Chefinho sangue bom


Uma vez eu comentei aqui que o assovio é ofensivo e mal educado para os japoneses. Eu vivo assoviando, fodam-se eles. Gosto de reproduzir os metais da canção “Do Leme ao Pontal”, do Tim Maia. Tem também o “Descobridor dos Sete Mares” que pode fazer um suicida mudar de idéia já nos primeiros acordes. Beatles e Caetano grudam na memória sonora como gordura da palma da mão em mesa de vidro.

Hoje eu estava assoviando “Take Five”, do Dave Brubeck Quartet.
Quando eu fui saído da Apollo Piano, a minha chefa era pianista, mas dessas que estudaram piano porque as quartas-feiras estavam livres e precisava escolher entre nado sincronizado ou piano. Daquelas que gostam de Chopin porque todo mundo gosta. É igual rosa, todo mundo acha que gosta.
Voltei e já tinham saído com ela.

Como eu dizia, hoje o “Take Five” grudou na minha cachola.
Na hora do almoço o chefe atual me perguntou se eu gostava de Brubeck. Ops, respondi, mais particularmente desse disco (acima) pelo fato dele ter sido gravado na mesma igrejinha onde gravaram o “Kind of Blue”, do Miles Davis. Alem, claro, de ser um pusta disco. Oh, ele disse, você gosta de jazz! Colou num piano Yamaha que botamos de pé ontem e começou a fazer a intro de “Take Five” explicando que prefere Bud Powell e Oscar Peterson.

O fato é que até hoje, só estávamos nos cumprimentando formalmente e claro, falando de serviço. Para quem conhece chefes japas, isso é uma grande barreira a ser derrubada, o primeiro papo informal e logo de cara, Brubeck. Miles e cia.

Amanha assovio Egberto e ele me vem com Jobim. Massa.

10 comentários:

LuMa disse...

O japonês surpreende sempre. O indivíduo se divide em dois num único corpo: aquele dentro do trabalho e fora dele, um barato, né. Megaprivilégio o seu trabalho, Nei!

PS: Brigadinha pelo OK. Hoje de manhã já ví vc e sua amada lá com os amigos :)

Mauro Paes Carvalhal disse...

PÔ Mano você tem que se atualizar, Take Five...Muito legal na epoca, hoje nem pra fundo musical de propaganda...Tem muita gente nova muito loca fazendo um som Ótimo...Faz quanto tempo o Miles morreu? Ah tudo bem ele é imortal...Sei mas tem muita coisa rolando, se não fica que nem os nossos velhos...ANTGAMENTE QUE ERA BOM...Para um cara que escreve bem e me parece arrojado toda esta velharia saudosista me parece estranho ta na hora de vencer preconceitos e experimentar o novo...Não Acha?

Punksauro Nei disse...

Sorry Mauro, mas essa eh so a sua opiniao. Take Five pra mim eh so um tema e muito lindo, por sinal.
Na verdade, Brubeck ou Miles foram apenas mote para o japones.

O lance eh o japones. Se eu tivesse assoviado Spektor ou Beyonce, talvez o resultado fosse diferente e eu nada teria escrito e voce nao teria achado isso tudo uma velharia.

Ou talvez o resultado fosse o mesmo.

Obrigado pelo arrojado, mas nem tanto e nem tento. Sou so um ouvinte fiel e apaixonado por jazz dos anos 50 e 60.

Valeu! Volte sempre!

Mauro disse...

John Pizzarelli, Madeleine Peyroux, Marlon Jordan Quintet, Jamie Cullum,Peter Cincotti, Norah Jones, Stanton Warriors, Yousef , Art Van Damme Quintet. No Brasil Carlinhos Antunes e Orquestra Mundana, Wilson Sukorski. E do Mundo, Baba Zula, Aynur Dogan, Hanza El Din, Sheila Shandra, Indira Naik, Natacha Atlas...E eu também filmes com “Crossing the Bridge” para citar somente alguns exemplos. Veja que isto não é Spektor ou Beyonce. Eu não sou um otário em música, ouço muita coisa, sou músico...Leio suas belas crônicas no São Paulo Urgente de vez quando, sei que você é um cara sacador do mundo do espírito humano. Já morei fora em pequenas cidades e sei que às vezes a gente fica ilhado do mundo. A não ser que a gente pesquise, busque. A tendência é ficar ancorado na velharia pois não temos oportunidade de ver (Ouvir nada de Novo). Não que eu não ouça Miles ou que não admire o Dave Warren Brubeck. Gosto mais inclusive da fase pós anos 50, de Eugene Wrigth e Joe Morello. Escuto, me inspira é bom. O problema é ficar ancorado nisto tudo, e nada no mundo mais presta a não ser aquilo que a gente guardou na memória como bom, como legal. Isto é “Spektor ou Beyonce”? O mundo musical esta aí crescendo, andando, tomando rumos com novos sabores. É só experimentar...

Punksauro Nei disse...

Ta bom, desculpa ai.

Soares disse...

Rsss!
Patrulha ideologica no blog do Nei!

Anônimo disse...

Eu não estou patrulhando ninguém conheço o termo... Sempre que alguém quer manter seu eguinho frágil e seguro que não tem humildade suficiente para ouvir outras pessoas, arejar-se usam este termo para justificar e se defender, então me desculpem morram ai cheirando a nafta...Desculpem sinceramente eu prefiro ser humilde e aprender não sou Sr. De nada. Desculpem Srs....

Mauro disse...

Eu não estou patrulhando ninguém conheço o termo... Sempre que alguém quer manter seu eguinho frágil e seguro que não tem humildade suficiente para ouvir outras pessoas, arejar-se usam este termo para justificar e se defender, então me desculpem morram ai cheirando a nafta...Desculpem sinceramente eu prefiro ser humilde e aprender não sou Sr. De nada. Desculpem Srs....

SÃO PAULO URGENTE disse...

Mas se não fosse o Miles O Dave estes aí não existiriam não é Mauro, os caras fizeram escola!

TARCIO VIU ASSIM disse...

Eu tenho esse LP do Brubeck. Comprei faz um tempão numa liquidação de loja de música (havia isso um tempo atrás)em Recife. Comprei por causa da capa, lógico, eu consumo com os olhos, sou artista. Nunca tinha ouvido falar de Brubeck. Mas depois que tocou na vitrola, cara, nunca mais deixou de rodar em casa.