Goteira

Tem uma goteira na cozinha, andar de baixo, quase ou mais que 20 passos.

Devo ou não devo?

Ela sobe pelas paredes, pelo ar, atravessa a sala, a porta a escada os degraus e chega aqui isolada de tudo alone absoluta e dona de nada mais que tudo. Ela é tão eleatória e doce! A gota pendura-se na torneira e salta para o infinito estrondo do inox da pia na mortalidade enêmera - ene vezes efêmera - que só gotas notívagas conquistam.

Devo ou não devo?

Os degraus friorentos do pequeno sobrado rangem ao me verem passar. Os degraus de madeira ainda sofrem ao me verem passar. Ainda. Devo.

Fecho a torneira uma volta, duas, três, arrebento o encanamento e me congelo no quintal esperando que o inverno não se esqueça nunca mais de mim.

Nada disso será ou é. Nada disso. Fico aqui ao lado do aquecedor simulando a salvação da minha neurastenia ou da minha total incapacidade de abandonar o conforto.

Devo. E vou. E acabou.

Nenhum comentário: