Sossego - Tim Ever Maia

C7

Ora bolas, não me amole

Com esse papo, de emprego

C7

Não está vendo, não estou nessa

O que eu quero?
Sossego, eu quero sossego

C7

(Refrão)
O que eu quero? Sossego (4x)

C7

Ora bolas, não me amole
Com esse papo, de emprego

C7

Não está vendo, não estou nessa
O que eu quero?
Sossego

C7

(Refrão)
O que eu quero? Sossego


Esse funkaço do Tim Maia é um daqueles raros acontecimentos.

É artisticamente completo em sua criação, função e concepção.

Pelo menos na minha cabeça.

O swing do som é a cara do autor, a levada rítmica, o naipe de metais, tudo é o som do Brasil visto pelo coração de Tim.

A letra é o signo mais representativo de tudo que somos, e não se restringe ao brasileiro, mas ao ser humano. Sossego e a perspectiva de não fazer nada por hoje ou para sempre é o nosso objetivo de vida. A gente quer casa própria pra entrar dentro e voltar ao útero quentinho. Para muitos, sair é renascer, para outros é morrer. Para mim, é bobagem, pura ida e volta.

E finalmente, ela só tem uma nota harmônica (C7) e não precisa de mais nada. Claro que guitarristas feito o Pizzarelli pegam um som desses e recriam numa sinfonia jazzística. Mas para nós, reles mortais, tudo se basta nessa única nota. É o funk de uma nota só, o sonho de Tom Jobim, o minimalismo modal no volume máximo.

Quero ver alguém ficar sossegado, de fato, com essa porra batendo nos falantes. Duvido.

Segundo o livro de Nelson Motta, Tim ensinou o filho a tocar guitarra com essa música. Não sei se por preguiça do professor ou por inédita didática.

Sossego é o ócio descritivo. Fecha em si e ao mesmo tempo, abre-se para improvisações e outras soluções melódicas (nessa única nota!) mesmo para guitarristas neófitos.

É uma obra de arte total. O mínimo no máximo. O máximo no mínimo.

Um comentário:

Aline Patrícia disse...

Olá, cheguei aqui através do blog dedicado ao bandeira, confirmo aqui que tens bom gosto!

Abraços :)