Murro em ponta de faca

Mas não é o guitarrista do Pink Floyd.


Nos últimos dias em que estive no Brasil, li esse livro da foto.
A idéia é boa, por isso fui atrás, mas o livro não é tão bom.
Seguinte: o filho de 15 anos odeia a escola. O pai o tira de lá com a seguinte condição: assistirem juntos três filmes por semana. E assim o fazem.
Isso realmente aconteceu e deu nesse livro.
Estragando a surpresa (sem surpresa, a coisa toda é muito obvia), o menino acaba voltando para a escola. O ensino acadêmico ainda é necessário. Mas prova-se que independente dele, aprende-se muito mais sobre a vida, diferente de álgebra, continentes ou reações químicas.
Quantas pessoas que freqüentam o ensino superior lêem qualquer livro que não seja dado em classe? Ou vão ao cinema, teatro ou museus? Ou assinam alguma revista ou jornal?
Quanto tempo se gasta com cultura? Seria o mesmo tempo gasto com as unhas, baladas ou com a lavagem do carro?
A desculpa de sempre, alem do tempo, é o preço. Mentira. Comprei um livro com três peças do Martins Pena por três reais num sebo numa cidade ao lado de Curitiba.
Quem é esse Martins Pena?
Existem as culturas que algumas pessoas chamam de subculturas. Para tal, é fácil achar adeptos. Tem a turma dos games, do graphic novel, do cine trash, do tunning car, do mangá e todo dia aparecem novas manifestações e formas.
Nada disso é sub, é tudo muito cultural, com regras, história, passado, presente e futuro. Existem mestres e neófitos. Há uma hierarquia, dogmas, lendas e segredos a serem desvendados dentro de cada universo. Então, de fato, também são culturas e seguem paralelas aos carros, unhas e baladas.
O que acontece desde sempre e está cada vez mais endêmico é a falta de livros nas vidas das pessoas. O total e obtuso desinteresse.
Aprende-se a ler na infância para nunca mais ser usado na vida adulta.
Talvez seja melhor assim mesmo. Desde sempre foi assim.
Cultura dá sono e é coisa de babaca. Então tá.
A sutil distancia entre um orelhão destruído, um motorista assassino e meia dúzia de títulos numa livraria passa por inúmeras questões. Todo mundo sabe quais são, isso parece ser meio do inconsciente coletivo, igual ao sabor da coca-cola.
As pessoas sabem, não fazem nada, não incentivam, não transformam, não se preocupam, não leem, não escutam e nada muda.
Que seja, eu moro longe.

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