Ruy Ohtake e Gaudi


La em cimao, Ruy Ohtake. Abaixo, a Sagrada Familia, de Gaudi.

Em toda cidade que passeio a pe, nos centros, rente aos predios, arranha-ceus ou nao, gosto de olhar pra cima, ver o quanto aquele teto toca o ceu. O contraste entre o etereo e o telurico no meio da arteria urbana, concretao, latex e massa corrida. A arquitetura me fascina por causa do conceito simples e basico que e' viver numa obra de arte idealizada estetica e eticamente entre o arquiteto e o morador. A praticidade e a estetica num conceito unico, a sua casa, o lar. Isso e' fascinante. Ha muitos anos um grande amigo e artista plastico me mostrou Gaudi e infelizmente - para ele - nao gostei e ainda nao gosto e acho que nunca vou gostar.
Estava partindo de Madrid para Paris numa tour mochileira pela Europa e Gaudi me foi altamente recomendado por Fernando Cea na visita a Barcelona. La, fui ao Sagrada Familia, uma imensa catedral, a grande obra de Gaudi e me decepcionei. Nunca vi coisa mais feia, hedionda e pavorosa, porem tao cultuada. Na volta a Madrid, ele me perguntou o que eu achei da catedral.
- Um intestino virado do avesso.
Foi um choque, uma blasfemia, quase uma ofensa.
Ja Ruy Ohtake foi uma surpresa dentro da surpresa. Nao sei porque estava andando sozinho no Itaim, por ali. Acho que tinha saido da casa do Glad - que nessa epoca morava quase na beira do Ibira - ou estava perdido mesmo. E no meio de tantos predios residenciais, estava olhando para cima ate que encontrei o predio da primeira foto, essa obra-prima de Ruy Ohtake. Fiquei la de baixo olhando todas aquelas ondas e elas dancavam sob as nuvens. Varios minutos. Atravessei a rua, fiquei bem de baixo, um pouco mais afastado, de lado, namorei a obra de todas as formas. Nem sabia que era do cara. O grande insight foi ver a arte sendo usada apenas para morar dentro. O bale dos balcoes dos terracos num equilibrio de formas e ousadia. Um tesao.
O porteiro saiu e perguntou o que eu queria. Nada, so olhar. Nao pode. Claro que pode, isso e' lindo, foi feito pra olhar. Nao, nao pode. Tentei argumentar, conquistar dizendo olha que predio maravilhoso, voce trabalha num lugar maravilhoso. Nao pode, os proprietarios vao reclamar, e' melhor circular, japones. Cara ignorante, mula energumena, caga-osso. Dei uma ultima olhada e quase mandei um beijo.
Anos depois fiquei sabendo que era do Ruy Ohtake e aplaudi mais uma vez, quase um bis da sensacao daquele dia.
Ontem eu estava jogando conversa fora com o Fabio - que e' arquiteto - e citei esse predio. Ele me disse que e' da fase antiga do Ruy e que tambem concorda que o bagulho e' do balacobaco.
O Ruy, nessa atual nova fase, corta uma melancia gigante e bota um hotel dentro. Ja nao me inspira tanto.

10 comentários:

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sempre achei gaudi meio perturbador. nao sei como pdem achar bonito. ms vá falar, o povo fica puto.

;*

Patricia Daltro disse...

Lindo o prédio. E a foto soube captar a essência dele.

Dani (ela) disse...

'credita que ouvi esses dias que arquitetura não é arte?

^^