O ágora e suas mentirinhas estratégicas

O desencontro de informações entre a realidade e o que o governo diz é comum a todas ágoras.

Os gregos sabiam disso e experimentaram todas as fórmulas possíveis. A democracia ainda impera como ideal e nela acredito como se fosse o paraíso na Terra.

A possibilidade de frescor no inferno.

O governo japonês procura dar-se o máximo. A tragédia é um fato e como eu disse antes, se há uma desgraça total, essa em Tohoku e na usina de Fukushima é a desgraça total plantando bananeira num barril de merda, agora radioativa.

O pânico e fuga em massa em Tokyo é triste e desolador, mas é o que eu faria. Quem pode, se vira.

Eu também acredito que o círculo de segurança de 20 ou 30 km ao redor da usina seja pouco e seja uma proteção tão boa quanto uma peneira sem rede. O fato é que a usina já tinha 40 anos de uso, ia vencer e prorrogaram para mais dez anos sua vida útil.

A grana, o poder, a roupa mais vistosa são os grandes atrativos na ágora.


Mas quem tem grana, poder e roupa vistosa num lugar sem cidade, numa cidade sem lugar, num pesadelo generalizado de milhões de pessoas convivendo, morando, dormindo com estranhos em quadras poliesportivas?

Dizem que tem a cólera e a tifo virando a esquina de Tohoku. No, please.

O foda é limpar aquela lambança de tudo e nada. Construir é rápido. Eles levantam um prédio de apartamentos em 3 meses.

Aqui em Hamamatsu menos medo. Cada japonês sabe que faz parte de uma engrenagem e tem que girar. Metade do país não está girando, é preciso que a outra metade seja eficiente e constante para reconstruir. Por isso estamos trabalhando e fazendo nossas partes, por nós, pela família, pelas contas e por eles, agora.

Simulações são discutidas e pelo que vi num mapa ontem (no smartphone do Nagashima) - e não o achei na internet - o meu bairro está salvo por causa da distância com o mar. E eu que queria um daqueles apês em Enshu, onde basta atravessar a rua e lá está a praia. Saravá, Rainha do Mar, deuzolivre.

Hoje o dia promete, é sexta-feira e não tem carnaval. Mas tem aqui dentro, sempre.

Um comentário:

Luciana L.V.Farias disse...

Oi, Nei

Estou chegando através do blog da Rê, e desde já vou seguir. Não comentei em outras postagens, mas li um bocado de tudo o que você andou escrevendo.

Torço muito para que as coisas se resolvam por aí, não tenho muito o que dizer, a sensação de impotência é grande. Passo a acompanhar as notícias por você, também.

Beijocas...