Chernobil no quintal

Uma coisa é o que escrevem na mídia e outra é o que a gente vê. Eu li que aumentaram o alerta nuclear para o mesmo nível de Chernobil. E também li que até agora, um mês depois, a quantidade de material radioativo que vazou corresponde a apenas 10% daquela usina ucraniana, o que já é um petardo, então imaginem quanto foi por lá. É importante dizer que o governo isolou a área antes que a coisa piorasse, como se fosse possível.
Não compreendo muito bem qual será a razão matemática possível para nivelar uma coisa relativa - porém concreta - como a radioatividade. Pra mim, se são sete níveis possíveis, depois de cinco já é nível CQF (corre que fudeu). Três dias após o tsunami já decretaram nível seis, ou seja, quem correu, correu.
Um mês depois, fico pensando nas pessoas nos abrigos sem privacidade, sem banho, sem nada seu, nem mesmo o próprio interruptor na própria parede no próprio banheiro.
Nada mais privativo que o silêncio da solidão no vaso sanitário. Nem isso é permitido.
Nenhum pânico nas ruas por aqui. Se há alguém que tem que tirar esse país do buraco, somos nós. E haja paciência e resignação. Na verdade, é melhor manter a cabeça focada nas coisas simples do dia-a-dia do que aprender física nuclear para entender tabelas, projeções, patatis, átomos e patatás.
Não sei quantos brasileiros foram embora, não sei quantos ficaram. Não sei se é possível sonhar. Não sei física nuclear.
Dizem que quando acontece um terremoto por lá, as crianças brincam apostando entre si de quanto foi a magnitude e todas correm para a frente da tv (coletiva) para ver a transmissão do evento e conferem para ver quem acertou.
Eu tenho uma pandora de emoções dentro de mim: medo, esperança, felicidade, melancolia, indiferença. Só não quero ter solidão.

Um comentário:

Bem disse...

http://www.boingboing.net/2011/03/31/what-does-chernobyl.html

Falando nela, ouça o som do local. Sem humanos, o lugar é de uma paz incrível.