Dias meses anos século 20 - em 2010



Eu no colo de Sadaharu Ueda, meu avô - Vila Carrão, setembro de 1965













Nessa época do ano nos voltamos para o futuro na certeza de que a paisagem será melhor. O caminho é o mesmo, inevitável e soberbo em surpresas e realizações, mas temos, sempre, esperança nessa sensação temporal que nunca chega, mas sempre está por vir.

Por tal possibilidade, nos esquecemos de olhar para os próprios pés e ver se sabemos lidar com todo o pó que carregamos. Tudo que somos e fomos para nós - olhando-se no espelho, no reflexo da lagoa de Narciso ou deixando-se refletir sob o manto e julgo de outros - está nas sandálias que sempre temos para o caminho. As sandálias são os verdadeiros e únicos instrumentos que temos para que a nossa tímida nudez e fragilidade não caia diante das pedras de Drummond.

Mas hoje lembrei do meu avô. Lembrei por lembrar. Mentira, tava na verdade fuçando numas fotos antigas. Talvez ele nunca tenha lido Drummond ou qualquer coisa sobre a mitologia grega. Ele não era muito disso. Ele teve uma infância e juventude muito próxima da decadência do período dos últimos samurais vivos nas primeiras décadas do século 20, que naqueles anos deviam ser tão velhos quanto ele seria hoje em dia. Ele teria mais de 90, muito perto dos 100.

Sadaharu Ueda nasceu junto com Sadao Ueda em Osaka e eram iguais feito dois ovos. Diz a lenda - e lenda contada por mãe vale por dois - que uma dessas velhas curandeiras de Osaka dissera que os gêmeos nascidos naquele ano, mês e dia não poderiam viver juntos porque trariam azar para si e para toda a família. Foram separados. Um foi viver com uma prima ou tia e outro ficou em casa. Foram criados como únicos, sem nunca saberem de seu reflexo sem espelho.

Anos depois, Sadaharu e Sadao se reencontraram na escola, no primeiro ano letivo. Deve ter sido muito estranho, pois pelo que me lembro, eles eram exatamente o mesmo em dois lugares diferentes. Depois disso, nunca mais se separaram.

Chegaram no Brasil em 1933. O pai deles, Eigoro Ueda, comprou terras no norte do Paraná e por lá viveu até os anos 60 com plantações, loja de móveis, academia de judô e um cinema. Meu avô era fã de Gary Cooper. Sempre me mostrava uma foto dele.
A minha bisa odiou essa terra roxa de feijão salgado, calor insuportável, pretos e brancos fedidos e voltou para o Japão depois da segunda guerra para viver ao lado da filha que havia sido prometida em casamento num desses jogos de famílias. Nunca conheci nenhuma das duas e ambas morreram esquecida por nós.

Não sei se meu bisa, esse senhor Eigoro, queria que seus restos fossem transladados para o Japão ou qualquer coisa assim, mas diz outra lenda que depois dele ter sido enterrado no cemitério de Assaí, nasceu uma árvore em cima do local e que depois essa árvore foi rachada no meio numa tempestade de raios e trovões.
Bisavô Harry Potter? Também não sei se acharam ele no meio das raízes, cinzas e o trouxeram para cá. Parece que sim.

Meu avô e seus irmão saíram do interior do Paraná e foram morar em São Paulo. Meu avô virou motorista de taxi e minha avó, dona de pensão ali perto da 25 de março. Minha vida inteira sempre esteve ligada a esse pedaço da capital.

Meu pai era pensionista e minha mãe a filha mais velha. A paquera parecia inevitável.
De lá para cá, mudei tanto de opinião, amores, vontades, sensações que percebo que só me restaram, de fato, as sandálias e o caminho.
E tento, com todas vaidades e os pés molhados na lagoa de Narciso, carregar para 2011 as sandálias e o olhar apenas para curtir o caminho.

Dingo béu, acabou papel

Quatro graus lá fora.
Todos os quatro possíveis,
solzinho tímido e ainda há sombras pelo caminho.
O que faz ficar essa temperatura de trincar zoreia
é o vento e ele passa rasgando pela janela,
gritando inaudíveis, sussurrando berros.
Hoje é natal dingo béu acabou papel.

Hoje os mendigos da estação de Hamamatsu
ganharam doces das ongs amiguinhas.

O que vale hoje é o sorriso das minhas sobrinhas,
e isso esquenta.
- Pode deixar por aqui, seu Noel.

O Buda e mais isso da cozinha ao porta-malas e tal

O Buda

Sakiamuni, o Buda, disse que o caminho deve ser o do meio. O local na mente e no coração onde deve haver esse encontro, ter a distância perfeita entre o racional e o passional.
O ponto onde a corda não está nem tão frouxa e nem tão tensa.

Sim, mestre Buda, diga isso ao trapezista.

e mais isso da cozinha ao porta-malas

Nunca brigue cortando cebolas por dois motivos claros: você já está chorando e se ouvir uma gracinha por causa disso, você está com uma faca na mão, tudo pode vir a ser.
Se for primário, algumas cestas básicas numa instituição de caridade e tudo bem.
Se for primário com um advogado pré-primário, de 10 a 15 anos sem banho quente, nem tosa.

Nunca brigue trocando pneus. Você está em total desvantagem porque vai se dobrar para dentro do porta-malas duas vezes, a primeira para tirar o estepe e a segunda para pôr de volta o pneu furado. Ainda há uma terceira e possível vez para jogar as traquitanas, ferramentas e acessórios.

A principal desvantagem é que você vai passar a maior parte do tempo agachado entre a chave de roda e os parafusos teimosos de duros de sair e se você estiver gritando, teu grito não terá a potência necessária para ter, digamos, méritos na questão porque toda a tua força vai estar concentrada no parafuso infeliz.

Quanto ao porta-malas, é fácil lembrar de qualquer filme de gangsters e qual a relação que eles têm com porta-malas e adversários.

Ninguém está dizendo que você tenha conhecidos gangsters ou que eles andem no seu carro ou que você os encontre na avenida da padaria ou que você considere a possiblidade de resolver uma pendenga nessa hora. Mas é ridícula a posição que fazemos para tirar um pneu do fundo do porta-malas e mais ridículo ainda é discutir com alguém nessa posição, tirando ou vendo-o tirar.

