Questão de foco

Sou corinthiano por uma questão de lógica: é melhor torcer pelo Timão do que qualquer outro time.
Assim dirão os outros torcedores de outros escudos por aí. E é assim que deve ser.
Meu time anda mal das pernas, da cabeça e do coração. Entramos nesse Centenário ávidos por uma comemoração maior e melhor do que fazer 100 anos.
Ora, são 100 anos, já se bastam pelo que representam!
Não se joga uma data assim no esquecimento e muito menos menospreza-se o evento. Sim, claro, poderia ser melhor se viesse um título. Mas não veio. Nem mesmo uma classificação. Para a maioria dos torcedores, essa classificação e eventual título da Libertadores parece ser mais importante que os próprios 100 anos. Não é, nunca será. É apenas mais um título. Temos muitos outros, teremos muitos mais. É um jogo.
Leio as notícias e vejo que torcedores depredaram os carros dos atletas. Isso é crime. Que jogaram pedras no ônibus. Picharam, xingaram, brigaram.
Volto a repetir, sou corinthiano porque o Corinthians é o melhor time do mundo, perdendo, ganhando, levando chocolate, é o melhor, sempre será no meu coração. Mas não é a minha vida.
Gostaria que tais torcedores gastassem essa energia pensando e agindo sobre questões um pouco mais importantes, como a reeleição de Sarney para Presidente do Senado. Isso é um problemaço. Para quem não sabe, muitos discos e livros não foram lançados no Brasil no governo Sarney (1985 a 1990) porque o país não tinha papel. Imagine o resto.
Discos de vinil não são feitos de papel, mas as capas são.

O Corinthians não tem um título sulamericano e o Brasil não tem um Prêmio Nobel sequer. O Peru e o Chile têm. A Argentina e a Colômbia. E estou falando só em literatura.
Eu gostaria de ver um brasileiro rindo à toa em Estocolmo, escritor ou cientista e a Globo tocando o tema das vitórias do Airton Senna. Não é ufanismo, é que é chegada a hora.
A mim não importa mais se o governo é de esquerda ou direita. Só quero que respeite o povo e sua Constituição.
Tem isso também, a Constituição não é do governo, ou da justiça ou do Congresso, é nossa. Chegou a hora de pensarmos muito e fazermos disso, o pensamento, um hábito nacional. Somos o país que mais importa jogadores de futebol, mas nenhum pensador. E acho mais fácil formular um pensamento do que dar um drible.
Educação, teto, cultura, três refeições, bom dia, boa tarde, boa noite. Simples e total.
Nós não somos os piores do mundo. Nem acredito no pensamento de Tiririca. Mas acho que tudo é uma questão de foco.

Um comentário:

Bruno disse...

VoCê não acaha que as torcidas de futebolno Brasil se transformaram em gangues, criminosos mesmo? Ontem rolou um quebra-quebra no Rio entre "torcedores" do Vasco e Botafogo.