De cá pra lá, balangando

1.
Ontem fechei o domingo ouvindo Dorival Caymmi, já madrugadinha - uma musiquinha de nada - como eu acho que ele diria sorrindo de leste a oeste naquela cara maravilhosa. Quem não tem balangandã não vai ao Bonfim, ele diz.
O must da coisa foi saber que balangandã é o mesmo que berenguendem.

O presidente da União Européia, o tcheco Vlacav Keys, pediu o fim da pena de morte no Japão. No ultimo dia 28 de julho, três condenados foram enforcados, todos entre 25 e 41 anos, condenados por duplo e triplo homicídio.
A lei japonesa da o direito ao ministério da justiça de executar sem aviso prévio, o que foi o caso. A maioria das pessoas no mundo são a favor da pena de morte e contra o aborto.
É só uma constatação.

Assisti Dvds da Betty Boop e Gato Felix, ambos dos anos 30, coloridos, daqueles que passavam em cinema, aos pingos, semanalmente. Produtos encontrados em lojas de 100 yen, o equivalente ao 1,99 do Brasil. Massa mesmo é a trilha sonora, as big bands por tras das onomatopéias.
No extinto Cine Republica havia uma sessão aos domingos só com Tom & Jerry da fase Chuck Jones. Acho que foram as minhas primeiras gargalhadas no coletivo.

2.
Com a crise financeira mundial afetando todo o mundo e, fatalmente, os brasileiros que vivem no Japão, alguns resolveram voltar ao Brasil e outros estão preparando as malas.
Outro dia estava visitando um amigo que trabalha numa empresa prestadora de serviços aos brasileiros e ele narrou o que tinha acontecido no balcão da empresa minutos antes da minha chegada:
“Veio o pai, a mãe e quatro filhos, três em idade escolar e um no colo. O pai veio ver as seis passagens para o Brasil. Claro, ficou um absurdo de caro. Mas ele disse que estava faltando mandar as copias dos seis passaportes para o Ministério do Bem Estar Social japonês, para eles liberarem o dinheiro das passagens. O cara perguntou se eu não podia fazer as copias, pois ele não tinha 240 yen (quase 5 reais) para pagar as copias no 7 Eleven”.

O governo japonês criou esse plano de ajuda aos trabalhadores brasileiros e peruanos, dando o equivalente a quase 6 mil reais por pessoa da família para ajuda de custo da passagem e uma pequena quantia para reiniciar a vida no seus respectivos paises. Poucos estão usando deste artifício para voltar para casa porque ao usar desse plano de ajuda, a pessoa perde o visto de trabalho, tendo que readquiri-lo no consulado japonês no Brasil ou Peru, o que já não era fácil antes da crise, imagine agora.

Os que estão indo embora, vão por conta própria e assim não perdem o visto de trabalho e, de certa forma, o vinculo com uma possibilidade de reinicio de vida no Japão depois da onda de desemprego passar. Mas estão deixando rastros.
Muitos carros zeros que foram comprados e financiados por brasileiros, foram abandonados nos estacionamentos dos aeroportos, todos com a chave na ignição por causa do desemprego. Carros usados, velhos, seminovos também.
Alguns apartamentos abandonados com toda a mobília e a chave na porta.

Ao lado do meu prédio há um estacionamento usado pelas famílias que possuem mais de um carro. Há um carro com uma estampa em verde e amarelo escrita “BRASIL” na traseira e há meses que ele não sai do lugar.
Hoje um japonês me interpelou, sabendo que eu sou brasileiro, muito polidamente, se eu conhecia o dono do veiculo. Eu disse, também mui polidamente, não, me desculpe.

É claro que eu sei de quem é o carro, sempre nos cumprimentamos informalmente. E sei que o cara sumiu da vizinhança. E também é evidente que o japonês sabe que eu sei. Mas nas invisíveis e mudas regras de vizinhança japonesa, imperam os famosos três macaquinhos que não enxergam, não ouvem e não falam.

Ate vir um cara, estrangeiro ou não, e não pagar o aluguel da vaga.

Um comentário:

LuMa disse...

Ah, menino, que saudades dos seus posts. Enqto aquí está havendo um êxodo urbano para entrar definitivamente em férias, estou chegando, de volta à vidinha. Ví muitos brasileiros de retorno do Japão retomando a vida no Brasil. A gente os identifica de longe, pelo comportamento, vestimenta e os "ares" que inspiram. Tomara que não entrem em parafuso lá no próprio país. Sabe o que quero dizer... Bola pra frente, e eu tbém tenho que arrumar a casa! Tapinhas nas costas!