Deu na BBC

'Rei da Flatulência' faz show em festival tradicional
(Ou "yes, ele assovia com a bunda sim senhor!")


Ele interpreta O Danúbio Azul, Parabéns para Você e é capaz até de arremessar dardos em alvos distantes - tudo isso com o poder de seus flatos. O britânico Paul Oldfield, mais conhecido por seu personagem e alter ego, Mr. Methane (Sr. Metano), é um performer cuja arte é centrada no dom de realizar feitos notáveis a partir de seus traques.
Oldfield - que além da Grã-Bretanha, já se exibiu no Japão, Austrália, Turquia e Suécia, está se preparando para levar a sua arte para um novo palco, o tradicional festival de teatro e variedades Fringe, onde exibirá o espetáculo An Audience with Mr. Methane.
O próprio Sr. Metano contou à BBC Brasil como ele descobriu ter o seu dom especial, ainda na juventude.
"Eu tinha 15 anos de idade e tinha muita elasticidade. Minha irmã praticava ioga e me ensinou algumas posições. Quando fiz a posição de lótus, descobri que tinha a habilidade de expandir o músculo do esfíncter e trazer muito ar para dentro. No dia seguinte, fui ao colégio e e me tornei um prodígio na arte de bombear...durante a hora do almoço".
Mas muito se passou até que ele se convertesse no herói mascarado com superpoderes que diferiam muito da visão de radio-x de um Super-Homem ou do poder incandescente de um Tocha Humana.

Craque do traque
Oldfield conta que nunca sonhou se tornar "um flatulista", a exemplo do lendário francês Le Pétomane (em tradução literal O Maníaco do Pum), que ganhou fama no circuito teatral francês no século 19, devido às suas habilidades peculiares.
Ele trabalhava como maquinista de trem, quando amigos seus contaram ter visto um filme sobre Le Pétomane e lhe disseram que ele deveria enveredar pelo mesmo caminho que a lenda francesa do traque, mostrando seu dom em diferentes palcos.
"Mas eu não estava interessado, queria continuar dirigindo trens. Era o meu objetivo e o que eu fiz por quase 10 anos. Mas durante uma das minhas viagens, durante a pausa do almoço, mostrei a alguns amigos o que eu era capaz de fazer e foi isso. Daí em diante, não conseguia ir aonde quer que fosse sem atrair grande notoriedade".
Mas, ainda não foi aí que se deu o nascimento do Sr. Metano, mas sim de sua primeira encarnação, o Incrível Homem Flatulento. O personagem atual evoluiu a partir deste, tendo surgido em definitivo em 1990.
Oldfield começou a exibir seus espetáculos em diferentes partes da Grã-Bretanha.

Sucesso e preconceito
"Em princípio, muita gente tinha preconceito, dizia que devia ser uma coisa mais bem-sucedida no norte da Inglaterra, onde há gente mais simples, da classe trabalhadora, com um senso de humor mais simplório. Mas é o contrário. A maior parte da minha platéia é do sul da Inglaterra e é gente de mais dinheiro e posição social. É o contrário do estereótipo".
O sucesso britânico fez com que Oldfiled se aventurasse por outros ares, recebendo convites de diferentes países.
Ele conta ter se surpeendido com a reverência dos japoneses, que pagaram antecipado por sua apresentação, e diz que os suecos em princípio se chocaram com sua performance, mas que sua apresentação contribuiu para que os rígidos padrões das TVs suecas se flexibilizassem um pouco.
O intérprete do Mr. Methane espera que a apresentação no Fringe aumente ainda mais seu público cativo, e conta estar preparando quadros especiais para seu mais recente espetáculo, que será exibido de 9 a 23 de agosto.
Além dos números tradicionais, como as "interpretações" de Danúbio Azul e Feliz Aniversário, Oldfield apresentará uma canção tradicional escocesa, em homenagem ao público de Edinburgo e ainda apresentará um feito arriscado.
Ele irá arremessar um dardo, "usando o meu instrumento", contra um alvo posicionado em cima da cabeça de um integrante da platéia, que, por precaução, estará munido de um colete à prova de balas e um capacete.
No espetáculo, Oldfield se apresenta ao lado de seu parceiro Martin Kelmer, que atua como um entrevistador de TV fictício, que tenta extrair confissões do Sr. Metano e é brindado tanto com revelação como com traques.
O Sr. Metano conta que espera apresentar os seus raros predicados ao público brasileiro. "Nunca se sabe, um dia desses eu posso estar aparecendo por lá. Eu adoraria ir".
BBC Brasil

All Star Cano Longo Preto

Tem um dia inteiro
e tem cansaço
suor pingando a pele brilhando
e eu só quero voltar pra casa
pra não fazer nada.

