Vale o nome, a cor da camisa tilintando em alguma máquina registradora.
Não dá pra torcer por uma seleção estranha aos olhos e ao coração. Quem é Sóbis? Eu sei quem é, mas de fato, o que ele representa?
De todos os jogadores convocados para as partidas contra o Canadá e Venezuela, só os ex-jogadores do Santos foram campeões em solo brasileiro.
Uma coisa não explica a outra. O Pelé nunca foi campeão brasileiro. O Ronaldinho também não.
Mas é triste perder um vínculo criado pelo simples prazer de ver o time de futebol do meu país, seja numa copa do mundo, seja num amistoso. Tesão pela linha de fundo.
Talvez esse excesso de bastidore$ e carência de bons atores tenha minado essa paixão. Talvez tudo, até mesmo essa famigerada tática idiota que domina o futebol desde a copa de 1982, essa imbecilidade italiana de jogar com dois volantes.

E então tem o Rock in Rio. Teve aquele em 1985. E foi mágico porque foi o primeiro. Agora tem o Rock in Rio - Lisboa. Ok, o Medina quer mais grana, ótimo, a marca, a logomarca é dele, faz o que quiser. Mas me explica aí, ó pá, Ivete Sangalo é rock em que região das coxas de fora?
Vale a grana, a nota e não é a nota blue (blue note) que faz o delírio da gente desde o primeiro 78 rpm de Muddy Waters ou o grito de Chuck Berry. É a nota preta, cabra.
Tão dizendo que o Rock in Rio vai voltar ao Rio. Depois não reclama.
É, eu prefiro ser essa esquizofrenia ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo.

Mucho Lexotan nas guitarras e chuteiras dessa carência de identidade usual. Se acabarem com o rock'n'roll e com o futebol, finalmente acabaram com o século XX. E tudo indica que o século XXI será mais que fast food amanhecido, será Ivete Sangalo num festival de rock carioca nas plagas lusitanas.

4 comentários:

Kenia disse...

Ivete não tem nada a ver com rock mesmo, mas no de 85 teve uma turma nada a ver com rock também: Alceu Valença, Elba Ramalho, Moraes Moreira, Ney MatoGrosso, Ivan Lins...

Dani (ela) disse...

aqui tem um tal de festival de verão. colocam na mesma noite: charlie brown, claudia leitte, reginaldo rossi, zezé de cagado e luciano, gilberto gil, (como é mesmo o nome do grupo do m. camelo?).

dáli metamorfose!

Nei Ken iti disse...

Em 1985 as opções eram poucas.

Carla disse...

Outro dia, ouvi na Kiss FM (a única rádio rock que restou) que o Rock in Rio, muito provavelmente, será em São Paulo. E que terá um Rock in Rio na Espanha tb.
Bem, seja onde for, nenhum chegará aos pés do de 1985.
Quanto à Ivete Sangalo, acho que alguém tinha que definir rock para os organizadores. Desconfio que eles não fazem idéia do que seja.
Tsc.