Antes e Depois

Domingo é dia de por relógio de pulseira prateada no pulso,
Dia de São Firmino e céu claro.
Mas isso é antes.

Depois a gente toma leite junto da porta, sentados na escada,
E depois corre pela praça pensando em algodão doce,
Depois vamos matar saúva na ponta do dedo,
Depois a gente alcança o céu com os braços bem longe do corpo,
Depois voltamos a correr pela praça,
E depois deitamos na grama onde só se pode deitar
E é proibido pisar,
Depois a gente muda a lei pra todo mundo ser anarquista feliz,
Depois eu sonho contigo e você me canta uma bossinha,
Depois nos despedimos para o outro domingo que é de festa pagã,
Bem risonha, cheia de vinho e beijo na boca.

Filmes da semana

Lost in Translation (2003, Sophia Copolla) - Segunda reassistida depois de anos. Maravilha.

Bruno (2009, Sacha Baron Cohen) - Estréia aqui na sala. Massa. Massa cinzenta. Massa pink. Massificação.

O Taxidermista (2006, filme hungaro) - Outra estréia. Bizarro e cuidadosamente podre.

Magnolia (1999, aquele) - Outra reprise para manter a fe em cinemão.

As Horas (2002) - Mais uma reprise, com Ed Harris, Julianne Moore, Meryl Streep e Nicole Kidman (fazendo Virginia Woolf), elencaço, filmaço!

Japoneses vão às urnas para eleger nova Câmara dos Deputados

da France Presse, em Tóquio
O primeiro ministro japones Taro Aso (esq.) e o lider de oposição, Yukio Hatoyama, ambos em campanha.

Os japoneses votam neste domingo (30) a favor ou contra a mudança da sociedade prometida a eles pela oposição centrista, depois de meio século de domínio dos conservadores na segunda economia mundial. Se forem levadas em conta as pesquisas, a resposta deverá ser um sim franco e maciço.

O centrista Partido Democrata do Japão (PDJ) poderá obter vitória esmagadora sobre o Partido Liberal Democrata (PLD), direita, conquistando 300 das 480 cadeiras da Câmara de Deputados. A elevada intenção de voto concedida aos centristas --o dobro da dos conservadores-- simboliza a preocupação de grande parte dos japoneses com a desigualdade social e seu desejo de mudar um modelo de sociedade, esculpido por 40 anos de conservadorismo, que já não os convence.
Artífice do "milagre econômico" que fez do Japão a segunda potência econômica mundial, o PLD pode manter-se no poder desde 1955, com breve interrupção de dez meses nos anos 90, apoiando-se na grande indústria e na todo-poderosa burocracia de Estado. Agora, o partido está pagando as consequências das reformas liberalizantes do ex-primeiro-ministro Junichiro Koizumi (2001-2006), que agravaram as desigualdades e o desemprego.

Consciente do descontentamento crescente da população, o PDJ centralizou toda sua campanha em torno ao lema "uma política a serviço da vida das pessoas", e promete confusamente a concessão de subsídios familiares, gratuidade parcial do ensino, auxílio-desemprego, pensões por velhice, incluindo a abolição da cobrança de pedágios em autoestradas. Um programa generoso que, segundo o partido, poderá ser financiado se o país acabar com o desperdício.
"Trabalhamos para que no futuro as pessoas se lembrem deste dia e digam: a partir de agora, a história do Japão mudou", declarou o presidente do PDJ, Yukio Hatoyama, 62, em comício em Osaka, no oeste do país. Em caso de vitória, Hatoyama, rico herdeiro de uma longa dinastia de políticos com frequencia comparada aos Kennedy, será eleito primeiro-ministro pelo novo Parlamento provavelmente em meados de setembro.

