Gato (neko) por lebre (usagi)



Eu sou viciado em livrarias.


Mesmo sendo um analfabeto em japonês, capengando male male em dois dos três alfabetos - sendo dois silábicos e um de ideogramas - vou às livrarias só para estar lá dentro.


O prazer de saber que todos estão lá porque são curiosos por algo que nunca souberam ou leram ou viram, me alegra e satisfaz.
Em todas livrarias japonesas que estive, só consegui ler os dicionários em português e me sinto menos pior.
Estou atrás de clássicos da literatura infanto-juvenil ocidental para as minhas sobrinhas japonesas que moram na Europa e para elas, o acesso aos livros fica restrito à biblioteca da escola.
Pelo que eu soube, elas leram Anne Frank em mangá. Estou procurando esse tom.
O fato é que as plaquetas estão escritas em kanji e eu não sei como são as subdivisões internas.
Nessa livraria da foto, no Shopping Sun Street, pensei que tinha encontrado o veio da mina de ouro. Passeando entre as dezenas de prateleiras, encontrei escrito ノーベル (no-beru) e pensei, cara, são os prêmios Nobel! Finalmente!
Explico: na fonética japonesa não há o som de V que é substituido por B.
O L é substituido por R. Por isso Nobel vira Noberu.
Cheguei mais perto e fiquei procurando os Saramagos, Nerudas, Márquez, Camus.
Que nada, só tinha autor japonês e com umas capas muito frufruzinha.
Onde li NOBEL, era NOVEL (V por B), centenas de folhetins românticos meio fotonovela sem foto.
Fiquei sem jeito, tinha uma avózinha aqui e um nerd míope ali.
Desisti de procurar.
Fui pra prateleira de artes gráficas e fiquei folheando um livraço de fotos de art déco - ufa!

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