Os meninos comunistas ( Ou a crise de 1929 na semana passada, ontem e amanha)

Tem essa gente muito nova que nao sabe o que e' isso, essa velharia comunista e a antiguidade anarquista. Tem essa gente muito jovem que acredita que o paraiso na Terra e' essa manifestacao grotesca de liberdade chamada capitalismo. Tem gente velha tambem. Depois que associaram o capitalismo e a democracia num balaio ocidental politicamente correto, tudo ficou suspenso, flutuante, numa superficie rasa sem a profundidade necessaria e natural de uma coisa pensada, visceral.
Nao ha mais nenhuma ideologia e nao e' apenas uma constatacao midiatica e nostalgica. Nao ha o que pensar, nem nas letras de Alanis, Eddie Vedder, Caetano ou Bono Vox. Tudo ficou triste porque tiramos os pes do riacho e isso nao traduz um sentimento neo-hippie fantasioso e hipocrita, tiramos os pes do riacho porque eu o polui, voce, todos nos. O riacho de Caetano Veloso foi a metafora mais perfeita de um lugar bacana, do lugar bacana que o cara legal que um dia foi um menino maluquinho saltitante e sonhador como um bom comunista do seculo XX. Ora bolas, falo em ideologia, nao nesses sisudos carecas ditadores semi-analfabetos de humanidade. No more Mao, never more Albania, meu chapa.
A superficie rasa traduz a serenidade com que engolimos o prazer idoneo e honesto de sermos bem burrinhos. Nem inteiramente burros, mas burrinhos. Entregamos nossa utopia aos objetos alimentados pela tomada, esse em frente a mim, inclusive. A tecnologia solucionou o que todos poderosos queriam para a sociedade. O Grande Irmao e' o buraco da tomada.
Meu discurso niilista cai por terra quando ouco a musiquinha do meu Windows ligando. E foda-se. No fundo do meu caro - nao barato - umbigo ideologico esta um comunista que sabe que na pratica a vida, seja qual for, em que estado da materia for, e' uma merda feliz. Capitalista, comuna, tribal. Tudo finalmente fezes e natalino.
O prazer e' paradisiaco quando ouco o meu demiurgo anarquista gritar das profundezas da minha cachola:
- Nunca perdemos porque eles nunca venceram.

Um comentário:

josue mendonca disse...

não há o que pensar...vivemos pra consumir..comprar, comprar, comprar...
a única coisa que sei é que sou um consumista, me ensinaram a ser consumista antes mesmo de me tornar humano!!
muito bom o texto
o mundo anda muito vazio de ideais que valham a pena, juventude guerreira, crítica social, mobilização popular,..
o que importa é que meu celular é 3g e o seu nao