Seu adversário, o premiê Taro Aso, 68, um nacionalista endinheirado e sem complexos, destaca na campanha sua experiência de poder e seu sentido de responsabilidade, ante um partido de centro que nunca governou. "Alguns de vocês inquietos questionam se é prudente deixá-los governar", declarou Aso em discurso em Tochigui, no norte de Tóquio.
"Estamos definitivamente seguros de que as políticas econômicas e os planos de reativação estiveram bem adaptados e que funcionarão", acrescentou, em referência à volta do crescimento depois de quatro trimestres consecutivos de recessão. Mas o desemprego não cessa de aumentar e as últimas estatísticas do mês de julho citam uma taxa de 5,7%, considerada histórica no país.
Nesse clima de depressão, os japoneses, que têm fama de pouco interessados em política, poderiam ir domingo em massa às urnas, estabelecendo um novo recorde de participação, depois dos 67,5% registrados nas últimas eleições de 2005.
(Deu na Folha)

Paulada

O bruto vem. E vem.

Oh, tudo sob o sol, inclemente sol!

Falta o Bolo
É do décimo terceiro sexo, o menos frágil de todos, porem o mais bobo, insatisfeito, acabrunhado, insolúvel. Entre essas pessoas e os outros doze gêneros há aquela tensão flutuante prestes a cair nas cabeças dos envolvidos.
Hoje no hall quase ninguém se toca, e para alguns, nunca sem pagamento antecipado.
As mesas estão em circulo e isso não me explicaram porque.


Dor de Cabeça de Tinto Barato
Chegamos na praia e ainda era noitinha. Faltava aquele céu lilás aqui na cabeça e alaranjado ali no horizonte. Sem isso ele não nos daria razão.
Ninguém teoriza um amanhecer.

Medo

Medo de ficar com cheiro de fritura depois de fazer tempurá de pimentão.
Medo de ladeira, ponto morto, o carro ir pra trás e dar uma bundada no cara do retrovisor.
Medo de pegar ônibus errado com dinheiro contado.
Medo de gente de outro país, outra cor, outra religião.
Medo de gente com barba e turbante.
Medo de aventura, de fogos e concursos públicos,
Medo de fazer amor, de DST, de não fazer amor,

Medo, medo medo. Só medo.

Medo de altura, beirada de ponte e terraço de cobertura.
Medo de vir tudo errado após reiterar o pedido no menu ao garçom.
Medo de acreditar em partidos de esquerda, centro esquerda, centro direita e de direita.
Medo de ganhar a direita da direita.
Medo de camarão vencido.
Medo de gritarem teu nome na rua.
Gritarem de novo.
E de novo.

Ou nunca mais nada.

Escultura da Mafalda de Quino

No dia 30 de agosto, domingo próximo, será a inauguração da escultura da Mafalda em Buenos Aires. Deu na Folha Online.

Eu, eu mesmo, o burro

Fui lá, tinha que ir. Não gosto de repartições publicas, situações cartoriais, burocracias, guichês, explicações infindáveis de coisas que se repetirão, nunca vou entender e fica por isso mesmo, meu chapa.
Eu estava lá esperando com o papelzinho na mão, numero 123, um bom numero, sempre presto atenção nesses papeizinhos, pode haver uma dica para a loteria, pode ser um aviso místico, sei lá, nesses parcos minutos de tédio quase virando um coma induzido, qualquer pensamento cabe, ate mesmo o numero do papelzinho.
Chamaram o 123. Fui lá com a minha papelada na mão para facilitar a tudo e todos. Ao meu lado, uma mulher brasileira com o filho agarrado em suas pernas olhava atônita a cara do japonês explicando qualquer coisa. Ela não estava entendendo nada de nada. Eu já tinha resolvido tudo. Botei as coisas na pasta e fui caminhando para a saída. Ela disse “O”. Olhei. “Você é brasileiro? Me ajuda aqui”. Nem tive tempo de responder se era. Nem mesmo um “por favor” foi dito. Acho que o que me denunciou foi a camiseta do Sepultura.