Tem novela e tem choro
as lágrimas ensaiadas e tem riso
com ensaiadas gargalhadas
na telinha brilhante e tem
sorvete de chocolate cone de baunilha.

Tem o carro do lado e do outro lado
do carro do lado tem um carro ao lado
e eu não sou mais meu
e não pertenço e só quero me esquecer
pensando em céu vermelho
e otras cositas más.

Quero uma trilha sonora de Joe Ramone
para os dias de sombras e nuvens cinzas
e uma trilha de sons caóticos com pingos
de Erik Satie e Arnaldo Antunes
flutuando pela casa pelo bairro pela
avenida sem malabaristas ingênuos.

Me leva daqui, me leva
me leva daqui, meu All Star.
As Minas e os Manos saíram daqui do lado por puro erro de clique. Mau mouse, dedo pior, sacripanta.
Já já volta tudo e mais melhor.

Perdón, cabrón.

Todo dia era dia de índio - mas o meu dedão é limpinho

Hoje é o Dia do Mar aqui no Japão e eu to todo pimpão em casa coçando o dedão do pé na quina do pé da mesa. Feriado para poucos, trabalho para o meu dedão.
O mar tem dia porque no Brasil a árvore tem dia. E ambos não passam de objeto de tema na escola com as crianças fazendo cartazes, murais, exposições, pagando mico para a classe toda. Depois crescem e esquecem tudo. Ficam adultos e lêem na Veja que a queimada é uma herança cultural cabocla e que hoje em dia exageram na dose. Lêem no Asahi Shimbun que dar paulada em golfinho faz parte da cultura milenar, afinal, toda proteína do arquipélago vem do mar, inclusive do cérebro do Flipper. Isso quando lêem ou vai dizer que ler é natural?
Árvores, praias, riachos e sabiás. Quantas músicas não foram feitas em vossos nomes? Quadros?
Quando você encara um Monet a menos de dois metros, sabe do que eu to falando. Ou quando Caetano diz que pôs os pés no riacho e acha que nunca mais os tirou. Olha lá o Jobim, mano, Jobim voa!
Parece que a gente respeita mais a natureza na arte que a arte da natureza, ao natural. Certo, é fundamental que haja o dia da árvore, do mar, da montanha, do cocozão do Jurassic Park.
Mas de onde aqueles boys de Brasília tiraram a idéia que podiam botar fogo no pataxó Galdino Jesus dos Santos no Dia do Índio? E olha que Galdino carregava uma forte proteção no nome, mas não tem santo que dê jeito em moleque.

Há muitos anos, na praia de Gotoh, aqui perto de casa, achei uma foto de uma mulher e era daquelas fotos que os japoneses colocam junto ao caixão no velório. Como a praia de Gotoh é pequena, resolvi ir para o outro lado deixando aquela quizira cadavérica naquele canto.
Mas eis que surge a moldura da foto no lado em que fui.
Resolvi ir embora senão ia pintar o defunto da dona.
Lixo, hoje em dia não rola foto, mas lixo e lixo. Fico puto, mas não vou carregar bóia furada com cara de Free Willy pra casa. Nem garrafa pet ou prato de alumínio. Muito menos foto de gente morta. Eu nunca fui muito ecológico, nem sou, mas não curto lixo, ainda mais num lance praia, protetor UV-15 e óculos escuros.
E porra, ontem tinha uma cebola flutuando do meu lado.

Mas que diabos essa foto de chineses dando paulada num cachorro tá fazendo lá em cima?
Explico. Ela gera a mesma indignação ao saber que queimam árvore pra plantar grãos, que esfaqueiam golfinhos para se alimentar, que queimam índios para ter assunto na hora do recreio e a desgraçada e triste necessidade de mergulhar junto com lixo de fiodaputa porco escroto sem educação que deve morar num pardieiro mais nojento que meu dedão na quina da mesa.
E tem mais, cara pálida, chinês dá paulada em cachorro pra comer de pauzinho. É milenar.

