Mondocani e uma festa de aniversário

Sexta-feira passada Mondocani chegou na festa e viu dois grupos separados na mesma mesa comprida. Mesas ligadas umas nas outras davam impressão de uma grande tabula singular, porém plural.
Um grupo dominado por uma pessoa histriônica. Outro grupo composto de duas velhas e um velho antipático que se serviu de chá verde e a sua esposa e não perguntou aos outros convivas se estavam servidos.
A velha perguntou se assistiam novela. Falou o título da novela e citou qualquer coisa da trama como se guardasse o segredo e a sabedoria do mundo na ponta dos dedos no controle remoto.
Mondocani preferiu ver os vídeos de grupos caribenhos tocando salsas ruins na tv bem na cabeça da velha noveleira.
Até hoje ele tem a ligeira impressão que eram salsas ou rumbas ou sei lá.

A velha noveleira está comendo um bife e pergunta se aquele tubo é de pimenta. Mondocani diz que sim, ela encharca o bife. Mondocani faz cara de espanto. Ela diz que tinha uma vizinha baiana que fazia acarajé e sempre exagerava na pimenta e já estava acostumada. Fala que quando um baiano pergunta se quer a comida quente não é a temperatura, mas sim o ardido do tempero. Diz como se fosse a maior novidade depois do motor a explosão.

Era uma suposta festa de aniversário, um jantar comemorativo, algo assim. Mondocani tomou água a noite toda. Água de torneira e não mineral. No Japão servem água de torneira de maquininha.
Chegaram mais pessoas. Foram se acomodando. Havia um rapaz do lado dele que saiu as pressas para ir vender um carro. Ou comprar. Mas saiu. Sortudo.
O dvd com os grupos de rumba ou salsa ou qualquer coisa já tinha dado um looping. Aquilo agora era Hanna Montana de novo e ela não é cubana.

Mais pessoas e nada da aniversariante.
A dona do restaurante avisou que ia fechar as 10. Explica-se: o estabelecimento está situado no meio de uma zona estritamente residencial.
A aniversariante chega depois das nove e meia. Alguém diz vamos continuar a festa lá em casa e se vira pra Mondocani e diz você vai, ele diz claro.
Claro que não.

A dona do restaurante começa a chamar as pessoas para pagarem as contas. Fila de quase 20 pessoas. Enquanto ela cobra, eles pagam, está tocando Hanna Montana de novo. Na medida que vão pagando, vão se acumulando no estacionamento para terem a conversa monopolizada pela pessoa histriônica. Aquela pessoa que gritou para todos irem para casa dele é a ultima da fila, naturalmente. Ela sai e começa a enfadonha discussão para ver como vão distribuir 10 carros pelas redondezas.
Uns pra cá, outros pra lá. Pelo jeito, o bolo estava na casa dessa pessoa.

Mondocani vai tirando o cavalinho da chuva. A velha noveleira pergunta já vai, ele diz sim, tenho que trabalhar amanhã (mentira), ela diz eu também, ele quase responde e daí, mas pensa foda-se você e teu trampo de merda, velha escrota.
Liga o carro e sai dando tchauzinho pra nunca mais.

2 comentários:

LuMa disse...

Pequenos micos nossos de cada dia,rs... A próxima vez, vc introduz argumentos do tipo "questão geopolítica no Médio Oriente" e peça a opinião dela. É único modo da noveleira mudar de conversa,rs. Beijos!

rnt disse...

mondocani, como diria minha tia, "pra outra dessas não me pegam nem com milho verde!"

adorei a cronica.