Japoneses vão às urnas para eleger nova Câmara dos Deputados

da France Presse, em Tóquio
O primeiro ministro japones Taro Aso (esq.) e o lider de oposição, Yukio Hatoyama, ambos em campanha.

Os japoneses votam neste domingo (30) a favor ou contra a mudança da sociedade prometida a eles pela oposição centrista, depois de meio século de domínio dos conservadores na segunda economia mundial. Se forem levadas em conta as pesquisas, a resposta deverá ser um sim franco e maciço.

O centrista Partido Democrata do Japão (PDJ) poderá obter vitória esmagadora sobre o Partido Liberal Democrata (PLD), direita, conquistando 300 das 480 cadeiras da Câmara de Deputados. A elevada intenção de voto concedida aos centristas --o dobro da dos conservadores-- simboliza a preocupação de grande parte dos japoneses com a desigualdade social e seu desejo de mudar um modelo de sociedade, esculpido por 40 anos de conservadorismo, que já não os convence.
Artífice do "milagre econômico" que fez do Japão a segunda potência econômica mundial, o PLD pode manter-se no poder desde 1955, com breve interrupção de dez meses nos anos 90, apoiando-se na grande indústria e na todo-poderosa burocracia de Estado. Agora, o partido está pagando as consequências das reformas liberalizantes do ex-primeiro-ministro Junichiro Koizumi (2001-2006), que agravaram as desigualdades e o desemprego.

Consciente do descontentamento crescente da população, o PDJ centralizou toda sua campanha em torno ao lema "uma política a serviço da vida das pessoas", e promete confusamente a concessão de subsídios familiares, gratuidade parcial do ensino, auxílio-desemprego, pensões por velhice, incluindo a abolição da cobrança de pedágios em autoestradas. Um programa generoso que, segundo o partido, poderá ser financiado se o país acabar com o desperdício.
"Trabalhamos para que no futuro as pessoas se lembrem deste dia e digam: a partir de agora, a história do Japão mudou", declarou o presidente do PDJ, Yukio Hatoyama, 62, em comício em Osaka, no oeste do país. Em caso de vitória, Hatoyama, rico herdeiro de uma longa dinastia de políticos com frequencia comparada aos Kennedy, será eleito primeiro-ministro pelo novo Parlamento provavelmente em meados de setembro.

Seu adversário, o premiê Taro Aso, 68, um nacionalista endinheirado e sem complexos, destaca na campanha sua experiência de poder e seu sentido de responsabilidade, ante um partido de centro que nunca governou. "Alguns de vocês inquietos questionam se é prudente deixá-los governar", declarou Aso em discurso em Tochigui, no norte de Tóquio.
"Estamos definitivamente seguros de que as políticas econômicas e os planos de reativação estiveram bem adaptados e que funcionarão", acrescentou, em referência à volta do crescimento depois de quatro trimestres consecutivos de recessão. Mas o desemprego não cessa de aumentar e as últimas estatísticas do mês de julho citam uma taxa de 5,7%, considerada histórica no país.
Nesse clima de depressão, os japoneses, que têm fama de pouco interessados em política, poderiam ir domingo em massa às urnas, estabelecendo um novo recorde de participação, depois dos 67,5% registrados nas últimas eleições de 2005.
(Deu na Folha)

2 comentários:

Abel disse...

Quando vejo sociedades milenares acreditando em políticos e papai noel, vejo quanto tempo a brasiléia, o brasilustão e a brasilácia ainda dispõem de tempo para doideiras como o seu taifu midiático diário, só pra dar um exemplo. Ps.: a foto do pôr do sol no bairro de Nakazawa cho, em Hamamatsu, foi pro hd, com vossa permissão.

LuMa disse...

E então deu oposição. Não conheço a fundo o seu programa, mas torço pra que não ocorra o mesmo erro da oposição italiana. Uma besteira aquí, besteira lá e o povo logo repõe a situação. Oposição ou situação, ao menos a política japonesa não deixa nada acabar em pizza, como ocorre por estes lados ocidentais.