Para quem está de fora, ridículo mesmo é o cara tentando argumentar algo convincente carregando algo pesado como um pneu furado.

E se você realmente tem amigos gangsters, já sabe, boquinha de siri e muitos tapinhas nas costas.

e tal

Alguns homens esperam anos para conquistar algumas estrelas no quepe para começarem uma briga de cachorros bem grandalhões. Homens desse naipe nunca trocam pneus, nem abrem portas e nem sabem onde fica o bule de café.

Nunca viram uma cebola in natura.

Homens assim nunca brigam porque eles não concebem adversários capazes de escalar seu etéreo pedestal.

Etéreo para quem está de fora, eu, você e tal.

Frio

Quando a gente vive no hemisfério norte aprende que o frio é frio e não apenas um período do ano em que não usamos tanto as bermudas.
Ou aqueles dias maravilhosos com os melhores amigos em Monte Verde.
O frio caminha pelas ruas, pelos fios de alta tensão, pelos andaimes. O frio salta ao lado do suicida e explode tão bravamente quanto o corpo nas linhas do trem. O frio antecede o gole no conhaque.
Sem conhaque, o frio julga os homens pela quantidade de panos que cobrem seus corpos.
As poças d'água amanhecem congeladas, tesas como vidro. Trincam quando pisamos neles. Eu pulo em cima pra me sentir Godzilla.
Raspa-se o limpador de pára-brisas no gelo que envolve o carro, o mecânico, o guarda, a multa, o filme francês dos pinguins. O frio surpreende e não diz bom dia, não saúda a manhã.
Quanto mais frio, mais xingamos as mães dos outros.
Há muitos anos atrás a minha mãe deixou um cobertor com estampas de onça aqui em casa. Leoparda? Tigresa? Gatona? Nunca vou entender os pormenores estéticos dela. Mas pelo menos me aquece como um colo. Virou o cobertor do sofá, de ver os Sopranos, House, Vito Takeshi e sua troupe de amigos, amigas e fanfarrões japa-felinianos num programa de auditório bem boboca. Ver no jornal das nove o weather report dizer da chuva na minha cachola, do calor de São Paulo ou das nevascas pantagruélicas do leste europeu.
Menos de zero em vários lugares do mapa. Menos de zero no coração de muita gente.
Tudo é muito sofisticado e fashion nos objetos e brinquedos para fugir do frio. Caçarola de fondue, bota preta de couro mulher-gato no portão de Gotham City, cachecol Burberry toalha de mesa com provolone derretido escorrendo pelas bordas. Água quente no ombro para espantar tensões e sorrisos de sorvete.
A queda da venda de sorvete não é assim tão abrupta como se imagina. Não se toma tanto quanto nos mormaços de agosto, mas não deixam de tomar. Se por essas e outras os japoneses são loucos, são, evidentemente, originais.
Leitinho morno para chamar cochilo. Cochilo para chamar um livro. Um livro o mais dentro possível das cobertas e do futôn. Meia grossa senão o pé gela e calçar meias pelo prazer indubitável de tê-las nos pés.
Tem gente que gosta de bonés. Eu gosto de meias.
É apenas uma questão de qual hemisfério do corpo vai estar coberto.

Goteira

Tem uma goteira na cozinha, andar de baixo, quase ou mais que 20 passos.

Devo ou não devo?

Ela sobe pelas paredes, pelo ar, atravessa a sala, a porta a escada os degraus e chega aqui isolada de tudo alone absoluta e dona de nada mais que tudo. Ela é tão eleatória e doce! A gota pendura-se na torneira e salta para o infinito estrondo do inox da pia na mortalidade enêmera - ene vezes efêmera - que só gotas notívagas conquistam.

Devo ou não devo?

Os degraus friorentos do pequeno sobrado rangem ao me verem passar. Os degraus de madeira ainda sofrem ao me verem passar. Ainda. Devo.

Fecho a torneira uma volta, duas, três, arrebento o encanamento e me congelo no quintal esperando que o inverno não se esqueça nunca mais de mim.

Nada disso será ou é. Nada disso. Fico aqui ao lado do aquecedor simulando a salvação da minha neurastenia ou da minha total incapacidade de abandonar o conforto.

Devo. E vou. E acabou.

Então tá

Seus bobos.
A magia nunca esteve no mágico.

O Timão não precisa de imperador


No ano do Centenário, não levantamos nem taça pra brindar porque o ano novo ainda não chegou.
Nem chegamos na semi final do Paulista.
Nem campeão brasileiro, nem vice, nem Libertadores. Nem mesmo Taça SP de Júniores.
Perdemos um técnico muito bom, ganhamos um centroavante gordo parasita que já foi o melhor do mundo, contratamos um técnico retranqueiro, perdemos tudo e fomos buscar o Tite quando a vaca já tinha até comprado casa no brejo.
Por falar em bicho, todo mundo é peixe, porco, bambi, burra. A gente é gambá.
Até aí tudo bem. Mesmo. Corintiano sabe que nada é fácil, facilitado. Somos uma folclórica e anárquica legião de gambás centenários insatisfeitos e insuportáveis. Todas as torcidas do Brasil não nos suportam. E olha que o Timão ganha, perde e empata como todo mundo. Só que a gente farreia mais.
Mas seu André Sanchez, idiota, burro, truão, tolo, besta, babaca, a gente não é. Pelo menos a maioria dos Corinthianos que eu conheço não são nada disso.
O atacante Adriano foi considerado o pior jogador do campeonato italiano por três anos consecutivos e você tá fechando negócio? Você realmente quer que ele venha desdenhar do manto alvinegro?
Eu, não.

Goiânia sem Bandeira


A única Bandeira de Goiânia


Hoje uma leitora de Manuel Bandeira me escreveu um email pedindo um poema (À Beira D'Água) através e por causa do blog só com poesias do autor. Deve ser para algum trabalho acadêmico.

Dei uma olhada no índice do livro "Poesias Reunidas - Estrela da Vida Inteira" e não encontrei. Acredito que seja o sono. Amanhã faço tudo isso de novo com mais cuidado.

O que me intrigou é que ela me disse que andou por Goiânia inteira e não achou nem o livro e nem o poema.

Volto a repetir que o Brasil tem mais farmácias que livrarias, bibliotecas e locais para leitura e que isso está virando uma doença que não há droga que cure.

