Fotos que eu gosto de bater



Curitiba em 3 tempos.

O Bebado e a Equilibrista

Mãe e filho em algum lugar dos anos 80.

As pessoas estão com medo de mim. Sinto-me um pária. Alguns, os que me conhecem com mais clareza e sabem do meu humor, aproximam-se sem pisar em ovos.
A morte de minha mãe trouxe-me olhares penalizados, saudações altruístas, medos e calafrios em gestos e palavras. Já vou dizendo obrigado, mas tudo muito desnecessário, gente.
A morte da minha mãe me deixou apenas saudade. Saudade de um amor que sempre existirá, pelo menos enquanto eu estiver vivo – e isso é o que importa.
Muita gente olha para mim como se olhasse um sociopata insensível. Não sou tão interessante assim. Sou apenas vivo e condiciona cada ato por esse verbo e condição. Não louvo nem assunto a morte por morbidez barata. Talvez tarantinesca, mas nunca barata.
Não rezo em publico, não grito orações e nem freqüento instituições financeiro-religiosas. Não me importa qual será o ritual da próxima edição dessas revistas esotéricas fúteis.

Acredito no sagrado e disso não abro mão. Mas tampouco quero que alguém acredite no que vejo e sinto.
Volto a tona com tal assunto para que as pessoas se acostumem com a idéia de que a morte está para quem vive, sim e não, e que tudo o que importa mesmo é cuidarmos dos nossos pés para que possam carregar todo o resto de forma inteligente e sem tropeços.
E para infelicidade dos evolucionistas, continuo o mesmo cara.

No ato

Poderia ter sido melhor. Os motivos que me trouxeram ao Brasil são tristes e imutáveis. Mas não deixo nada triste. Nem deixo que a tristeza sobrevoe meu chão. A tristeza agora é um pipa voadão, já era.
Volto ao Japão seguro que tenho um porto em cada lugar que aqui estive, em cada gesto de carinho que recebi.
Obrigado a todos.

Pois é.

Cinzeiros plenos

Sou ex-fumante. Fumante é como ser preto ou aidético.
Tem gente que fala afrodescendente e imunodeficiente.
Nunca me chamaram de nipodescendente, só de japinha e china, até mesmo de coreano.
Era o Marcinho, um camelô da 25 de março que dizia entender de asiáticos (ele era mineiro) e na sua magistral sabedoria ao redor do sol nascente, eu nunca tive cara de japa, mas de coreba.
Eu digo que o Marcinho ERA mineiro porque acho que ele já morreu. Ele tomava na veia. Morreu aidético.

Todo ex-fumante diz pra qualquer fumante parar de fumar. Se irrita com a fumaça, com o cheiro ao lado.
Ex-fumante vai para o paraíso. Fumante vai para o inferno. Há uma lei que diz isso, só que nunca foi escrita, só pensada por mim.
O ex-fumante vai para o paraíso porque quando se depara com um fumante fumando sente-se numa espécie de paz roubada, de paraíso perdido. Isso soa como um purgatório.
Cheguei no Brasil e vi que muita gente da minha família ainda está fumando muito.
O Brasil não é nenhum paraíso, minha família fumando é um purgatório e agora é copa do mundo, então fica um vale-tudo por amor à pátria.
Assisti a peleja contra os coreanos vestindo a minha camisa do Timão.
Deve ser o meu pé-friismo aliado à minha total anti-patriotice que nos levou à derrota de vencer por 2 x 1.
Nem por isso acendi um cigarro. Mas encho o saco dos cinzeiristas de direita e esquerda.
Por falar em destros e canhotos, com um time desse, pra que adversário?

Em tempo de boteco e copa do mundo

Eu não bebo.
Sou daqueles que respondem "ah, um vinhozinho vai".
Mais de um mês no Brasil e não tomei nem um gole de cerveja.
Dizem que é a bebida nacional.
Mas ela é nacional pros japoneses, ingleses, americanos, irlandeses e alemães e todo o resto do planeta.
Gosto de Guiness (irlandesa) e Asahi Super Dry (japonesa).
De vez em quando tomo uma diferente.
No ano passado tomei uma cerveja húngara que não lembro o nome, boa, pilsen, leve.
Num ano, tomei uma lata.

Toda lucidez é escrachada e visceral. A minha sempre é.

Comunistas! Uni-vos!

A torcida uniformizada norte-coreana que estava no estádio no jogo contra o Brasil era composta de atores chineses contratados pelo regime norte-coreano. Quem confirma é a imprensa chinesa.
Os torcedores foram recrutados pela China Sports Management Group, que recebeu cerca de mil ingressos para irem ao estádio fazer a claque.

Dizem também que o time do Dunga não é, nem de longe, uma seleção brasileira.

O livro do disco dos discos

ACHEI!
Se pelo mundo afora dizem que esse ou aquele livro sumiu, a editora fechou, saiu de catálogo, saiu do planeta, saiu pela culatra, vá na ESTANTE VIRTUAL e tudo fica mais fácil.