Mas meu dedão é limpinho!

ROUBADAS!!




Olá, Sr. Ladrão e Sr. Curador:

Eu li que roubaram e não acho legal roubar. Estavam num museu bacana, ar refrigerado, umidade controlada, rampas para cadeirantes, banheiros limpinhos, funcionários uniformizados e pasmem, crachás brilhantes e reluzentes! É diferente de roubos similares que aconteceram na Pinacoteca e no MASP.

Outro dia um peruano me disse que nós brasileiros não cuidávamos do nosso patrimonio cultural, pois qualquer um entrava num museu e fazia a festa. Deixamos que levassem Picassos e Portinaris. Concordei, mas retruquei que claro, não dá pra carregar um monte de pedra velha e bolorenta feito Machu Picchu e colocar no quintal. Aliás, além disso e Mario Vargas Llosa, que mais há para se carregar do seu país, chino? Porque não te calas?

Essa cartinha, senhor ladrão, não é pra reclamar do vizinho latino e nem pra sacanear com ele, mas é pra dizer que se a responsa de carregar esses Warhols e Lichtenstein pra lá e pra cá se escondendo, fugindo e tal é maior da conta, deixa aqui em casa, eu cuido direitinho.
E senhor curador, amigo benemérito curador, não se preocupe que não vou vender. Vão ficar aqui nas paredes para o deleite dos meus olhos e acredite, foréva. E eu não cobro ingresso.

Besos!

Los Day by day


Abaixa que isso aí é isso aí

Tia Rita gritou no Ibirapuera que aquilo ia ser uma grande festa. Ia ser mesmo. O maridón Roberto de Carvalho com uma Gibson Les Paul preta brilhante e nervosa prometia.
Tia Rita chegou serelepe no microfone e disse, bem baixinho:
- Aumenta que isso aí é rock'n'roll... ouviram?
Acho que não ouvimos.
E então ela retrucou:

- Aumenta que isso aí é rock'n'roll!!

Dia 13 de julho foi o dia do rock. Não sei se nacional ou internacional. Dizem que foi o dia em que o radialista Alan Freed botou um blues aceleradaço e disse que isso era rock'n'roll. Era. O rock já era.
Desde os tempos do Arte Mútua eu comemorava o dia do rock. Nesse ano esqueci e não foi uma lástima ter esquecido. O rock está ruim. Pode ser que o ouvido fica depurado, gourmet de boas cifras, notas e beats inusitados. O último bom lugar comum, pasmem, foi o primeiro disco do Guns'n'Roses e isso aconteceu nos anos 80. E a última grande novidade foi a turma de Seattle, triste, chuvosa e de curta duração.
Nada mais valeu até o terceiro disco. Nada mais ultrapassou o próximo verão. É como um ciclo que todos nós achávamos que era infinito porque os jovens não morrem. Mas os grande estão com mais de 60 anos. A referência do novo é um velho. E está provado que os velhos, morrem.
Não dá pra comemorar a morte de ninguém, nem de uma figura abstrata como um ritmo musical.
Quando pintar uma novidade que sirva de referência a uma geração, talvez seja tarde demais e eu já esteja morto. Too young to die, too old to rock'n'roll, dizia a capa do Jethro Tull.
O que é Jethro Tull? Viu? Nem a Britney Spears sabe.
Mas beleza, o Led Zeppelin vai fazer uma turné mundial. O velho.