Mandinga Monday - O Retorno de Jedi

http://www.enigmasoftware.com/pt/mysecurityshield-remocao/

Pois bem, em caso de, este é o site do Luke Skywalker que vai salvar a tua pele e teu pc.

Dica da minha prima TT.

Mandinga Monday

Caiu na rede é peixe.
Meu pc pegou um virus chamado Security Shield, um velhaco fdp que se instala no sistema como se fosse um antivirus fake como a eterna juventude de Nicole Kidman.
Não deixa o Paciência abrir. Não me deixa gravar cd, dvd. Nem o Majong.
Pourra, o Paciência não!

Tentei mandinga, água da lua cheia, disco da Clara Nunes. Tentei fóruns, Google, Baixaki e hoje, num momento de luz e sinais de leds, pensei em restaurá-lo. Farei hoje à noite.

Até lá, se alguém com a graça e o poder de destruição de Greyskull tiver a fórmula pra acabar com isso, me informe, me contacte, me telepate.

Por hora,
h2oschima@gmail.com
pode ser o melhor caminho.
Ou deixe uma resposta nos comentários.
Na pior das hipóteses, dê uma gargalhada e top top pra mim.

Pra concluir o monday morning dozinferns, alguém aí tem cafeteira de filtro de papel?
Sim, claro.
Sabe quando o filtro dobra pra dentro e a água gotejante cai pelo lado, depositando uma coisa marrom no bule lá embaixo?
Sabe o café de aeroporto americano? Pois é.

Um clique e está tudo bem

Tenho que dar um telefonema,
tenho que ir ao andar de cima,
tenho que encontrar meu celular.

Tenho fome, sede, medo e
desenhos autografados pelo autor.
Tenho meu amor no travesseiro ao lado,
tenho sangue, planos, tv plasma gigante,
sonhos de creme vencido azedando na geladeira
dos sentimentos mais distantes, quase poliglotas.


Tenho nove linhas escritas e nenhuma solução,
tenho que ouvir canções de amor mais simples,
tenho que parar de associar
bermuda + seriedade + Kid Abelha,
tenho que aprender sobre os vôos anárquicos
sem mapas sem pouso sem nada
além das asas, paisagens
e um bom mp3 player
com bateria infinita.

Centenário com título

É, não deu.

ET bactéria não é ET

Prefiro ETs de cinema que os de literatura, nem Asimov, nem Arthur C. Clarke. ET bom é aquele que já vem inteiro na tela, pronto, animal ou humanóide, pet ou inimigo mortal, invasor ou acidental. Alguns ETs aprendem as emoções humanas como se fosse possível terem sidos ETs a vida toda sem nunca sentir ou conhecê-las.

Não. Pôr do sol também tem em Marte. E se há alguma civilização lá fora com pôr do sol, sexo para prazer e procriação e bicho boboca feito urso panda na sua fauna local, então o romantismo, o senso de humor e Édipo também existem por lá, nas cabecinhas e corações de outras galáxias.

É igual à indiferença da zebra ou do antílope com aquele pôr do sol maravilhoso que sempre filmam em alguma produção naturalista da National Geographic nas estepes. Aquela imagem maravilhosa está lá, mas todo mundo está mais preocupado com a graminha e com o bocejo do leão.

Pôr do sol nas estepes foi feito pras câmeras, não pros gnus.

Um blablablá maravilhoso tomou conta da rede, que é essa desinformação secreta da NASA, das bactérias arsênicas, dos DNAs sob suspeita de não serem obra de deus ou de outra Gaia e da possibilidade da vida em outros planetas ser tão possível quanto no mar Morto.

Mas é por aí. Se as vidas impossíveis são tão possíveis, se uma micro navezinha de uma micro civilização de micro ETs chegasse à Terra e visse o Mar Morto com os olhos de um enorme oceano e não encontrasse vida possivel, nada além de um turista gordo tentando afundar pra se divertir, o que diria? Que não há vida alguma ou vida inteligente aqui?

Diante da possibilidade de vida bacteriana com algum DNA very crazy show numa lua de Saturno, da surpresa de encontrarem O2 rarefeito numa daquelas luas e de tudo isso junto, o que nos resta senão pedir para à Pfizer ou outro laboratório criar um antibiótico urgentemente antes do contato do terceiro grau, troca de diplomas e cartões de visita, royalties e bolas de futebol assinadas.

Tem aquele filme pseudo-documentário com aquela ex-modelo de nome Mila something que me impressionou quando assisti. Mas pensando bem, sou mais o Marvin, o marciano do Pernalonga.

Se entre nós humanos somos tão diferentes, porque os ETs de cinema são todos iguais feito golfinhos ou samambaias? Idem às bactérias, que são coisinhas nojentas boiando numa gosma, todas se mexendo como se estivessem procurando uma pose confortável pra sair na foto do microscópio.

Por isso, é melhor lavar bem a salada e deixar de molho na água com vinagre.

Novelinha ianque




Alguém aí já assistiu o seriado IN TREATMENT, com o Gabriel Byrne de psicanalista? Recomendo.

É uma produção simples, tratado com muito carinho pelos roteiristas, diretores, produtores e principalmente pelos atores.

Desde o primeiro episódio tenho a impressão de estar vendo uma peça de teatro com dois atores, cujos personagens, interpretação e diálogos estão afiados e afinados com toda idéia, não apenas o espetáculo, mas a arte de atuar.

O sonho de todo voyeur é virar mosquinha e pousar na cabeceira do divã, ver de perto as maluquices alheias. Então porque não?

Um dos diretores/produtores é filho de Gabriel Garcia Márquez, Rodrigo Garcia.
Aliás, a cara não nega.

Cenas

Bactérias no arsênico.

Amigos com ar cênico.

Yeah.

Drogas

Já disse mais de uma vez que os caras da indústria farmacêutica deveriam criar uma droga para nos fazer enxergar em preto e branco por um par de horas.

Um filme, o tempo de um filme. Uma festa, um passeio, uma caminhada pela Barão de Itapetininga, um culto protestante com um daqueles pastores que o Borat curte.

Um jantar.

Acho que o mundo ia ficar mais romântico. E isso ia contribuir para a indústria de flores de adorno e carinho. Tulipas.

