Bananas, ora, batatas

Estávamos falando sobre câimbras, que às vezes eu fico embaixo do piano muito tempo e que começa a me dar câimbra na parte posterior da coxa. E eu disse que banana era bom, ele perguntou porque, expliquei que é uma fruta rica em potássio, etc. Ele disse que era a primeira vez que ouvia isso – com uma cara desconfiada – e lembrou da primeira vez que comeu uma banana. Foi numa festa, lá pelos anos cinqüenta, era pirralho, ele é da geração que nasceu no meio da guerra, da turma de 42. Logo pulou para os tempos de escola e da falta de arroz pelo Japão, logo isso, uma bandeira, um brasão, um orgulho nacional. Tão assim que nos anos do pós-guerra, somente os ricos tinham arroz diariamente, que ele e a maioria dos coleguinhas levavam batata-doce na lancheira embrulhada no jornal e todos comiam cobrindo o pratinho com o braço esquerdo e o jornal, feito cabaninha, por vergonha.

Um comentário:

LuMa disse...

É aquela geração que desde cedo teve que arregaçar as mangas e levantar a economia nacional, fazendo jornadas extenuantes de trabalho. Conhecí muitos deles, que me contaram de como era a refeição escolar. Mesmo com a pobreza no pós-guerra, as escolas nutriam seus alunos - ainda que fosse só de arroz e umeboshi. Muitos comiam somente a metade, e o resto, levavam para casa. Os que viviam em zonas rurais, ainda dispunham de verduras e batatas. Pior foi a situação dos que viviam em zonas urbanas. A história do pós-guerra japonesa e o 'milagre' econômico - que de milagre não há nada, senão o trabalho e suor - é uma grande lição de como do 'nada' possa se reconstruir. Belo texto, Nei.