Estou relendo “Os Subterrâneos” do Jack Kerouac

Jack Kerouac em 1953

Feito aqueles menininhos que entravam nos ônibus vendendo amendoins e santinhos esfarrapados – hoje homens grandes, quase aposentados da mendicância, pelo menos os vivos – eu podia estar lendo outra coisa mais interessante, mas não meu senhor, minha senhora, estou lendo beatnik mesmo.

Ler Kerouac é como ouvir Jorge Benjor ou Miles Davis. É uma força da natureza, uma avalanche de sensações inomináveis.

Allen Ginsberg também.

Quando leio esses autores, sempre acho que a cama fica sacolejando insistentemente para que eu me levante, largue o livro, as roupas limpas, o sofá macio, o jantar sadio, o plano de saúde, tv plasma, sabonete cheiroso, as flores e os vasos e saia por ai cantando o mesmo poema por toda a vida, ate a ultima calçada, o ultimo par de sapatos roubados, o ultimo furo do cinto.

A sensação de liberdade é tão grande que quase esqueço de dizer que é.

Kerouac, Neruda, Pessoa, Bandeira e Leminski estão vivos porque sempre haverá uma pagina aberta por amor ou curiosidade.

4 comentários:

Kenia Mello disse...

Ô Nei...

LuMa disse...

Ah, Kerouac é uma viagem, sem pontos e sem pausa para um fôlego. Uau, me abriu a nostalgia agora. Lí a primeira edição (84 ou 85?)pela Brasilense, e acho que lí em um dia e uma noite,rs. Sem benzedra nem anfeta.

Que coincidência, a escritora/tradutora italiana Fernanda Pivano, amiga do pessoal (Kerouac, G. Corso, Ferlinghetti, Ginsberg, Burroughs e tchurma) morreu mês passado em Milão, com 90 e passa anos. Com sua morte, pipocaram muitos artigos sobre a efervescência literária beat por estes dias e até fiquei com vontade de relê-los.

Punksauro Nei disse...

A 1a. edicao eh de 84.

rnt disse...

eita, nuncali. bjos-me-apresenta, hahaha