Abaixa que isso aí é isso aí

Tia Rita gritou no Ibirapuera que aquilo ia ser uma grande festa. Ia ser mesmo. O maridón Roberto de Carvalho com uma Gibson Les Paul preta brilhante e nervosa prometia.
Tia Rita chegou serelepe no microfone e disse, bem baixinho:
- Aumenta que isso aí é rock'n'roll... ouviram?
Acho que não ouvimos.
E então ela retrucou:

- Aumenta que isso aí é rock'n'roll!!

Dia 13 de julho foi o dia do rock. Não sei se nacional ou internacional. Dizem que foi o dia em que o radialista Alan Freed botou um blues aceleradaço e disse que isso era rock'n'roll. Era. O rock já era.
Desde os tempos do Arte Mútua eu comemorava o dia do rock. Nesse ano esqueci e não foi uma lástima ter esquecido. O rock está ruim. Pode ser que o ouvido fica depurado, gourmet de boas cifras, notas e beats inusitados. O último bom lugar comum, pasmem, foi o primeiro disco do Guns'n'Roses e isso aconteceu nos anos 80. E a última grande novidade foi a turma de Seattle, triste, chuvosa e de curta duração.
Nada mais valeu até o terceiro disco. Nada mais ultrapassou o próximo verão. É como um ciclo que todos nós achávamos que era infinito porque os jovens não morrem. Mas os grande estão com mais de 60 anos. A referência do novo é um velho. E está provado que os velhos, morrem.
Não dá pra comemorar a morte de ninguém, nem de uma figura abstrata como um ritmo musical.
Quando pintar uma novidade que sirva de referência a uma geração, talvez seja tarde demais e eu já esteja morto. Too young to die, too old to rock'n'roll, dizia a capa do Jethro Tull.
O que é Jethro Tull? Viu? Nem a Britney Spears sabe.
Mas beleza, o Led Zeppelin vai fazer uma turné mundial. O velho.

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