Sim, um ligeiro contracenso, flores em preto e branco. Mas

não há contra-indicação para doses diárias de romantismo noir.

Daubailó foi feito em preto e branco. O primeiro King Kong também.
E ambos nos contam histórias do amor incondicional à liberdade.

Não, as cores não são uma prisão. Mas o preto e branco é uma opção.

Os Mutantes


Do Paul pode ser que não, mas dos Beatles eu gosto.

Blue

Dias tristes estão por fora,
estão por dentro e abraçam as sombras
feito guarda-chuvas sem sutilezas.

Dias tristes estão nublados
e não se contentam e caem chuvosos
numa tempestade que não convém.

Voadora

Se por acaso você ver uma tartaruga voando,
Não pense que ser Ésquilo o faz imortal
e não meta a cabeça embaixo,
esperando ela lhe atordoar.

Se a tartaruga estiver realmente voando,
pense que é uma pedra com pernas, asas,
uma pedra verde que respira
e sente fome.

Ou isso, ou aquilo:

- As tuas raízes estão tão fincadas
no solo enquanto tartarugas voam
diante de seu confortável domingo,

carro lavando, panela chiando, tv gritando
gerúndios redondos descendo quadrado

ou voar é com as tartarugas
e as suposições são todas cabíveis
e nunca estão só.

- Abre uma gelada e voa
free for fun
com seu jabuti alado.

Bom bom

Açúcar cristal.
Gordura vegetal hidrogenada, farinha de trigo,
Castanha de caju, massa de cacau,
Manteiga de cacau, soro de leite em pó integral,
Farinha de soja, amendoim, leite em pó desnatado,
Óleo de soja, gema de ovos em pó,
Gordura de manteiga desidratada, amido de milho,
Avelãs, estabilizantes, leticina de soja e
poliglicerol polirricinoleato,
Fermento químico, bicarbonato de sódio e aromatizante. Contém glúten.

Creiam-me, isto é um sonho de valsa.

O Haiti é aqui e está por aí

1500 pessoas já morreram de cólera no Haiti. Muitos na fila.

Se fosse um país independente, a comunidade brasileira no Japão teria, proporcionalmente, a medalha de ouro em soropositivos e infectados pelo vírus da AIDS. Seria o país com mais doentes por essa doença.

A Coreia do Norte, que independente de posição política ou situação financeira, é o mesmo país que a Coreia do Sul, bombardeou uma ilhota com 1000 habitantes da Coreia do Sul. É como um tiro no pé. E dizem, eles têm A bomba.

A cidade do Rio de Janeiro está em guerra civil.

Guerra, guerras. Guerra contra a vida, guerra contra a morte.

Acho que o Tiririca estava errado, pior que tá, fica.

Tomara que sim

E então o cabeção maiorial da ONU - que é sul coreano - ligou para o cabeçaço ultra máximo do PC chinês - que é chinês - e disse:

- Olha aqui, se você não der jeito no teu filhote norte coreano, ninguém mais compra traquitana chinesa!

(Mas diga lá, quem resiste a uma camiseta que encolhe até com umidade relativa do ar - por exemplo?)

Comunas do Além Mar


Regimes comunistas são formados por umas bestas quadradas. Nenhum dos países que adotaram tal sistema podem ser considerados bem sucedidos. E isso não quer dizer a Disneylândia a cada esquina para o camarada proletário, mas um pouco de coerência - ainda que capitalista.

Já fui membro de um partido comunista brasileiro, um dos dois históricos PCB ou PC do B, não lembro qual, faz muito tempo.
Juro, não lembro mesmo. Só fui lá uma vez, no dia que preenchi uma ficha de filiação. Depois ficaram mandando panfletos pelo correio, até que desistiram. Eu já tinha desistido deles muito antes.

Ter amigos comunistas é outra coisa e eles não são ou eram bestas quadradas. Os amigos comunistas prezavam por serem despojados na estética. Isso é um modo simpático e educado de dizer que nunca tinham grana e vestiam-se mal.
Todos, inclusive eu, sonhavam com um mundo melhor. Não sei se mais charmoso ou sofisticado, mas melhorado. Nunca consegui concluir essa idéia de um mundo melhor. Acho os Testemunha de Jeová melhores nesse sentido, pelo menos eles sabem o que querem e o que não querem. Querem carro zero na garagem, mas transfusão de sangue, por exemplo, não querem.

O engraçado é que os países comunistas adoram e adotam a rodo e a bala a pena de morte. Meus amigos comunistas brasileiros não concordam com isso. Eu também não.

Naqueles tempos, depois que li "Porcos com Asas", achei que jovens comunistas italianos e jovens comunistas brasileiros tinham pouca coisa em comum. O jovem comunista italiano tinha uma força política e intelectual mais arrojada e consistente. A maioria de nós do socialismo moreno queríamos mudanças, na verdade, queríamos qualquer coisa, menos o presidente Sarney e o ministro Maíson da Nóbrega no poder.

Quando o comunismo era uma coisa juvenil, utópica e defendida entre goles de chope, tudo se completava e íamos dormir tranqüilos. Mas quando uma besta quadrada feito o presidente norte-coreano manda atirar numa ilha sul-coreana depois de admitir que tem mais uma usina nuclear, é de se pensar. Principamente quando é possível avistar o sul da península coreana além mar, de um ponto específico da província japonesa de Yamaguchi. Tudo muito próximo.
Eles já dispararam um míssil que cruzou o céu do Japão e caiu no Oceano Pacífico. Dizem que foi um lançamento de satélite. O presidente norte coreano leva a sério esses assuntos de boa vizinhança, principalmente quando ele é daqueles vizinhos que tem três rottweilers, um muro baixo e fama de cachaceiro.

Minhas Mães e Meu Pai (2010)


O casal gay Nic (Annette Bening) e Jules (Julianne Moore) têm um relacionameno estável até que seus filhos resolvem ligar para o banco de esperma - de onde foram gerados - para saberem do pai biológico. Excelente idéia num filmão onde todo mundo deu um baile de interpretação e profissionalismo.
Dizem que foi um tapa na cara dos liberais californianos que começaram a mostrar sua verdadeira face conservadora nos últimos anos com muitas uniões gays mantendo-se estáveis e duradouras onde os mesmos tais liberais de fachada achavam que seria mero modismo. Também fica claro que certos problemas de relacionamento não são hetero ou homo, são apenas problemas humanos.
O que também é evidente é que o cinema americano precisa do Festival de Sundance e de seus produtores e diretores independentes até que Hollywood os engula. E quase todos são e querem ser engolidos.

