A parte I e a parte II

I
Para onde vão os desertos quando não há ninguém neles?

As multidões. Não gosto desses sábios que dizem das multidões como se voassem sobre nossas cabeças porque mesmo sozinhos somos da multidão dos solitários.

3a. pessoa do plural, jamais infelizes, silenciosos sim.
E sábios só voam quando compram passagem.

Ninguém sabe mais do deserto senão o incógnito grãozinho de areia - esse sim, voador.

Os gritos vão para o deserto para avolumarem sussurros e depois aos tantos, tantos que caraca dio mio são incontáveis por só soprarem seus mais íntimos elementos.

Ah, esses sábios que fazem fama falando mal da gente. Que digam, que cantem, que escrevam, que talhem seus dígrafos nas paredes e sejam vulgares com céus e infernos e perfumes baratos dulcíssimos fedorentos.

II
Eu só quero contar a história de alguém que tenha defeitos morais incuráveis. E que pratique ioga sem meias nem oferendas do cartão de crédito.
Um personagem que me foda e me sacaneie do prefácio ao lixo.
E sem nome, se esqueça de mim.

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