No tempo do meu avô Sadaharu

I - Era assim
Ele chegou com 17 anos no Brasil e depois nunca mais voltou ao Japão. Passou a vida toda achando que todo brasileiro era desonesto e fedido.
Nos anos 30 e 40 o mundo se armava contra o Eixo Alemanha-Itália-Japão. Os japoneses residentes no Brasil sofreram represálias, não que fosse certo, mas era natural, afinal eram súditos do império asiático inimigo. Tudo muito bem escrito e contado em Corações Sujos do Fernando Morais.
Minha avó Tamy conta do pai dela preso só porque tinha livros japoneses em casa e da marmita que ela jovem lhe trouxera e que fora cutucada com o dedo indicador pelo carcereiro. Meu bisavô Okamura era um homem de pequena estatura, mas um grande homem, mil virtudes, sábio, tudo no olhar.
Nos anos 60 todos eles largaram os sítios no interior do Paraná e foram para São Paulo. Meu avô Sadaharu era taxista e me contava, com um certo orgulho e raiva, que não pegava passageiro preto. Só uma vez, porque a preta estava grávida. Na verdade, eu sempre achei que ele tinha cara de japa bem puto e queimadão de sol pelo janela do fusquinha, ou seja, tudo vinha carregado de certo orgulho e raiva.
Nunca entendi nada disso como diferença, mas como igualdade. A igualdade do gueto dos italianos, espanhóis, judeus, árabes, pretos e orientais. Dentro do quarteirão dos orientais, o descarado racismo entre coreanos, chineses e japas, filhos e irmãos étnicos mesma Mongólia, mas inimigos de guerra por séculos. Raiva que se estendeu aos filhos e netos imigrantes. Nunca tive amigos coreanos ou chineses, não por raiva, mas por falta de oportunidade.

II - Agora é assim
Uma das frases mais comuns falada por brasileiros aqui é:
- Tinha que ser japonês.
Quando ouço isso, lembro do meu avô contando de algum passageiro gaijin daquele dia. A situação se inverteu.
Só não entendo porque ao invés de ficar reclamando, não pega um vôo e volta pro Brasil. Hoje em dia é muito mais fácil do que no começo do século passado, uma viagem com meses de navio por oceanos.
Já ouvi uma pessoa reclamando de lugares freqüentados por brasileiros porque brasileiros são histriônicos e mal educados. Essa mesma pessoa gosta de ir em lugares onde há uma maioria de japoneses porque esses são mais discretos. Mas essa pessoa detesta o povo japonês, está há quase uma década aqui e ainda não aprendeu o idioma. A maioria é assim e isso abre o abismo entre os dois povos, o nativo e o convidado.
Meu cunhado é japonês e a gente se comunica de forma muito particular entre o japonês e o inglês. Damos muita risada. Muita. Estivemos no Brasil e ele entendeu muita coisa que pode parecer de uma superfície cultural latina ou minha pessoal ou apenas brasileira, ele entendeu a profundidade de uma diferença cultural que não divide, separa, mas soma. E eu, ao perceber que ele entendeu toda essa trama racional e emocional, descobri que as pessoas são apenas pessoas, muito mais do que mero discurso humanista e anti-racista, mas que isso é uma verdade absoluta e que pode ser normal e cotidiana. As diferenças sempre vão existir, mas as igualdades também e essas lhe são superiores em ordem e grau.

Fotos que eu gosto de bater

Praia de Goto, em tempo de bossa nova: O Mar, A Onda, o Velho de Ceroula.

Não corra, papai

A Lei Seca tem dado resultados satisfatórios. Sempre dá. Ponto para nossos legisladores.
Aqui no Japão ela é muito mais rigorosa e atenta aos detalhes do pós-acidente alcoolizado. Imagine que Sr X bebeu, chapou e ligou o carro. Saiu do boteco dirigindo, atropelou Y e o matou. O Sr X tá fudido, o dono do boteco que serviu o Sr X tá fudido e a mulher do Sr X tá fudido. No tsunami da cachaça não tem sussurro, só gritaria de deus-me-livre.
O Sr X vai preso esperar julgamento, inafiançável. O dono do boteco teria que chamar o serviço de taxi para bebados que funciona assim, chega um taxi com duas pessoas, uma delas vai pegar o carro do chapado e dirigir para ele que vai no taxi. Há um pequeno acréscimo pelo serviço extra. Como o dono não chamou o taxi, vai pagar uma multa altíssima e o boteco fica fechado até ele pagar. Se for reincidente, perde o alvará.
O julgamento do Sr X será mera casualidade, só pra cumprir tabela. Ele já é culpado e vai puxar uma cana braba. Como ele matou Y que tinha família pra sustentar, o Sr X pagará algo equivalente a 1000 dólares mensais para a família de Y. Mas como ele está no xilindró, a dívida passa para a família dele, a esposa. E é vitalício, foréva.
Se o Sr X chapar o côco e só for pego em flagrante pela polícia, paga uma multa de 2500 dólares, puxa 3 meses de cana inafiançável e perde a carteira de motorista por 1 ano. Se for reincidente, multa de 5 mil dólares, 6 meses de multa e 3 anos sem carteira. Se for pego pela terceira vez, 1 ano e meio de cana, 10 mil dólares de multa e carteira never more.
É interessante citar que até os anos 70 o trânsito japonês era caótico e só foi resolvido com leis severas, melhor seleção e testes rigorosos para novos motoristas.
Antigamente as pessoas fumavam em salas de cinema. Depois vieram as placas de proibição e hoje não há mais placas, as pessoas simplesmente não fumam. Isso é conscientização, isso é um passo para a anarquia - não confundir com o caos.