O papa defende o uso de camisinha para não contrair aids.












Usou, gostou e pediu bis?

Titia Macca

Tem a titia Jagger, então tem a titia Macca - que é o Paul.
Pois é, o Paul. Ele está no Brasil para encher o Morumbi. E vai lotar. Alguns amigos estão muito felizes porque conseguiram comprar ingressos para vê-lo cantar antigos sucessos, como faz há décadas.
Infelizmente, não gosto do compositor, do roqueiro e da cara dele. Muita gente que me conhece faz tempo não sabia dessa. Nunca me importei em dizer isso.
Cada um dos quatro caras da banda, isoladamente, não são, não foram nada, a banda acabou, eles acabaram. John Lennon, apesar de se casar com mulher feia, foi o que se deu bem, lançou discos aqui, acolá, escreveu "Imagine" para alegria dos supermercados, sumiu, voltou a compor e foi assassinado. Nada mais irônico, trágico. Das canções dos Beatles, gosto dos rocks de John. A minha favorita é "Tomorrow Never Knows", do álbum Revolver.
Dizem que titia Macca compôs grandes canções e foi mentor de grandes discos dos Beatles, como o Sgt. Peppers. Pode ser. Mas tais discos não seriam nada se não fosse a presença dos outros três, tão protagonistas quanto ele. Isoladamente, toda a discografia do The Wings não sobreviveu à sua própria mediocridade e absentismo.
Os caras eram uma espécie de célula que não consegue sobreviver sem todas suas partes completas e as partes não conseguem sobreviver sem a célula. E é isso que faz eles serem especiais e imortais.
Há muitos anos eu me perguntava porque as bandas de rock terminavam. Anos depois descobri que elas terminavam para serem escutadas para sempre, igual ao Paul tocando as mesmas coisas desde que eu tinha Autorama Estrela.

Claro que é implicância. Ele pode ter passado por poucas e boas: viuvez, prisão no Japão por porte de maconha, virar cavaleiro da Rainha, perder o direito sobre suas próprias canções para Michael Jackson, golpe do baú de ex-modelo perneta malandrinha, um monte. Mas não gosto dele não.

Nas entrelinhas microchípicas

Foto tirada pelo Gil de um velho pc que ficou muito velho.

Eu pedi pra ele arrumar, mas não teve jeito.
Aí ele voltou pra casa e escrevi isso.
E aí voltou pro Gil que o desmontou, muitos meses depois.
Antes, porém, teve essa surpresa - que eu nem lembrava.

Selos


Foi a Edna, o Maumau e a primita Rachel que mandaram.
Foi o jeito que achei - achamos - de ter um pedaço dessa grandeza centenária por perto.
Nesse pedacinho de papel cabe toda a emoção sem fim dessa Nação de loucos.
Não é todo dia que se comemora uma história que em que a gente faz questão de fazer parte.

Bater um fio pra Roland* pra reclamar

A Roland* é uma empresa japonesa que faz instrumentos eletrônicos, entre os quais maravilhosos samplers de baterias, percussão, metais, guitarras, vozes, yeah!

Mas falta a paulada do maracatu, assim pronto, no piloto automático. Tem que montar, contar compassos, tempo, essas alquimias.

Mas o maracatu não tem teoria que lhe caiba.
O maracatu está além do fractal. É uma força da natureza retumbando sem dó.

A palavra pernambuco é uma paulada nas idéias, assim no sentido hiper-rítmico de conceber música com suor, mãos batendo e sorrisos.

Que deuses tenham Chico Science por arauto.

Então tá


Mui. Muitas. Muitas pessoas não conhecem música sem percussão. Não.
Mui. Muitas. Muitas pessoas não conhecem música sem percussão. Não.
Mui. Muitas. Muitas pessoas não conhecem música sem percussão. Não.
Mui. Muitas. Muitas pessoas não conhecem música sem percussão. Não.
Mui. Muitas. Muitas pessoas não conhecem música sem percussão. Não.
Mui. Muitas. Muitas pessoas não conhecem música sem percussão. Não.
Mui. Muitas. Muitas pessoas não conhecem música sem percussão. Não.

Happy Hour


Quase todo dia, depois das cinco, a gente se reúne para fazer uma jam. Instrumento não falta, afinal, restauramos pianos. Mas Kambe e eu levamos nossos violões, além de um baixo, acordeon e uma mini bateria. De vez em quando levo minha guitarra. Já deixei um ampli sobressalente por lá pra facilitar.

Ontem estávamos fazendo improvisações bluesy com piano e violão, Takashi e eu. Quando ele começou a solar no piano, iniciei um batuque no violão, imaginei que ia soar algo ao redor de Jorge Benjor, com um meia-cauda Steinway tentando soar honky tonk e os meus dedos cutucando a caixa do violão.
De repente, ele parou de solar e disse com as mãos postas feito "O Grito", de Munch:

- O que é isso? Isso é fantástico! - todo o diálogo em japonês.
- Isso é samba.
- Puxa, nunca ouvi isso ao vivo!

E então, fui numa tecla Lá e fiz "Samba de Uma Nota Só", do Jobim. Ele disse que conhecia Jobim da versão dos jazzistas, mas que não tinha ouvido com o suingue de um dedo brasileiro, numa única nota, assim, ao vivo.
E então, tentou. Tentou de novo. Mais uma vez. Não rolou. Ele não conseguiu tocar um único compasso com uma única nota por causa da divisão rítmica ser absolutamente incompreensível para ele e outros gringos. Expliquei João Gilberto e os 1 minuto e 58 segundos de "Chega de Saudade" e como isso mudou toda a perspectiva da música ocidental. A mim, eu disse, João e um violão estão à frente de uma bateria de escola de samba, como se ele compartimentasse e resumisse tudo naquela singeleza, no absoluto respeito e equilibrio entre som e silêncio.

- Você tem cd de bossa nova?
- Muitos!

