Estou me sentindo um jiló

Toda quarta-feira chega a Revista Veja no Produtos do Alemão. Aliás, chega para todas lojas brasileiras.
Não tinha. A importadora estava cobrando o transporte e por isso o Alemão cancelou o pedido de todas as revistas. A importadora alegou que estava no prejuízo.
Como eu, o Alemão e todos nós sabemos, o brasileiro é um povo que lê pouco ou quase nada, por isso a minha revista semanal vinha encomendada. Ele pedia três exemplares.
Na quinta-feira liguei para quatro outras lojas brasileiras: Empório Brasileiro, duas filiais do Takara e Bom Preço. Nada. Todos me contaram a mesma história.
Depois do serviço resolvi ir ao Mercadão do Harada, um velho amigo. Nada. O Harada ainda disse que uma grande importadora tinha fechado, não avisara ninguém e que ele estava sem gelatina e Hall’s.
O máximo que pode acontecer comigo é mudar de hábito. Ao invés de ler a Veja semanalmente, leio Platão ou Asterix.
Mas imagino todas as revistas encalhadas em algum lugar, prontas para virarem bucha de churrasco na próxima primavera que vem por ai. Isso porque você não cancela com a exportadora no Brasil, assim, de bate e pronto. Mais revistas chegarão.
O que os lojistas perceberam é que os brasileiros, diante da crise, aprenderam a usar supermercados japoneses, substituindo a alcatra australiana por um bom frango canadense ou um porco chinês, que é bem mais em conta. Até mesmo o frango da Sadia dos mercados japas é mais barato.
Sim, acredite, os consumidores tupiniquins ainda não freqüentavam mercado japonês por pura questão idiomática.
Hoje muita gente acordou sem a Veja, Contigo, Turma da Monica, gelatina e Hall’s. Por enquanto.
Quero ver quando faltar café.

3 comentários:

Kenia Mello disse...

Nei, Takara e Bom Preço parecem estabelecimentos deveras antagônicos. :P

Sobre a revista, não tem como você manter uma assinatura on line, não?

Beijos.

Leela disse...

Mas logo a Veja? Ok, entre as opções citadas...

LuMa disse...

Adorei a observação da Kenia,rs!

Nooooosssa, neste seu artigo cabe uma tese, e da mais complexa e longa. Vejo que os brasileiros ficaram 20 anos vivendo um universo paralelo, tendo o Japão apenas como um espaço físico-espacial. E leitura que é bom...