Outono, Cinema e Comunas

Pés descalços, gelados, pulando da cama para uma corridinha ate o banheiro. O outono finalmente da as caras com cara de outono e não de aquecimento global.

Ontem comprei uma claquete de cinema numa loja de 100 yenes (o equivalente a 1.99 no Brasil). Tem o tamanho de um cd.
Aos poucos vou erguendo meu império cinematográfico.

No tempo do Homem Aranha (O Um), fui no parque temático da Universal Studio, em Osaka. Entre zilhões de traquitanas, encontrei uma claquete e a trouxe. Sumiu no armário das traquitanas que foram feitas para sumirem.

No armário das traquitanas tem um acordeom meia-boca (mas novo, na verdade, um oito-baixos, como dizem) que comprei na fase que eu queria ser o Piazzolla.

Minha única performance foi quando minha sobrinha veio em casa e ela começou a brincar com as cordas do violão. Achei que havia baixado um espírito musical na menina. Tios acham tudo e sempre tudo errado. Catei o oito-baixos e me montei dentro dele. Na hora que abri o fole e dei um Dó para tocar “Parabéns a Você”, ela abriu o berreiro.

O legal do acordeom é que ele é um instrumento musical feito para ser vestido.

Sábado à tarde vou até ali na beira do Rio Tenryu bater uma bola com meus amigos vietnamitas (Khan e Kim Ahn) e outros vietnamitas. Só sei falar três palavras em tien-viet: Xingar a mãe, chamar de viado e mandar o cara sair fora. Prum futebolzim, é o suficiente, de resto, me viro em inglês e japonês com os caras.

Realmente, uma das coisas mais humanas, de Itaquera a Hanói, de Nova York a Galapagos, é xingar a mãe do outro.

Mesmo tendo a política comunista do partido único, há uma relativa liberdade religiosa no Vietnam. A maioria deles tem uma origem budista. A esposa do Kim, porem, é católica romana. Outro dia ele me recitou um Pai Nosso. Ele carrega uma Nossa Senhora de prata que ela deu para a estadia dele no Japão.
Tudo bem, ele disse. Mas prefere ser comunista-capitalista no estilo chinês, mesmo não acreditando nem em Karl Marx, só em trabalho e grana no bolso.

3 comentários:

LuMa disse...

Ah Nei, mesmo uma corridinha gelada até o banheiro, vc tem aquela tampa-high tec-quentinha que não tenho te esperando, o que mais cê quer?

Hoje é sábado, e depois deste post, vou até rodar o Piazzolla tbém. Não sou nadinha entendedora de música, mas gosto de música gitana. Digamos, franco-gitana, de Stephane Grappelli e Django. Boto qdo tô de alto astral. Gosta?

Boa peladinha no Tenryu

SÃO PAULO URGENTE disse...

Comunas cristãos, Cristo com a foice e o martelo Ah... Orna...

Punksauro Nei disse...

Nao tenho dessa tampa em casa nao. Ja tive. A sensacao eh de bunda-frita.

Um horror filme Z.