Semana de 1922 e Tropicalia

Na foto de 1922, Mario de Andrade no chao pode ser e estar (Tupi or not tupi, eis a questao) representando o despojar-se diante da caricatura institucionalizada da arte e cultura nacional vigente na epoca.
E tambem da proposta do desvario que resultaria na Semana Modernista na pauliceia desvairada.
Nao acredito em modernismos e pos-modernismos, creio que o que existem sao as coisas e ideias se sobrepujando umas as outras num constante girar da manivela das artes e entretenimento, visual, musical, os cinco sentidos em ebulicao em busca do total constante. Como ja disse, Jackson do Pandeiro foi pos-moderno e diante do flagelo atual que ronda a mpb feito uma sombra triste e iletrada - ilustre e famosa, porem - Jackson do Pandeiro continua sendo tudo, de demode, vintage e nostalgico a pos-moderno, pos-tudo e pre-nada diante desse oco solene.
Na foto tropicalista, o maestro Rogerio Duprat segura um penico, numa alusao ao dadaismo e ao Urinol de Marcel Duchamp. Gil esta no chao.
As fotos sao muito parecidas. As ideias antropofagicas de ambos movimentos tambem. A cidade em questao, Sao Paulo, e a arte popular, a pop art, a poesia abandonando a metrificacao tradicional com Manuel Bandeira em 1922 e o concretismo dos anos 60.

O mundo gira, a caravana passa e a gente divaga.

Helio Oiticica nos anos 60 e Tarsila do Amaral nos anos 20.

3 comentários:

Erika disse...

Adorei, Nei! Esses assuntos me agradam bastante, nunca me canso de ler sobre eles. Beijo.

Glads disse...

Meu!!! Tem tudo a ver essa capa dos tropicalistas e a foto da "turma de 22", não só na imagem, mas nas idéias sobre o Brasil...Será que pinta outra semana assim em Sampa???? Ou isso tudo já era???

Tarcio disse...

Oco solene, a mpb atual? Um grande oco somente. Mas assim como na supervalorização da semana de 22, talvez a gente esteja julgando por uma brecha estreita que nos oferecem, a brecha que interessa ao Mercado e aos donos das mídias...
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Abraço,do sertão.