Nas margens do Danubio

Não lembro onde eu li uma critica sobre a escola de atores para telenovelas da emissora carioca onde todos parecem apresentar uma atuação “naturalista”. Ninguém interpreta nada. Como a novela deve representar uma fantasia da realidade, a realidade deve ser bem feita, natural.
Olha como ele toma sopa tão bem. Olha como ela fica bem de “traída-e-submissa-que-vai-dar-a-volta-por-cima”. Olha como ele é engraçado, parece o tio de Mato Grosso.
Mas em cinema não é assim. No cinema a interpretação deve ser num tom em que nada deve ser excessivo e nada deve ser desperdiçado. O tom efêmero e calculado da interpretação teatral tampouco serve para a lente da telona. No teatro, todos os dias de um personagem grudado na pele e na alma são diferentes, mesmo por anos sob o mesmo texto e luzes. No set de filmagem, em meses, tudo está acabado – mas é para sempre.
Alguns consagrados nomes globais acham que a técnica de cinema é muito próxima de uma minissérie. Nananinanão. Mesmo em minisséries, alguns apertam o piloto automático e carregam o fardo ate o fim.
Na novela, atua-se para a câmera. No teatro, para o personagem e para a platéia. No cinema, para o filme. Acho que é assim que funciona.
O problema da televisão é o excesso de close. A resposta emotiva rápida está na cara, na lagrima explicita. O ator de telenovelas esquece do resto do corpo.
No filme BUDAPESTE há esse contraste. Eu gosto do Leonardo Medeiros, ele é cinema pracaray, um ator maravilhoso. A atriz Giovanna Antonelli, linda, deliciosa, brasileiríssima, é atriz de televisão. Pronto, o filme fica por ai e cresce quando passa a ser narrado em Budapeste, por sua fotografia e pela excelente e linda atriz Gabriella Hamori.
Outra coisa que irrita é que em todo filme brasileiro alguém tem que pagar um peitinho desnecessario para a dramaturgia. Nesse filme tem dez pares. Só as velhas húngaras é que não se prontificaram.
O livro é muito, mas muito melhor. E não é apenas o clichê de que a obra literária é sempre superior à cinematográfica. Tem boa intenção, mas esse filme peca. Vale para fãs do ator Leonardo Medeiros, como eu. Vale pela curiosidade de ler Chico Buarque na telona.

4 comentários:

Erika disse...

Curiosidade total. Não li Budapeste, nem vi o filme. Li apenas o Leite Derramado e gostei, mas ainda não tenho parâmetros suficientes para falar do Chico escritor. Bem, depois desse post, irei primeiro atrás do livro. Vou deixar o filme pra sei-lá-quando.

LuMa disse...

Monamí, cadê você? Alô? Alô? Entendí, pausa para o chá...

SÃO PAULO URGENTE disse...

O Cara isto é Standslavski Mano!!!

Barbara disse...

Achei o filme um horror. Me fez pensar se o livro tb não era!