Parei, o japonês explicou que o tradutor estava em horário de almoço, por isso não estava por ali. Eu disse a ela. Ela ficou aliviada, tinha pensado que era para voltar depois do almoço.
Eu perguntei qual era a questão, era algo relacionado ao auxilio-leite que a prefeitura de Hamamatsu fornece para a criança recém nascida contanto que as vacinas estejam em dia e outras obrigações, há algumas regras para serem cumpridas. O japonês explicou que ela não tinha cumprido algumas e por isso a ajuda havia sido cancelada, mas que a ajuda voltaria caso ela retornasse com a caderneta de vacinas carimbadas pelo medico. Expliquei. Ela disse que isso estava entendido, a questão era que ela queria o retroativo. Ele disse que isso era impossível.
Ela retrucou. Pediu que eu traduzisse de novo. Traduzi. Ele disse ser impossível, de novo. Eu repeti novamente a ela, dessa vez, pausadamente.

Acreditem, ela me chamou de burro. Eu.

Deu vontade de dizer que burro era o mau hálito dela.
Não, virei as costas, disse "olha, eu tenho um compromisso" e sai andando. Ela ainda falou uns tres "O".

- Burro é o teu marido que ainda faz filho em você, dona - respondi ligando o carro, mas era tarde demais.

Felicidade, sim

Deprimido. Down. Baixo astral. Depressão. As pessoas gostam dessas palavras. Parece que é fácil identificar alguém assim. Parece que tudo se resume em estar assim ou não estar assim. As formulas mágicas aparecem em todos lugares na forma de exercícios físicos, alimentos ricos em proteínas tais e carboidratos outros, em colunas de psicanalistas em revistas de todos os gêneros, cartas dos leitores, terapias baseadas em misticismos tão antigos e remotos que não existem mais – ou nunca existiram.
Eu acho que todo mundo está triste. Com a tecnologia se apropriando de tudo e todos, sobram poucos espaços humanos, simiescos, mamíferos, viscerais.
Não estou querendo um retorno aos dias de índio ou a cabaninha de Tarzan, mas a angustia que carregamos no nosso progresso interno, externo e social, junto com a família, o bairro, o mundo, a civilização, é inevitável.
Mas as pessoas gostam dessas palavras que dão cores insípidas a alma.
O melhor mesmo é ir dar uma corridinha. Falaram na revista.

Fotos que eu gosto de bater

Por do sol em frente ao estudio de ensaio da banda Gallows Pole, no bairro de Nakazawa cho, em Hamamatsu.


Atras de nos, no mesmo instante, a leste, um arco-iris em cima do estudio.

Maquina dois de ii desu ka?*

* Vai querer que use maquina dois?

Uma das vantagens de morar em Hamamatsu ou em qualquer outra cidade com um grande numero de brasileiros é o fato de alguns comerciantes locais perceberem o nosso poder de consumo e nos receberem de maneira igual ao cliente japonês. Isso esta acontecendo com lojas de carros, roupas, restaurantes, shopping centers e grandes magazines.

Há muitos anos houve um caso de uma brasileira entrar numa pequena joalheria no centro da cidade e ser expulsa por ser brasileira. Infelizmente, para o dono, a moça era jornalista, botou a boca no trombone, comprou a briga na justiça e venceu. Hoje em dia, muitos brasileiros passam pela loja e não entram.
O prejuízo não é meu.

Essa barbearia da foto é popular e no padrão fast cut, como um lava rápido: você se senta, vem um e corta, um outro da o acabamento, um terceiro apara as arestas na nuca e se for o caso, faz a barba. Pronto, vai no caixa, paga e tchau.
Eles sempre perguntam para brasileiros se queremos usar a maquina #2 porque no final das contas, é mais facil e rapido e fica aquele corte meio milico-social. Quase todo mundo usa assim, é pratico para lavar e manter.

Antes eu cortava ai, é pertinho de casa. Mas descobri o Seu Jorge que cobra 100 ienes a menos, faz a mesma coisa e ainda tem um papo bom, numa barbearia própria, perto do centro.

