Nakazawa pai do pai e o filho

O Nakazawa ia todo final de semana na praia de Araibenten lancar a isca para pescar kissu e suzukis, sazonais. Ainda vai.
Mais que um hobbie, um vicio, fixacao, dependencia fisica quimica matematica. Na hora do almoco na fabrica, fazia fileiras de anzois para ir no domingo jogar no mar. E sempre me convidava, eu dizia que ia e nunca ia. Um dia fui.
Nesse dia ele me contou que o pai era pescador profissional, de sair em baleeiro por meses, coisa de norte da Russia, Alaska, sul da Australia, dependendo da vez. E toda vez que o pai ia, ficava devendo uma batidinha de bola pro filho, que pra japones significa arremessar uma bola de beisebol um pro outro pra agarrar na luvona de couro. Assim como a gente chuta na parede do quintal para aprender futebol, eles jogam um pro outro. Mas o pai dele ficava devendo e por isso, pela profissao e pelos anos em altomar, Nakazawa nunca aprendeu a jogar beisebol.
Em escola japonesa, voce faz parte de clubes ou times. Clube disso daquilo, time de badminton, de esqui, de judo, de salto com vara. Ele fazia parte do clube de caligrafia o que nao e' simplesmente escrever com letra de diploma, mas escrever kanjis de forma correta, ritualistica, japonesa, xintoista pracaray. Isso porque nao sabia jogar beisebol. Mas sabe tudo na teoria, assiste tudo na tv. Como no Brasil, tem as rodadas televisionadas durante a semana.
Comecou a pescar desde crianca, tipo imitando o pai. E nunca mais largou. Hoje o pai nao suporta pescar.
Ele tem la seus sessentinha e esta aposentado. Agora o velho Nakazawa ensina o neto Nakazawa a jogar beisebol, um arremessando pro outro enquanto o Nakazawa do meio pesca suas horas de tranquilidade sem pensar em home runs, strikes ou base.

2 comentários:

Diego?Glommer?Chuck? .? disse...

Hummm...


A gente sempre tem que buscar algo par relaxar. Fato.


Acho interessante esse lance dos esportes no Japão. Eu lembro de um desenho que via (Supercampeões, não sei o nome original dele) que era bem legal e dava para ver esse sistema.


http://marmotatomica.blogspot.com

Patricia Daltro disse...

Mais do que um lazer, esse compartilhar momentos pai e filho são o que fazem a vida mais bela.