Segredos e revelações


Eu ia montar esse espetáculo aqui. Ia.
É simples, dois personagens, minimalista, consistente, atual e cheia de humor negro. A minha adaptação focou a vida brasileira no Japão. Ia.
É simples, mas falta tudo. Tudo. Ia.

Isso é muito natural

A bossa faz cinquentinha.
Já não é tão nova, nem atual.
Mas eu amo a bossa nova porque amo a batidinha e João Gilberto.
E quando escuto João Voz e Violão só penso em viver mais.
Nesse disco não há percussão, só voz e violão.
Há muitos anos que quase não se faz música sem percussão.
Madredeus é assim.
E vejo a bossa ali. Vejo a bossa na quebradeira do Azimuth e Spyro Gyra.
Na paulada dos Titãs e na melhor e mais profunda embriaguez de Tom Waits.
A bossa nova está onde deve estar.
Star.

Auto - A Judas

Tava vendo uma revista brasileira publicada aqui no Japão e tinha uma lista de livros para comprar pelo correio etc. A maioria de auto-ajuda. A maioria da maioria da Zíbia.
Mas um me chamou muita atenção. Começa pelo nome do autor, um mix etimológico entre um hindu bem louco e aquela escandinávia badauê.
Claro que o cara se recusa a entregar o nome de batismo e prefere ser conhecido por essa aberração que graças à auto-ajuda, esqueci.
O livro do guru Helsinque-Ganges chama-se Doze Passos para o Sucesso. Contei os passos que dou entre a beira da cama e o banheiro. Só de escada são doze. Depois da escada, mais onze. Dei passinhos miudinhos para sacanear e dizer que o décimo segundo passo é extremamente pessoal e não se conta.

Essa Zíbia é uma mentirosa. Primeiro porque ela acredita em deus. Nada contra quem acredita em deus. O problema é acreditar em deus e na Zíbia. Acreditar na Zíbia. Ninguém lê um livro pelo mero prazer de contradizê-lo. Então lê-se para crer-se, na maioria das vezes. Lê-se para matar a curiosidade. Lê-se pouco, é notório, e esse pouco é gasto em Zíbia. Enfim.

Tem o irmão dela que esqueci o nome. Ótimo.

Li toda a obra do Lobsang Rampa. Mas dá um boi, cara, eu tinha 14 anos.
O monge Lobsang diz que saiu do Tibete durante a invasão chinesa nos anos 50. Saiu e descobriu que tinha por missão desvendar os segredos mágicos de Lhasa ao ocidente. Mas ele ficou doente e precisava de um corpo. Encontrou um canadense que estava morrendo e transferiu seu espírito ao corpo do cara. Assim, feito música de cd para cd. Eu tinha 14 anos, cara.

Tem um título que acho o máximo: Jesus - o maior psicólogo, qualquer coisa assim. Entre Jesus e Freud há duas coisas em comum, ambos eram judeus e estão mortos.

Quer pensar auto-ajuda? Pega um cotonete e tira caruncho do umbigo. É um começo. Depois pensa no quarto. A casa. A vizinhança. Chama todo mundo pruma festa. Vem quem quer. Quem veio, veio, quem não veio, quanta ingratidão!

Cozinha do Inferno









São só rosas

Macumba aqui, amor acolá.
Entre uns e outros, um céu e um inferno.
Entre todos - e todos os dias: mortais.

Cor de flor viva tão intensamente viva que grita.

A novidade veio de táxi e não pagou a corrida,
lavou-se rápido na pia, molhou o cabelo e
desceu esbarrando paredes corrimões
atropelando fantasias e
entrou triunfante leite de rosas
forte feito um primeiro beijo.

E ele nunca mais se repetirá,
mas a gente cuida e busca
porque não é bobo, nem nada.