Los day by day

ZEN

Eu amo musica, mas as pessoas precisam entender que sou movido pelo silencio, pelo barulhinho interior.
Em varias ocasiões, há uma balburdia interna tão grande que é superior a qualquer gritaria ou uma barulheira feito um ensaio de escola de samba. É aquele sopro de falsa modéstia que aspiramos quando dizemos que estamos ilhados na multidão.
Mentira, nunca estamos. Estamos na verdade nos afogando numa muvuca desnecessária e irracional. Cabeças, corpos, ruídos toda essa gente querendo alguma coisa que vai à contramão dos meus cinco sentidos. Sim, claro, sou um chato de galocha.

Eu amo musica, toda a pausa que há nas entrelinhas das notas de uma bossa carioca do baiano João. A respiração invisível de Robert Plant. O olhar atento dos violinistas no ataque final no Quarto Movimento da Nona de Van Beet.
Van Beet é uma bobagem feita para ilustrar essa intimidade inexistente que criei com Ludwig.

Mas, sobretudo, amo silêncios abissais, oceânicos, solitários. A quietude da primeira luz da manha de domingo é uma grande e maravilhosa verdade da vida que se pudesse, eu daria palestras e seminários sobre o assunto – sem falar nada.

GIBSON LES PAUL

Este velhinho na foto morreu ontem aos 94 anos. É o pai da guitarra elétrica. Seu nome é Les Paul e a Gibson o imortalizou com a Les Paul Custom, na primeira foto.

Apesar de usar uma Fender Stratocaster nas gravações de algumas faixas do primeiro álbum do Led Zeppelin, o guitarrista Jimmy Page sempre preferiu as Gibson Les Paul e as usa até hoje.
Clássicos como Stairway To Heaven, Whole Lotta Love e Black Dog foram gravadas e executadas com as Les Paul.

Angus Young do AC/DC e Slash, do Guns N’ Roses também são fiéis ao instrumento.

A Les Paul é mais estridente que a Fender, grita mais quando combinada com os cabeçotes Marshall.

Hey Ho Let’s Go!

TERREMOTO! DISHIN!

Um terremoto teve como epicentro a Baia de Suruga, aqui pertinho - alias, praias otimas em Shimoda, na peninsula de Izu.
Magnitude de 6.6.

Foi as 5 da manha, acordamos assustados, durou uns 4 ou 5 segundos.

Agora fica dando tremidinhas, espasmos, contracoes, isso vai durar uns dois dias, depois passa.
E' impressionante o nosso poder de esquecimento quanto aos terremotos. Na hora, me acontece um panico de 2 segundos e logo em seguida uma lividez Liv Ullmann, calmaria em cara de panico, saca? O bagulho passa, a natureza volta aos seus afazeres, vou ao banheiro e lavo minhas maos.

Vai dar tsunami, nada grave, mas e' melhor ficar atento.

Liguei la no Gilson que mora bem na orla de Enshu Hama e esta tudo bem, mas atento as ondas. Disse que o canario comecou a cantar segundos antes do acontecido. Na hora pensei na minha Tata, a tartaruga, que nao canta. Se canta, e' bossa nova ou Chet Baker, nao ia dar pra ouvi-la em panico.
Ah, aqui em casa tudo bem, Nanci, eu e a Tata.

PALESTRANTE EMOCIONADA

Ontem fui a uma palestra sobre a crise financeira mundial e os efeitos no cotidiano dos estrangeiros em Hamamatsu. O palestrante é uma pessoa ligada ao órgão oficial que repassa o seguro-desemprego.

Furtivas e eventuais - boas! - traduções feitas por um brasileiro de uma ONG, facilitaram nosso entendimento com palavras mais técnicas, coisas em sociologiquês e economês.
As palavras finais foram da presidente dessa ONG e foram palavras de incentivo aos estrangeiros ali presentes.
Ela ficou verdadeiramente emocionada porque a ONG trabalha diretamente com intercambio e culturalização dos estrangeiros em Hamamatsu.
Os olhos dela brilharam no lacrimejar de quase choro. E então ouço duas brasileiras atrás de mim:

A - Olha, ela esta quase chorando!
B - É uma técnica.
A - Como assim?
B - Eles estudam um curso pra se emocionar em publico.
A – Serio?
B – Meu pastor estudou! – convicta e segura.

