O Buda e mais isso da cozinha ao porta-malas e tal

O Buda

Sakiamuni, o Buda, disse que o caminho deve ser o do meio. O local na mente e no coração onde deve haver esse encontro, ter a distância perfeita entre o racional e o passional.
O ponto onde a corda não está nem tão frouxa e nem tão tensa.

Sim, mestre Buda, diga isso ao trapezista.

e mais isso da cozinha ao porta-malas

Nunca brigue cortando cebolas por dois motivos claros: você já está chorando e se ouvir uma gracinha por causa disso, você está com uma faca na mão, tudo pode vir a ser.
Se for primário, algumas cestas básicas numa instituição de caridade e tudo bem.
Se for primário com um advogado pré-primário, de 10 a 15 anos sem banho quente, nem tosa.

Nunca brigue trocando pneus. Você está em total desvantagem porque vai se dobrar para dentro do porta-malas duas vezes, a primeira para tirar o estepe e a segunda para pôr de volta o pneu furado. Ainda há uma terceira e possível vez para jogar as traquitanas, ferramentas e acessórios.

A principal desvantagem é que você vai passar a maior parte do tempo agachado entre a chave de roda e os parafusos teimosos de duros de sair e se você estiver gritando, teu grito não terá a potência necessária para ter, digamos, méritos na questão porque toda a tua força vai estar concentrada no parafuso infeliz.

Quanto ao porta-malas, é fácil lembrar de qualquer filme de gangsters e qual a relação que eles têm com porta-malas e adversários.

Ninguém está dizendo que você tenha conhecidos gangsters ou que eles andem no seu carro ou que você os encontre na avenida da padaria ou que você considere a possiblidade de resolver uma pendenga nessa hora. Mas é ridícula a posição que fazemos para tirar um pneu do fundo do porta-malas e mais ridículo ainda é discutir com alguém nessa posição, tirando ou vendo-o tirar.

Para quem está de fora, ridículo mesmo é o cara tentando argumentar algo convincente carregando algo pesado como um pneu furado.

E se você realmente tem amigos gangsters, já sabe, boquinha de siri e muitos tapinhas nas costas.

e tal

Alguns homens esperam anos para conquistar algumas estrelas no quepe para começarem uma briga de cachorros bem grandalhões. Homens desse naipe nunca trocam pneus, nem abrem portas e nem sabem onde fica o bule de café.

Nunca viram uma cebola in natura.

Homens assim nunca brigam porque eles não concebem adversários capazes de escalar seu etéreo pedestal.

Etéreo para quem está de fora, eu, você e tal.

2 comentários:

TARCIO VIU ASSIM disse...

Buda é para os pequenos. Os graduados de estrelas no quepe não sabem o caminho do meio. Os medianos, nós que cortamos cebola e trocamos pneus, também não, ora nos agarramos ao racional ora nos esborrachamos no passional.
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Boas Festas e répicrístimas pra tu, Grande Nei. Que seja Feliz, seja onde for, seja como for.

Bem disse...

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