Outro dia assisti ao vídeo da canção "Ruta de Colisión", de Fernando Cea Nuñez e percebi o quanto a nossa mão direita conta pontos ao tocarmos violão ou guitarra. O quanto isso é natural para nós, pois ouvimos isso desde crianças.
Houve uma ocasião num bar em Madrid, com o Cea e um amigo americano e ele não acreditou que eu estava batucando samba na mesa. ele disse:

- Nunca imaginei que fosse ver um japonês tocando samba!
- Mas ele não é japonês. Ele é brasileiro.


Mondocani e Bob Dylan

A maioria das pessoas que Mondocani conhece que gostam de Bob Dylan, gostam porque todo mundo gosta. A maioria nunca leu Dylan no original porque não é tão anglo assim para tanto. Nem mesmo Mondocani. Aliás, a maioria de dentro de Mondocani mesmo gosta de Dylan porque todo mundo gosta. A minoria interior de Mondocani que gosta de Neil Young, por exemplo, gosta, proporcionalmente, mais de Neil Young que de Bob Dylan apesar de Mondocani ter ficado muito emocionado e comovido quando o vi cantando Like a Rolling Stone num show perto da casa dele.
A maioria não sabe que Like a Rolling Stone não tem nada a ver com Mick Jagger ou Richards ou Muddy Waters, mas conta a história de uma mulher que era milionária e que agora é mendiga. E que no fundo, a letra é poeticamente fraca. Nem Mondocani sabia até acessar o Google.
A maioria das pessoas, inclusive Mondocani, usa o Google para essas bobagens. E como Mondocani, todos sabem que, afinal, para que serviria o Google se não fosse para tais venais fins?Um dia Mondocani achará um bom e claro motivo para usar o Google. E se Google é como deus, então deverá ser assim para sempre, uma eficiente entidade para fins efêmeros. No dia em que Mondocani fizer isso, ele me conta e eu venho aqui publicar.
As pessoas que rezam pela paz mundial, como os budistas sokagakai, também rezam para comprar carros novos ou bons relógios Patek. Ou passar no vestibular.
Mas como Mondocani, são felizes e perdulários com dinheiro, saúde, amor, perdão, paciência e outras minúcias e picuinhas. E como Mondocani, rezam justamente por essas coisas.
É importante constatar que não são apenas os budistas que rezam por relógios ou perdão ou saúde. Até ateus rezam por isso. O que se sabe é que poucos rezam pela paz mundial ou fazem maratonas oratórias de 24 horas para tal. Para Mondocani é pura balela. É só pra ver quem fica mais tempo ajoelhado em louvor e sacrifício recitando um mantra através da madrugada.
Com a rapidez das informações que agora correm o mundo na velocidade da luz, meio que tudo ao mesmo tempo agora, ninguém soube ou reportou um genuíno êxtase nos moldes de Tereza D'Ávila ou de xamãs tibetanos. Deve ser porque o mundo está muito barulhento ou fedido.
O que importa mesmo é ouvir o talk blues truncado e suingado de Dylan ou as melodias caipiras/canadenses de Neil Young.
Mondocani vai até ali ligar o estéreo.

Canções queridas e esquecidas

As pessoas perdem a esperança como se perdessem guarda-chuvas.

Que temporal, não?

*nada a ver com a Dilma, dear.

O primeiro discurso
















"Valorizar a democracia em toda sua dimensão, desde o direito de opinião e expressão até os direitos essenciais da alimentação, do emprego e da renda, da moradia digna e da paz social".

"Zelarei pela mais ampla e irrestrita liberdade de imprensa".

"Zelarei, enfim, pela nossa Constituição, dever maior da presidência da República".

"Dirijo-me também aos partidos de oposição e aos setores da sociedade que não estiveram conosco nesta caminhada. Estendo minha mão a eles. De minha parte não haverá discriminação, privilégios ou compadrio".

"Recusaremos o gasto efêmero que deixa para as futuras gerações apenas as dívidas e a desesperança".

"Não podemos descansar enquanto houver brasileiros com fome, enquanto houver famílias morando nas ruas, enquanto crianças pobres estiverem abandonadas à própria sorte".

Agora ela é presidente de 100% do Brasil, não mais apenas dos números das estatísticas.
então é hora de ficar de olho.
Zoião grandão, todos nós, brava gente.


Um cara tipo esse

O Pelé fez 70 anos.
A gente roda os sites de notícias, todos tem um cantinho pro Rei: ensaio, slide de fotos, biografia, Xuxa, tri, EUA, blablabla. Na verdade, nenhum interessante.
Legal mesmo é quando um cara tipo esse fala besteira.


Não Brasil



















Me dê só um motivo para votar que te dou meu xis.

Um motivo que sustente um raciocínio lógico e claro.

Não isso da tv, palanque, palácio ou salas fechadas.

Te dou quatro anos para fazer, pensar e tentar me convencer.

Até lá, vocês serão os repolhos de Arrigo Barnabé.

Los day by day

Menos quando dá certo, o que é raro

Não voto na Dilma, tampouco no Serra.
Nem branco, nem nulo. Apenas me ausento.

Não importa quem assuma o poder, esse ou aquela.
O que importa é que farei oposição e vou continuar reclamando.

Fotos que eu gosto de bater


Cadeiras Vermelhas -
Cinema E-Ra, Hamamatsu

A Teta Assustada - 2009


























O Laerte costuma dizer que ele é um procrastinador maldito. Não, eu é que sou.
Demorei quase um ano pra assistir essa obra prima e hoje estou em paz com a minha culpa.

Lado A, lado B

6o. Festival Cinema Brasil

O lado A
Ontem fui assistir o "Palavra (En) cantada", um documentário de Helena Solberg produzido em 2008.
Uma aula de música, poesia e prazer recheado de papos, historinhas e canjas de Lenine, Adriana Calcanhoto, Antonio Cícero, Tom Zé, Chico Buarque e outros ícones da música e da cultura brasileira. Além da seleçao de imagens e documentos. Eu ficaria mais algumas horas sentado assistindo toda aquela maravilha.
Historinhas que vão das canções provençais ao rap da periferia de São Paulo, mostrando que a nossa poesia e a canção estão intrinsicamente ligada uma à outra como se fossem um só produto de criação e prazer onírico e cultural.

