ZEN

Eu amo musica, mas as pessoas precisam entender que sou movido pelo silencio, pelo barulhinho interior.
Em varias ocasiões, há uma balburdia interna tão grande que é superior a qualquer gritaria ou uma barulheira feito um ensaio de escola de samba. É aquele sopro de falsa modéstia que aspiramos quando dizemos que estamos ilhados na multidão.
Mentira, nunca estamos. Estamos na verdade nos afogando numa muvuca desnecessária e irracional. Cabeças, corpos, ruídos toda essa gente querendo alguma coisa que vai à contramão dos meus cinco sentidos. Sim, claro, sou um chato de galocha.

Eu amo musica, toda a pausa que há nas entrelinhas das notas de uma bossa carioca do baiano João. A respiração invisível de Robert Plant. O olhar atento dos violinistas no ataque final no Quarto Movimento da Nona de Van Beet.
Van Beet é uma bobagem feita para ilustrar essa intimidade inexistente que criei com Ludwig.

Mas, sobretudo, amo silêncios abissais, oceânicos, solitários. A quietude da primeira luz da manha de domingo é uma grande e maravilhosa verdade da vida que se pudesse, eu daria palestras e seminários sobre o assunto – sem falar nada.

3 comentários:

Kenia Mello disse...

Coisa linda que é a pausa, os silêncios. É nele que o caos se retorce e mais se desorganiza em plena harmonia. Só nos resta o alumbramento. Lindo texto, Nei.
Beijos.

capiteo disse...

Porra, arrebentô.

Barbara disse...

Exatamente!!!