O Bebado e a Equilibrista

Mãe e filho em algum lugar dos anos 80.

As pessoas estão com medo de mim. Sinto-me um pária. Alguns, os que me conhecem com mais clareza e sabem do meu humor, aproximam-se sem pisar em ovos.
A morte de minha mãe trouxe-me olhares penalizados, saudações altruístas, medos e calafrios em gestos e palavras. Já vou dizendo obrigado, mas tudo muito desnecessário, gente.
A morte da minha mãe me deixou apenas saudade. Saudade de um amor que sempre existirá, pelo menos enquanto eu estiver vivo – e isso é o que importa.
Muita gente olha para mim como se olhasse um sociopata insensível. Não sou tão interessante assim. Sou apenas vivo e condiciona cada ato por esse verbo e condição. Não louvo nem assunto a morte por morbidez barata. Talvez tarantinesca, mas nunca barata.
Não rezo em publico, não grito orações e nem freqüento instituições financeiro-religiosas. Não me importa qual será o ritual da próxima edição dessas revistas esotéricas fúteis.

Acredito no sagrado e disso não abro mão. Mas tampouco quero que alguém acredite no que vejo e sinto.
Volto a tona com tal assunto para que as pessoas se acostumem com a idéia de que a morte está para quem vive, sim e não, e que tudo o que importa mesmo é cuidarmos dos nossos pés para que possam carregar todo o resto de forma inteligente e sem tropeços.
E para infelicidade dos evolucionistas, continuo o mesmo cara.

Um comentário:

rnt disse...

foda. rolou umas lagriminhas lendo o texto. mas vc é punk, Nei. e que bom q vc nao mudou. :)