Down de dente

To fazendo um tratamento dentário. Na semana passada fiquei boquiaberto tres vezes. No final das contas, tive que extrair um dente. Não é uma decisão fácil, nem pra mim, nem pro dentista. Menos pro dente.

E resolvi marcar a extração pra uma segunda de manhã. Ou eu gosto de juntar dor ao sofrimento, ou sou alguma reencarnação de um algoz de Torquemada e quero pagar meus karmas nesses dias de pré-verão.

Na verdade, tinhamos marcado um churras para o domingo, que choveu. Marquei para a segunda porque achei que depois ficaria inválido para uma picanha no ponto. E choveu o dia inteiro.

Acordei na segunda muito mais cedo para fazer tudo que tinha que fazer, como aqueles clichês de Hollywood quando a pessoa vai para uma cirurgia ultra invasiva e antes dela, resolve toda a vida. Bueno, resolvi uma segunda de manhã, o que já é o suficiente para uma extração, uma pequena cirurgia, uma invasão da minha boca.

Mas claro, há a sensação de que uma coisa que está comigo há décadas vai pro beleléu.

Não foi, arrancaram-no e pedi o pequenino pra mim, enrolaram numa gaze e pus no bolso da bermuda. Não acredito em fadas, nem em moedas embaixo do travesseiro, aliás, não acredito em mitologia norte-americana, distorção esquisita dos celtas, mas é meu, vem pra casa. Tomei uns pontos na gengiva e o doutor me receitou um branquinho analgésico e um vermelho cicatrizante ou antiinflamatório, acho. E essa combinação dá um barato esquisito, um down, uma amargura, tristeza, uma vontade de ser depressivo depois de jantar. Uma bosta.

Para que não pensem que eu sou um porcão, eu escovo muito os dentes, tenho fio dental até no portaluvas do carro, Listerine diariamente e acho mal hálito uma péssimo hábito.
Perder esse dente foi triste.

Existe um preconceito muito grande com dentistas japoneses. É uma farsa. O que há é um medo babaca generalizado, seja um dentista brasileiro ou japonês. São iguais, os instrumentos são iguais, motorzinho, luzona na cara, tudo igual.
É melhor um dentista na vida que um passo atrás por causa do bafo.

4 comentários:

Erika disse...

Oi, Nei. Puxa... já extraí 3 dos 4 sisos. Acabei não ficando com nenhum deles. Confesso que tenho um certo receio do tal motorzinho terrível, mas o tratamento bucal é um "mal necessário". Beijo.

Bem disse...

Falando em dentes. Você sabe o que é yaeba? Eu não sabia, mas vi que muita gente por aí acha isso bonito...

http://www.japanprobe.com/?p=10247

Minha esposa diz que isso é coisa de japonês

LuMa disse...

Bom, depois dessa, nada como um gelato pra cicatrizar. Depois, um bom lámen no lugar de uma picanha. Com pimentinha, pra cicatrizar mais rápido ainda. A propósito, a conta de um dentista no Japão é alta? Aquí, qdo não quiser aguardar 4 meses com um do Estado, precisa fazer um financiamento. Ou vender a casa.

PS: (sorriso sarcástico)...eu comí uma boa carninha neste fim de semana...sem picanha, mas carninha...

artesmenores disse...

Muito engraçado esse post, porque hoje achei todos os dentes que extraí enquanto estava fazendo o tratamento ortodôntico: quatro dentes de leite (caninos) e quatro sisos. Acho bem poético, eu tirei os dentes de criança e os de adulto, tudo pra deixar os caninos de verdade nascerem. Minha prima dentista falou que os caninos são os maiores dentes (têm as raízes mais longas), e os que firmam nossa arcada dentária e tal, mas eu achei legal tirar os de "gente" pra deixar os "animal" nascerem tranqüilos. Divaguei legal. Mas é a minha história de perder dente!
(Ah, e claro que eu ouvia Revolver também. É, na verdade, o meu preferido dos Beatles. Mas eu era bem mais novinha quando ouvia. Taxman é a minha preferida)