Futebol New Age


As grandes manchetes do futebol são exclusivamente européias porque a maioria dos caras bons de bola estão lá. E elas falam em vitórias dos grande times de sempre, ingleses, espanhóis, italianos, portugueses, franceses e alemães com seus esquadrões formados por estrelas de todos continentes com valores e salários superfaturados por questões subjetivas e sempre irracionais.

Quem vale aquela grana, o homem Kaká ou o que ele representa?
O que é que ele representa?

Estão acontecendo três fatos importantes no futebol brasileiro que podem ser a semente de um movimento diferente desse êxodo de craques prematuros e desconhecidos. Qualquer movimento além disso que está aí pode ser a salvação psicológica de futuros Robinhos e Adrianos e consequentemente, a cura do futebol de uma camisa amarela que é vestida por fantasmas que moram em outro continente.

O primeiro fato chama-se Rogério Ceni que está há 18 anos no mesmo clube. O que levou o São Paulo FC a ter um tricampeonato brasileiro consecutivo está nitidamente vinculado a isso. Rogério deve ter jogado todo esse tempo com mais de 100 atletas diferentes e a todos mostrou sua liderança conquistada por ter todo esse tempo de casa. Respeitá-lo como líder em campo, capitão, craque e veterano é respeitar o clube, a instituição, o escudo.
O São Paulo FC e Rogério Ceni merecem o respeito de todos os torcedores do futebol por ter criado esse vínculo sutil entre o atleta e o clube. Retorno breve ao grande goleiro.

O segundo fato é o inusitado e vitorioso retorno de Ronaldo através da camisa do Corinthians. Poderia ter sido em qualquer clube que o resultado seria o mesmo. Os estádios estão lotados porque todos, torcedores corinthianos e adversários, querem vê-lo em campo. Não importa se ele vai entrar depois ou vai correr só quinze minutos, o que importa é que aquele distante e virtual ícone - um símbolo - em games, manchetes de jornais e cybertubes é aquele homem que está ali no gramado, no mesmo tempo e espaço de quem o assiste. O craque símbolo de uma geração vitoriosa e bicampeã mundial de seleções (1994 e 2002) está ali.

Esse é o grande brilho que o futebol brasileiro havia apagado com as passagens só de ida para a Europa de meninos pré púberes.

Se na partida final de ontem na Vila Belmiro o time do Santos estivesse com quase o mesmo esquadrão da turma de Robinho, Diego e Elano de um lado e Ronaldo de outro, o resultado poderia ser outro. Mas felizmente não foi.

O terceiro fato é que o grande inspirador de toda essa piada purgante de craques do nosso futebol, Ricardo Teixeira, presidente da CBF, está, a cada dia que passa, envelhecendo.
Todos nós, afinal. Mas ele segue na frente. E isso é um bom sinal.

Dizer que os clubes brasileiros não têm cacife para pagar os salários milionários dos craques é balela.
Pelé, Zico, Wladimir, Falcão, Waldir Peres, Ademir da Guia, craques do passado que praticamente fizeram sua história num clube só. Todos legítimos campeões e consagrados por suas torcidas. Quanto vale a história de Zico no Flamengo, seus gols, passes, títulos? Para mim, muito mais que a cara de David Beckham e sua esposa na capa da revista, no hall da fama das celebridades, caras & bocas.

O que importa na vida de uma pessoa é a sua história e não a quantidade de carros esportivos na garagem.
A gente quer ver o craque em campo, na nossa cidade, no nosso time e não num torneio distante, na tv a cabo, num time impronunciável.
A gente não sabemos tomar conta da gente.

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