Mondocani em noite de Fellini

Há meses que Mondocani não lembra de sonho algum. Às vezes lembra de alguns trechos, flashes, imagens no meio da tarde. Na maioria das vezes não associa o recordado a um sonho, mas a imagens dispersas, aleatórias. Com o corre-corre etc, acaba se esquecendo de anotar ou contar para alguém. Alias, nessas horas nunca tem ninguém interessante pra ouvir.

Desse sonho Mondocani lembrou nitidamente assim que acordou. Foi escrevendo. Nada é fiel ao acontecido, quem se importa? Nada disso aconteceu.

Mas foi assim. Era uma festa chata. Meio quermesse indoor, meio aniversario. A dona da festa que se vestia como uma viúva siciliana disse que Mondocani roubara os sapatos do filho dela.

Ela era muito cínica. Mondocani começou a chamá-la de Monstra. Ele gritava “Monstra” para todos ouvirem, ninguém lhe dava atenção.

Monstra pra cá, Monstra pra lá.

Mondocani chamou a esposa pra irem embora. Veio a Monstra com a filha que se vestia igual, passaram por eles numa sala com arabescos, uma fonte no meio da sala, vieram para se despedir.

A esposa de Mondocani ia dizer tchau, esticou o braço para apertar a mão, ele disse não, não toquem na minha mulher porque vocês vão passar a doença para ela. A filha imitando os trejeitos da mãe Monstra, gargalhava, todos gargalhavam.

Chamou a filha de Menstrua, sua Menstrua! Foi chegando perto da porta de saída de costas para evitar que eles os tocassem.

Acordou.

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