Governo japonês revela um dos locais onde é executada a pena de morte


O sistema é composto por salas onde uma delas possui um piso que se abre acionado por botões

Japão , Tokyo - Efe

O governo japonês liberou na sexta-feira (27), pela primeira vez à imprensa, o acesso à Câmara da Morte, sistema onde são executados os condenados a pena de morte no país.

O sistema é composto por salas onde uma delas possui um piso que se abre acionado por botões. Essa sala possui uma outra ante sala e, abaixo delas, mais uma onde o corpo cai suspenso pela corda da fôrca. Fiscais podem observar o enforcamento de uma terceira sala com parede de vidro.

A pena de morte se aplica no Japão por executores (verdugos) e sem aviso prévio ao condenado. Até agora, o local era cercado de segredos e jamais havia sido permitido o acesso de câmeras.

A ministra da Justiça, Keiko Chiba, abriu a Câmara de Execuções do Centro de Detenção de Tokyo, composta por cinco habitações, mas só liberou o acesso à imprensa.

A sala de execução tem um quadrado marcado em vermelho onde o condenado ficaria de pé. Acima dela o gancho onde a corda ficaria presa.

Em uma outra sala se encomtram três botões onde três executores os apertam ao mesmo tempo para que a tampa se abra. Não se sabe qual dos botões dispara o mecanismo que faz a tampa abrir. Dessa forma, é impossível saber qual dos três realmente acionou o sistema.

Existem outras salas onde os condenados podem falar com religiosos e escrever o testamento. Eles são informados da aplicação da pena oficialmente pelo chefe da prisão e os fiscais observam a execução. Durante o tempo que está detido, o condenado não sabe quando será a execução que pode ocorrer dias ou meses após o julgamento. O sistema é muito criticado pelos defensores do fim da pena.

O local, que segundo os jornalistas tem forte cheiro de insenso, só era conhecido por público através de desenhos. Executores e fiscais são proibidos de falar sobre o assunto.

A ministra da Justiça resolveu abrir o local para fomentar o debate sobre a pena de morte na sociedade japonesa, onde a maioria da população é a favor. Chiba foi a primeira ministra da pasta a assistir a uma execução no dia 28 de julho. Ela é membro de organizações que pedem o fim da pena de morte.

Em todo o país há sete locais que executam a pena capital e 107 presos estão hoje condenados a espera da execução. A família dos condenados só saberá da execução momentos antes dela acontecer.

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