Tiros em Columbine

De todos do Michael Moore, só não tinha visto esse, o mais famoso, o do Oscar. Vi hoje.
O que me intriga, sempre, é o fato de que se existisse um Michael Moore em cada país, em cada cidade, muita coisa ruim seria exposta de tal maneira que, numa breve utopia, poderia até desaparecer.
Não, ele não é meu herói. Meus heróis estão mais pra Borat, Aureliano Buendía e Vincent Vega.

Um jornalismo desse gênero não ia dar certo no Brasil. Temos um pudor católico que esbarra no cinismo de um americano de esquerda.
Não mostre as criancinhas, vamos passar em horário nobre.
Mostre as criancinhas, vamos passar em horário nobre.

Michael Moore é um fenômeno da mídia muito típico, muito americanaço, muito barrigudo de Budweiser, pizza e Lincoln Classic na garagem.
Nós somos uma outra américa, uma américa que vive de costas para o resto de seus vizinhos, uma américa do atlântico sul, quente, que fala português e quer beber Budweiser, comer pizza e ter um Lincoln Classic na garagem.
Sem a barriga e o cinismo do cara, claro.

E outra, ou ia ser com grana do MEC, ou da Globo ou de um banqueiro. Não ia dar certo não.

3 comentários:

SÃO PAULO URGENTE disse...

Nunca tive coragem de ver!Mas tenho curiosidade.

Abel disse...

Somos apenas uma América onde a democracia se admite inventar uma entidade abstrata acima do poder público. Uma entidade que, mesmo sendo donos da maior província mineral, a talvez maior província petrolífera e a maior floresta do mundo, diz sermos pobres, não termos dinheiro para ajardinar nossas cidades, construir veículos além de carroças, pagar nossas contas no fim do mês. Dinheiro que basta por tinta na máquina e botar pra rodar, como tem feito o poder público da terra do Moore.

LuMa disse...

Dos jornalistas, das duas uma. Ou estão atrelados até o pescoço num aparelho estatal ou partidário apenas por um salário mais gordo, ou são aqueles estéreis que, de dentro de confortáveis muros, disparam pra todos os lados citações pseudo-eruditas, mais afinadas com o Primeiro Mundo (com pessimismo anglo-saxão) e não arredam os pés de suas poltronas. Ah, tem a terceira tbém. Aquele que ainda caminha por aí com um Marx debaixo do braço e tbém ama citações(latino-americanas) com a estranha lógica de que tudo que vem do hemisfério norte é reacionário! Diante de qualquer destes 3, tem o interlocutor, o brasileiro, cuja máxima aspiração é um churrasquinho na laje nos fins de semana.(shh...exagerei...) Conclusão: M. Moore é inviável (rs).

Ah, devo discordar de uma coisita. A barriga. Nisso, tem em comum, sim. Abraços!