Saudações dominicais

Domingo é dia de missa. É também o primeiro disco do Caetano, gravado com Maria da Graça que depois virou Gal.
Terminei de ler Caetano e to começando outro Caetano, ouvindo Caetano num domingo que para mim é de manhã, ainda que seja 12:01, hora das comilanças nas casas por todos os lados, menos aqui.
Domingo começa com banho. Não que todos os dias não devam. É que no domingo o banho matinal tem sabor de piscina. É banho azul de ficar mais tempo com a ducha explodindo muita água no meio da cara gritando aaaah.
Se não me engano, há uma canção dos Titãs chamada Domingo. O disco Domingo de Caetano e Gal é pré-tropicália e os Titãs são legítimos herdeiros - como muitos! - do que seria a pós-pós-tropicália. Tudo pós Novos Baianos e tudo mais. Tem o domingo sangrento irlandês do U2. Tem o Sunday Morning do Bolshoi, acho.
Domingo é para se cantar sim, com sangue, cerveja, família, cotidiano e tempero.
Hoje vou ali e já volto com as fotos.
Só vou porque é domingo. Se fosse sábado, como ontem, não iria. Não fui.
Hoje resolvi começar outro projeto cênico, foi no banho, fazendo aaaah com a ducha na cara. Quase todos dão em água, sem trocadilho, mas não desisto. Ler Caetano e ouvir Caetano dessa forma cronológica e lógica é uma das fontes dessa ambição canhestra de fazer arte.
Não respiro outra coisa. Grana também respiro, claro. É a dicotomia que levo para o epitáfio, meu paralelo mais constante, o grande caos da minha condição dominical, diária, horário comercial.
Grana e arte, arte e grana. No dia que juntar tudo num balaio só, degluto e lambo até a raspa da colher, depois dou um arroto barítono de satisfação num domingo, rindo das mesmas piadas de toda a vida.
Só posso dizer que Caetano Veloso é uma pessoa que me faz ter orgulho de ser brasileiro. Muito brasileiro pra caraca.

Um comentário:

Hiel disse...

Computadores fazem arte
Artistas fazem dinheiro