Filhos de deusas

O farol, a luz mestra, a referência de metade das pessoas do planeta é uma espécie de zumbi cósmico que nasceu de mãe virgem e de um pai etéreo mal humorado, instável, invisível e duvidoso.
O homem que não morre não deixou nada escrito. Falou a alguns e séculos depois escreveram uma sinfonia baseada num assovio.
Com essa coerência e honestidade, fez-se uma civilização cimentada no amor ao próximo, na caridade e na paz.
Essa mesma civilização pode destruir-se dez mil vezes, como se já não bastasse uma ou.
Pois bem, se diminuírem dez vezes todo o arsenal atômico nos silos das poderosas e sábias inconsistências militares, ainda restam mil destruições totais.
Se dessas mil vezes, diminuírem cem vezes, o que já é uma quantidade razoável e racional, ainda sobram dez destruições totais.
Dez.
Destroem dez vezes o planeta depois de estonteantes e hercúleos esforços concentrados e de toda boa vontade possível em blablas e negociações com copos cheios de Perrier. Ou da boa vontade de meia dúzia de nações que só se garantem na marcha da historia com uma destruição dessas debaixo do travesseiro.
Dez vezes destruídos e ainda não sabemos qual é a cura da gripe ou da calvície.
Muitos ainda morrem de fome ou de briga de bar. Ou da falta de qualquer coisa menos óbvia.
Tem a coisa da aids, do que se passa por dentro da cabeça de alguém sob efeitos diversos dos coquetéis nauseabundos para a sobrevivência.
Se houvesse um tratamento em que todo o liquido do corpo fosse retirado para uma limpeza total, uma purificação absoluta e se apenas uma única e mínima gota tivesse que permanecer no organismo para que o mantivesse vivo naquele misero e ínfimo décimo de segundo para o retorno de todo liquido purificado por uma abençoada e fantástica máquina, pois então, essa única e estúpida gota infectaria todo o imaculado liquido corpóreo e manteria a pessoa doente da síndrome sem cor, sem perfume, sem rosa, sem nada.
Mas fazem por bem destruir o planeta em nome do avanço tecnológico, enfim.
E os filhos da puta? Ou de putas diversas, como as dez mil bombas atômicas - num paralelo edipiano sem pudor e vergonha – dir-se-ia que mãe é só uma, puta ou não. Se puta, não há necessidade de outras, basta a realidade nua e crua. Se pura, é essa que lhe vem à cabeça.
Mas fdps profissionais nunca dão esmola ou sorrisos gratuitos e verdadeiros. Nem mesmo tapinhas nas costas. Dão as costas.
Tem aquele que chegou na barraca do camelo, um coitado fudido, fedido e feio, que estava de tábua aberta sobre quatro varapaus finos de derrubar com um sopro. As mercadorias enfileiradas para melhor regozijo e agrado do freguês. Dia ensolarado, bacana, nada estraga. Mas que se espere do sol as negras nuvens, o fdp profissional cola na barraca e diz:
- De tudo que tua mãe te ensinou, você só conseguiu chegar a isso?
E saiu do quadro assoviando a Marselhesa.
Não caiu um raio na cabeça desse mequetrefe. Nem vai cair. O que pode acontecer é ele perder a mãe. Mas qual é a diferença?

5 comentários:

Abel disse...

Se combinam, se me desculpem: http://hmilen.wordpress.com/

Kenia Mello disse...

off topic

Assim que der, mando, sim, Nei. Mas não sei se você vai aguentar quase 90 páginas de muita coisa técnica e teórica, apesar de poética. Me diga.
Beijos.

TARCIO VIU ASSIM disse...

Eu cá doente de intoxicação alimentar e um texto desse na veia não é um santo remédio para esse dia depressivo, não é não.
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...talvez porque eu seja um cristão E com inveja de quem escreve bem...

Leonardo Priori disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Leonardo Priori disse...

Muito massa!