De cá pra lá, balangando

1.
Ontem fechei o domingo ouvindo Dorival Caymmi, já madrugadinha - uma musiquinha de nada - como eu acho que ele diria sorrindo de leste a oeste naquela cara maravilhosa. Quem não tem balangandã não vai ao Bonfim, ele diz.
O must da coisa foi saber que balangandã é o mesmo que berenguendem.

O presidente da União Européia, o tcheco Vlacav Keys, pediu o fim da pena de morte no Japão. No ultimo dia 28 de julho, três condenados foram enforcados, todos entre 25 e 41 anos, condenados por duplo e triplo homicídio.
A lei japonesa da o direito ao ministério da justiça de executar sem aviso prévio, o que foi o caso. A maioria das pessoas no mundo são a favor da pena de morte e contra o aborto.
É só uma constatação.

Assisti Dvds da Betty Boop e Gato Felix, ambos dos anos 30, coloridos, daqueles que passavam em cinema, aos pingos, semanalmente. Produtos encontrados em lojas de 100 yen, o equivalente ao 1,99 do Brasil. Massa mesmo é a trilha sonora, as big bands por tras das onomatopéias.
No extinto Cine Republica havia uma sessão aos domingos só com Tom & Jerry da fase Chuck Jones. Acho que foram as minhas primeiras gargalhadas no coletivo.

2.
Com a crise financeira mundial afetando todo o mundo e, fatalmente, os brasileiros que vivem no Japão, alguns resolveram voltar ao Brasil e outros estão preparando as malas.
Outro dia estava visitando um amigo que trabalha numa empresa prestadora de serviços aos brasileiros e ele narrou o que tinha acontecido no balcão da empresa minutos antes da minha chegada:
“Veio o pai, a mãe e quatro filhos, três em idade escolar e um no colo. O pai veio ver as seis passagens para o Brasil. Claro, ficou um absurdo de caro. Mas ele disse que estava faltando mandar as copias dos seis passaportes para o Ministério do Bem Estar Social japonês, para eles liberarem o dinheiro das passagens. O cara perguntou se eu não podia fazer as copias, pois ele não tinha 240 yen (quase 5 reais) para pagar as copias no 7 Eleven”.

O governo japonês criou esse plano de ajuda aos trabalhadores brasileiros e peruanos, dando o equivalente a quase 6 mil reais por pessoa da família para ajuda de custo da passagem e uma pequena quantia para reiniciar a vida no seus respectivos paises. Poucos estão usando deste artifício para voltar para casa porque ao usar desse plano de ajuda, a pessoa perde o visto de trabalho, tendo que readquiri-lo no consulado japonês no Brasil ou Peru, o que já não era fácil antes da crise, imagine agora.

Os que estão indo embora, vão por conta própria e assim não perdem o visto de trabalho e, de certa forma, o vinculo com uma possibilidade de reinicio de vida no Japão depois da onda de desemprego passar. Mas estão deixando rastros.
Muitos carros zeros que foram comprados e financiados por brasileiros, foram abandonados nos estacionamentos dos aeroportos, todos com a chave na ignição por causa do desemprego. Carros usados, velhos, seminovos também.
Alguns apartamentos abandonados com toda a mobília e a chave na porta.

Ao lado do meu prédio há um estacionamento usado pelas famílias que possuem mais de um carro. Há um carro com uma estampa em verde e amarelo escrita “BRASIL” na traseira e há meses que ele não sai do lugar.
Hoje um japonês me interpelou, sabendo que eu sou brasileiro, muito polidamente, se eu conhecia o dono do veiculo. Eu disse, também mui polidamente, não, me desculpe.

É claro que eu sei de quem é o carro, sempre nos cumprimentamos informalmente. E sei que o cara sumiu da vizinhança. E também é evidente que o japonês sabe que eu sei. Mas nas invisíveis e mudas regras de vizinhança japonesa, imperam os famosos três macaquinhos que não enxergam, não ouvem e não falam.

Ate vir um cara, estrangeiro ou não, e não pagar o aluguel da vaga.