O Lado B
É a primeira vez que o festival é apresentado em Hamamatsu.
Triste foi ver a sala vazia. A maioria de curiosos japoneses, poucos brasileiros.
A falta de interesse dos próprios brasileiros pelo cinema ou música brasileira passa pela jocosidade ou preconceito baseado no tempo em que se fez muita pornochanchada nas produtoras do centro de São Paulo. O som é ruim. O que eles náo sabem é que as salas é que tinham o som muito ruim. Alguns alegam que o cinema nacional da "Retomada" passa pelo filtro do ultra-realismo, da violência, favela, pobreza e desencanto com a fantasia. A fantasia, hoje em dia, no mais caro e popular que se produz na maior industria cinematográfica do mundo, é banal e infantilizada, com duendes de anéis, ingênuos povos azuis, jovens vampiros e metálicos heróis voadores que soltam raios pela palma da mão.
O fato é que o público em geral não consegue mais ver um diálogo com mais de trinta segundos sem querer mudar de canal ou trocar de filme ou sair da sala. Incomoda. Há quantos anos não vemos em Hollywood diálogos como Jules e Vincent em "Pulp Fiction" ou o astronauta Dave e o computador Hal em "2001 - Uma Odisséia no Espaço"?
Será cansaço dos roteiristas ou o final de uma era, do cinema de diretor/autor hollywoodiano? Assim explica-se a fuga para a Europa de Woody Allen?
É mais fácil e barato fazer um remake de uma idéia que já é milionária no simples dizer de seu nome do que criar, só criar, sem pensar no processo industrial e nas contas bancárias.
Não acho que o cinema barato seja melhor ou pior. Mas há produções fora do circuito pop-California que nos remetem ao prazer de ver cinema & literatura na tela, assim como música & poesia num disco. Não são, como é martelado na cabeça dos espectadores, monstrengos elitistas feitos para nerds e ratos de biblioteca que gostam de filmes preto-e-branco e papos-cabeça.
Para o público brasileiro que acha que só produzimos ultra-realidade crua e violenta, dou a dica de "A Ostra e o Vento", de Walter Lima Jr., um filme de 1997, com Lima Duarte e Leandra Leal nos papéis principais. É uma poesia de imagens, música, roteiro e fantasia. É um dos filmes mais belos já produzidos e estou falando em termos mundiais.

O Lado C
Outro dia li num desses fóruns na internet que o Diogo Mainardi é "um babaca que só reclama e não cria soluções". Pode ser. Mas ler isso fica mais interessante ao constatar que a pessoa que reclama da pessoa Mainardi também não tem nenhuma solução a apresentar, só a reclamação sobre o cara. Ótimo. Fica um círculo vicioso de nadas discutindo com vazios. E eu no meio representando meu vácuo.
Eu também só reclamo. Não tenho nenhuma solução para a falta de público brasileiro num festival de cinema brasileiro. O interesse das pessoas baseia-se no que está ao redor, no que elas aprenderam a acreditar e gostar, sob a perspicácia e tênue motivação dos cinco sentidos. Isso faz-se interessar, somar numa sala de cinema, como é o caso. Infelizmente, aprendemos que somos um país monoesportivo, polireligioso, sem preconceitos, mas com pretos feios e pobres, brancos ricos, bonitos e valentes. Isso náo se muda com um decreto ou um blog. Mas reclamo para poder manter a idéia acesa mesmo que ela venha desprovida de solução, como querem.
 
 

Bola fora


Ninguém entende a tapada e feinha da Lindsay Lohan, nem ela mesma.

Ela não é viciada em drogas ou bebidas.

Ela é viciada em tribunais e clinicas rehab.

6º. Festival de Cinema Brasil












Entrada do Cinema E-Ra,
em Hamamatsu






Maiores informações, aqui.

Abre o zóio, japones

51% na pesquisa, tia Di? Parabéns.

A nossa gente pindorama gosta desse paternalismo vulgar, não se preocupe.

Cada dedo que encostar no botãozinho da sua foto será mais um dedo na mão do cabresto que arrasta e domina esse país, junto aos sindicatos, estudantes, camponeses, mídia e até mesmo a oposição. Não há mais oposição.

Todos na palma da mão do regime. A mão de milhões de dedos do regime pseudo-getulista do neo-coronelismo de cobertura, elevador exclusivo, smartphone, ecopapos e dólares na cueca.

Não há nada a fazer. Só nos resta assistir essa monstruosa larica de poder que bate no estrombo da tua galerinha ser saciada sem decência, nem ética, nem saudade.

O partido passarinho e seu candidato de oposição também são uma piada.

O Brasil é maior e melhor do que qualquer eleição sem vontade de votar.


33 vezes Carlos Barrios

Quase 11 da noite, não tenho a menor idéia de que horas são no Chile.

Pela BBC Brasil, dez minutos, assisti ao vivo – e vivo – ele sair da cápsula.

Foi emocionante. Deve ter sido assim o pouso na Lua.

Só que eles não pousaram 33 vezes.

E pensando bem, o caminho foi inverso. E do avesso.


Deprimidos podem ter quase o dobro de risco de demência, diz estudo

Cérebro

Estudos anteriores já indicavam relação entre os dois males

Dois novos estudos feitos nos Estados Unidos indicam que pessoas que sofrem de depressão têm mais risco de desenvolver demência, sendo que um deles indicou que deprimidos podem ter quase o dobro da possibilidade de o outro mal surgir.

No entanto, as pesquisas, divulgadas na publicação científica Neurology, concluem que existe uma relação, mas não deixam claro por que ela ocorre e nem se há vínculo de causa e efeito entre as duas condições.

O primeiro estudo acompanhou 1.239 pessoas e procurou estabelecer uma relação entre o número de vezes que cada participante apresentou depressão e os riscos de desenvolvimento de demência.

O trabalho revelou que quanto maior o número de crises de depressão, maiores os riscos de demência.

Pacientes que tiveram duas ou mais crises de depressão apresentaram quase o dobro do risco de desenvolver demência, o estudo concluiu.

Alzheimer

O segundo estudo, liderado por Jane Saczynski, da University de Massachusetts, acompanhou 949 pessoas com idades em torno de 79 anos durante 17 anos.

No início do estudo, os participantes não apresentavam sintomas de demência. Testes revelaram que 125 deles (13%), no entanto, apresentavam sintomas de depressão.

No final, 164 dos participantes haviam desenvolvido demência. Destes, 136 foram diagnosticados como portadores do mal de Alzheimer, uma das mais comuns formas de demência.

