11 3 11 - o dia do terremoto


Eu estava trabalhando com a cara enfiada dentro daquele piano deitado no centro da foto quando o Suzuki san disse:

- Olha! É terremoto! - numa tradução muito livre.

Quando olhei pra cima e vi todas aquelas lâmpadas fluorescentes balançando percebi que o chão tremia e que uma ligeira sensação de náusea e desconforto ia se instalando de acordo com a continuidade dos tremores. Era um shake magnitude 3.

Lá em Sendai, Miyagi, foi 8.8 - o pior terremoto da história do Japão.

Sendai está a mais de 600 km daqui. Ao ver o poder de destruição das águas invadindo as cidades, todas as piadas que fizemos durante o tremor já não tinham mais graça. O nervosismo aliado ao terror e pânico nos fazem rir das próprias desgraças. Eu funciono assim. E foi um longo tremor. Não tenho uma idéia muito clara de quantos segundo, mas pareceu-me mais de um minuto. Ou várias rajadas de intensos e tensos segundos.

Uma das piadas dizia que era muito importante ter um potinho de pudim no bolso em caso de terremoto, pois quando acontecesse, a pessoa poderia abrir o pudim no chão que o terremoto ia distribuir a calda de caramelo por igual.

A mais importante das recomendações num caso desses é sair de locais fechados e ir para campos abertos, estacionamentos e pátios. A outra piada foi o fato de que saí para o lado errado. Não que haja um lado certo, mas todo mundo foi para a porta da direita e eu fui para a esquerda, do outro lado do prédio.

E fiquei sozinho olhando os postes balançando me perguntando porque ninguém saia. Depois dei a volta e encontrei todos, que riam de mim. Meu chefe perguntou se eu estava no wc.


Passei a noite em claro vendo as notícias e dizendo aos contatos no Brasil que estávamos bem. Horas e horas vendo efeitos especiais de filmes de catástrofes na tv. Efeitos especiais da desgraça da vida real. Todos assistiram nas tvs no mundo todo.

O fato do Japão ter câmeras em todos lugares, todos terem celulares equipados com vídeo e as tv serem famosas por seu grau de eficiência e precisão, são muitas emissoras ao mesmo tempo registrando tudo o que houve.

Nós vamos reconstruir esse país, todos os sobreviventes do norte e nós aqui do sul. O Japão não se dobrará. Todos que perderam tudo, mas não perderam as mãos e uma boa cabeça. Todos cujo coração pulsa. Todos que colaboram dando uma força através das palavras de incentivo e carinho, vocês, família e amigos.

Obrigado.

6 comentários:

Rita disse...

Obrigada a você por compartilhar com a gente as suas emoções e força.
Bjs

Patricia Daltro disse...

Ontem passei por aqui atrás de noticias. Você e o @Mauj77 são meus correspondentes pessoais sobre essa terra que sonho em conhecer.

Não consegui comentar, mas descobri voa facebook que você e sua família estavam bem - na medida do possível, é claro. Que bom.

Tenho certeza de que o Japão irá saber se reconstruir novamente e essa emoção que sentimos ao ler seu post, é determinante nesse processo.

Fiquem bem!

Bem disse...

Ganbare! Ganbare!

Dani (ela) disse...

óia... fiquei absurdada e admirada; a força da natureza é devastadora, como foi a terra tremendo e o mar invadindo tudo. e, olha, parabéns. é assim que vemos como é possível uma nação ser preparada, investir naquilo que sabe que pode acontecer. se fosse por aqui, estaríamos aniquilados.

meeefius disse...

Força!

adriana nolasco disse...

caramba nei. força você tem. e fala das coisas de um jeito que dá vontade de viver.