Eles dizem goru

Torcida uniformizada do Jubilo Iwata, time da Yamaha.

Ontem foi o debut da Nanci numa partida de futebol ao vivo no estadio. Fomos ver Jubilo Iwata x Vissel Kobe no estadio do Jubilo, pela Primeira Divisao da J League, o Brasileirao dos japoneses. O Jubilo e' o time da regiao, da cidade de Iwata que fica aqui do lado. Pena que a cor do uniforme seja com esse azul argentino/uruguaio senao eu torceria mais. Alias, to nem ai, meu time continua aquele da arrogancia eterna, do eterno porvir, o campeao dos campeoes, o retrato em preto e branco do Brasil.

Fazia muito tempo que eu nao ia a um estadio e tudo aquilo me recarregou as baterias do gosto pelo association. Gosto de futebol porque o melhor de uma partida e' o efemero, o lance que acontece e nunca mais sera' revisto. Tem o videotape, a repeticao do lance que estragou um pouco essa magia do instante unico.

Tirei varias fotos. Escolhi essa por causa da bandeira brasileira ali no canto direito, no meio da uniformizada do Jubilo. Nao me lembro de nenhum brasileiro em campo ou contratado, mas sei que o Filipao (do penta) foi tecnico e o Wilson Mano e o Dunga jogaram por aqui. Outros vieram, mas nada que merecesse minha atencao.

Morei num predio baixo ali em Tenno cho onde tambem morava o centroavante Nakayama do Jubilo. Ele tinha alugado uma vaga no meu predio para o seu Porsche prata e varias vezes nos encontravamos no ir e vir. Meu Hondinha Today ficava do lado do roncador nervoso do mancebo. Esse Nakayama fez o primeiro gol do Japao numa copa do mundo e e' 100% idolo, ruim, mas idolo. O estilo atropelador dele me lembra o Roberto Dinamite (Vasco, anos 70) entrando tropecando na area. Quando digo a um japones essa historia do estacionamento, ele nao acredita. Foda-se, o idolo nao e' meu.

Japoneses no estadio

Criancas, familia, criancas na fralda, velhos de binoculo, cerveja em copos de papel que nao ficam espalhadas pela arquibancada, tudo muito limpo e organizado como no Scala di Milano. Banheiro limpo. A Nanci foi ao feminino e nao reclamou - alias, sem fila. Local para fumantes e muita calma. Na minha frente, o casal de velhos comiam macarrao e salsichas fritas. Mais ali embaixo, a menina no iphone via a partida aqui e acola. Do meu lado, um rapaz de terno e gravata e walkie-talkie, descobri, nao era seguranca, era lanterninha e arrumava lugares vazios para atrasados. O velho do meu lado tomava seu cha verde na sua propria garrafa termica. A velha do lado da nanci assistia a tudo sem entender nada. Sabe aquele olhinho de tudo-vale-a-pena-pelos-meus-netinhos?

Eu vi um 0x0 com 3 bolas na trave e pouca imaginacao. Entao eu disse `a Nanci quando der 40 do segundo tempo, a gente vai saindo pra nao pegar a muvuca. Dito e feito, 39 do segundo, escanteio pela direita, cruzamento perfeito no segundo pau e gol do Vissel, um a zero pro inimigo. Mea culpa, boca marvada, pensei. Juntos erguemos a bunda dura de arquibancada e descemos para o estacionamento, sem empurra-empurra.

Saudade do Pacaembu quando dava pra ir e voltar sem precisar de escolta.

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