Esta não é a primeira vez que cientistas enxergam uma possível relação entre depressão e demência. Em 2008, dois estudos sobre o mal de Alzheimer apresentavam conclusões semelhantes.

CliqueLeia mais na BBC Brasil sobre essas pesquisas

Inflamação

"Se por um lado não está claro se a depressão provoca a demência, a depressão poderia influenciar de várias formas os riscos de que uma pessoa desenvolva a condição", disse Jane Saczynski.

"Uma inflamação de tecidos no cérebro, que ocorre quando uma pessoa está deprimida, poderia contribuir para a demência. Certas proteínas encontradas no cérebro, que aumentam quando há depressão, também poderiam estar envolvidas".

Para Rebecca Wood, diretora da entidade britânica de fomento à pesquisas sobre o Mal de Alzheimer, Alzheimer's Research Trust, “semelhanças entre os sintomas de depressão e demência significam que as duas condições podem às vezes ser confundidas no momento do diagnóstico, mas não sabemos se estão vinculadas biologicamente".

"Esses estudos recentes indicam que pode haver conexões profundas entre demência e depressão, então precisamos ampliar as pesquisas para descobrir mais".

Deu na BBC Brasil


Quatro perguntas privadas para as estatais

O bagulho não se chama pré-sal?

Mas não está depois do sal?

Que ponto de vista é esse?

Do coisa-ruim?

Vão demolir o Treme-Treme

O Treme-Treme é, na verdade, composto de dois edifícios: o São Vito e o Mercúrio. Ambos são feios de doer. Mas a prefeitura alega que haverá beneficiamentos ao demoli-lo.

O que vão fazer no terreno? Uma horta? Uma pista de kart? Uma praça beirando o Rio Tamanduatei? O que cabe ali que causara tal beneficiamento urbano?

Destruir e restaurar são dois verbos, ações. Então, considerando minha índole otimista, é melhor restaurar.

Diante da carência de moradias na capital, porque não?

O que falta ao Treme-Treme não são cortininhas de renda ou papeis de parede floridos, falta atitude, vontade política e administração.

A cultura dessa cidade sempre foi assim, destruir para melhorar. Quando constroem, fazem o Minhocão.

Se a prefeitura de São Paulo vai beneficiar aquele pedaço do centro de São Paulo com demolições, que comece com uma coisa muito simples: demolir o Palácio das Industrias, um elefante branco sem estilo arquitetônico definido que destoa do Colégio de São Paulo, do Gasômetro e do Mercado Municipal.

Como a demolição parece que já começou, fica o meu protesto com essa arbitrariedade do prefeito, da administração regional e dos pedreiros.

101010















Storyboard de Akira Kurosawa para o filme "RAN"





O mundo ainda é uma só solidão. Tudo é tão 101010 binário, e nada confirma sua existência a não ser o clarão quadrado me encarando nesse momento. No seu/nosso momento. Yoko Ono autoriza o uso de músicas de John Lennon em comerciais. Seria Yoko Huno? Paul McCartney toca velhas canções há 30 anos. O aeroporto de Liverpool chama-se John Lennon. Mark Chapman disse que matou Lennon para tornar-se alguém. Chega de gente morta ou coisa parecida. Mineiros chilenos saindo pelo buraco chileno, isso não é uma metáfora. Lama tóxica húngara espalha-se pelo país: fedorenta, radioativa, metálica, assassina, é vermelha e isso também não é uma metáfora. Tempo nublado na capital paulista. Chuva na minha cidade no Japão. Muito spam e pouca coisa relevante na minha caixa. Hoje escrevi-respondi num e-mail para um amigo:

Fim de inverno tem que ser meio bêbado, não? Do vinho quente para dry martinis happy happy. Logo a cerveja sai da geladeira e vai pra praia. Sim, fim de verão por dentro e por fora. Chuvas de outono. Yuyakes vermelhos como um inferno de Kurosawa. Yuyake é pôr do sol. Em tudo, um bocado de sorte e carinho. Deve estar chegando. Que direi aos fieis de Deus? Besos!”

O que chegara são originais de um livro. O que direi? Digo que Akira Kurosawa está no seu centenário e quando descobriu que podia por em movimento todas as cenas de sua imaginação, queimou todos seus quadros. Foram, sem dúvida, os melhores storyboards que a humanidade jamais viu. Da janela de onde estou, vejo um mundo lilás se desfazendo em satisfação e tenazes gotas de chuva suicidas se jogando do telhado. Escrevo Deus em maiúscula porque esse é o titulo do livro. Não seria falta de respeito escrever em letra minúscula, nem com a entidade, nem com o autor. Geralmente escrevo sobre a entidade em minúscula e neste caso sempre cabe uma pitada de inconformismo. Tem o vídeo “Ruta de Colisión”, uma música de um velho e distante amigo, muito terno e querido. A vida avança e com ela seus temores, em contrapartida, os grandes poetas conosco seguem e deixam tais legados. Por isso comemorar é a chave. Ir até a padaria pode ser a festa de hoje. Por essas e outras, passo dias sem pão, mas nunca deixo de ir. Torcedores do Corinthians fazem protesto, não vêem o time ganhar há quatro jogos. Rivelino, Zenon e Neto, todos camisa 10 e se não fazem falta há anos, fazem há quatro míseros jogos. Café quente e forte faz um dia melhor. Nesses dias descobri que tenho sérios problemas com o adorável Fá Sustenido. Ontem, Nanci e eu encontramos o Paulão todo guapo num restaurante italiano, camisa nova, namorada nova. Todo grande conquistador adentra pela América sorridente até que encontra o Pacifico. Hoje é dia dez, mês dez, ano dez e nada mudou a não ser o que tinha que mudar. Até meia noite, garanto, o mundo não vai acabar, mas os místicos ficam em espoletada polvorosa fazendo álgebras da alma e rezas puídas de cadernos amarelados em busca de respostas em céus de Vênus e pipas. O uníssono me enfastia, acho que é hora de oitavar. Felizmente, meus dias são musicais, mas faço de tudo pelo musicaos. Chamo isso de anarquia sonora, invencionismo adolescente, leviandade bluesy e curiosidade atonal. Viva Anton Webern e o serialismo musical! Viva Tiririca e o sarrismo estatal! Viva quem está e esteve vivo.