Descoberta a vuvuzela da África na cara do Galvão

É um inseto gigante que fica flutuando em cima de todos os estádios.
E zumbe e zumbe e zumbe.

Pode ser uma vespa ou aquele BESOURO-CATA-BOSTA que colocaram na cerimônia de abertura.
Coisa de afro-japa-monster-godzilla, pra ser polititicamente correto.
Mas que enche o saco, enche.

Pelo menos o Galvão não fica nítido.

Ora, bolas

Que eu acho essa copa 2010 bem chinfrim, já leram por aqui.

Aí ficam os milionários reclamando da bola.

Se eu ganhasse o que esses caras ganham pra jogar bola 200 minutos por semana e faturar muito e muito para fotos e caras e bocas em publicidade, eu me sentiria na obrigação moral de escrever um Dom Corleone de manhã, uma Família Buendía à tarde, dois Baudolinos antes do Jô.
Mas eu não tenho moral, muito menos talento e fico nessa, por aqui mesmo. É como não passar nem na peneira do Íbis.

Imagina se o Michelangelo diz pro papa que olha, não vai dar pra pintar teto de capela nenhuma. Só se a gente pintar no chão e depois virar e erguer. Que tal, Papito?

E os caras reclamam da bola.
Parece também discussão de donos de Ferrari e Lamborghini.
Acelera e some, mané.
Com essa grana, pelo menos umas dez seleções teriam que ser campeãs simultaneamente para valorizar o prazer que temos (ja tive mais) de ver uma partida de futebol.
Se é pra reclamar de alguma coisa no futebol, tem que reclamar dos estádios que nós já construímos para a copa 2014. Todos com mais de 30 anos. E depois dizem que não estamos com o calendário adiantado.
Fifa que o pariu.

Pois é

Cada vez que falo com a Nanci pelo telefone ou MSN ou penso nela ou qualquer coisa onde ela seja o foco da minha atenção, reconheço que o meu país, meu porto seguro, meu solo sagrado não é mais o que está escrito na capa do meu passaporte.

O meu país é o meu castelo e a minha rainha - e não importa em qual nação esteja tal endereço.

Com Iggy Pop e Valderrama num pires


Sempre que escrevo, leio, falo, cito ou a palavra ALIEN aparece na minha frente na janela do carro em alta velocidade, lembro da música "The Passenger", do Iggy Pop.
Isso porque o título do primeiro filmaço da trilogia de quatro com a Sigourney Weaver ficou com o título em brasileirês de "Alien, o Oitavo Passageiro".
Há o fato de que o Iggy Pop, de humano, só tem o rock'n'roll.

Não acredito em discões voadores turbinados, total flex, câmbio automático, trio elétrico e GPS zuando em trigais britânicos. Nunca fazem mandalas gigantes em arrozais japoneses, chineses ou tailandeses.
Se fizerem isso num arrozal nos arredores de Osaka, a universidade local ou a Panasonic vão inventar um sensor-de-boas-vindas-para-honoráveis-pessoas-do-espaço.
Extraterrestre em japonês é utchiu jin, na verdade, pessoa do espaço, gente do espaço.
Se a Panasonic ou a Universidade de Osaka inventarem as boas vindas, é capaz da Sony ou a Universidade de Tokyo inventarem o repelente baseado no repelente para mosquitos, aquela espiral fedorenta que sempre me remete à longínqua e distante infância na Praia Grande.

Assim como a USP e a PUC ficam de birra pelos cantos (acadêmicos, políticos e eruditos cantos), as universidades japonesas também têm dessas coisinhas. Hoje em dia, com toda essa tecnologia ao redor das comunicações e informações, deve ser como um chove não molha de moçoilas nos bancos das pracinhas com coretos.
Aliás, ets nunca abduzem coretos e around. Abduzem buscapés de enxada na mão. Boy de diesel e gatinha de tranças, no way.

Aliens não têm criatividade. Cada vez me convenço mais de que a arte é coisa de gente gente. Aliens, fazem bolas, abduzem caipiras malucos solitários e nunca pousam ou passam em riste por muvucas.
Rave. Alien numa rave ou num rodeio. Alien numa rave e num rodeio. Bom, isso já rola, acho.
Feira de automóvel, domingo, Anhembi, São Paulo. Alien por ali, trocando figurinha com aquele dono daquela Rural toda original, falando de carburador com o gordinho do Karmann Ghia ou pintura aerográfica e tunning com a gata do Porsche pink-Hello Kitty-no-capô.
Oh! Yeah! Alien no Maracanã, em Port Elizabeth, brasileirão, no paulistinha, campeão dos campeões. Alien de patrocinador colado no peito à bunda.
A Copa do Mundo já está na porta. Nunca mais vai ter um Valderrama, aquele meia da Colômbia.
Então esqueçam, essa copa vai ser bem humana e chinfrim, previsível como nuvens no céu, num céu sem pires, pratos, cds ou vinis voadores.