Mondocani e a copa do mundo

Mondocani viu que mataram o Bin Laden.
Mondocani leu que mataram o Bin Laden.
Mondocani assistiu que mataram Bin Laden.
Mondocani não entendeu muito bem porque esse é o assunto do dia no mundo todo.
Para Mondocani, soa como notícia velha.
A crise financeira e econômica ianque é tão complexa e insuportável que parece que eles arrumaram uma copa do mundo para comemorar tiros como se fossem gols e brincar de panis et circences.
Mondocani agora entende o termo "morte súbita" no futebol.
Mondocani assistiu na tv os gritos e urros nas esquinas ianques como se a-taça-do-mundo-é-nossa.
Em 2001, Mondocani chegou para trabalhar e a tv da empresa estava ligada com imagens ininterruptas do avião batendo na primeira torre em Nova Iorque.
Mondocani achou que era o novo filme da série Duro de Matar.
Em 2006, Mondocani viu as cenas gravadas por um celular mostrando a execução de Saddam Hussein.
Hoje, 2011, o presidente ianque disse que a justiça foi feita.
Mondocani sabe que o olho por olho do código de Hamurábi parece ser tão usual e natural como há quase 4000 anos, mas não nas palavras do grande líder do ocidente livre e democrático.
Mondocani ri por dentro.
Mondocani sabe que a Babilônia só mudou de nome.
Mondocani pensa assim porque Bagdá fica na Babilônia e acha que dizer que a Babilônia mudou de nome não é citar a América como a causa e origem de todo pecado do mundo, segundo religiosos ortodoxos de todas cores.
Mas historicamente, cita Mondocani, a Babilônia, os persas, Hamurabi, Nabucodonosor, os jardins suspensos, a crescente fértil, as primeiras páginas dos livros de história, o jardim do éden, Ur, a terra de Abrão, tudo ficavam entre o Tigre e Eufrates, ou seja o Iraque, Bagdá.
Parece notícia velha, diz Mondocani.
Mas a final da copa do mundo foi no Paquistão que é pobre feito um Paquistão, mas eles têm a tecnologia da bomba atômica e a bomba atômica, além de terem dado abrigo ao terrorista morto e depois dedurarem seu cafofo.
Que não era o mesmo do Casseta.
Mas são todos dedo-duros, traidores, duas-caras, resmunga Mondocani.
E mesmo que um pútrido feito Bin Laden seja odiado por grande parte da humanidade, dizer que sua morte foi um ato de justiça é regredir em algum ponto entre o ancestral macaco que saltou da árvore para ser bípede e o bípede pelado que se veste para não sentir frio feito seu ancestral macaco num instante anterior, ainda quadrúpede.
Mondocani não acredita em pena de morte.
Mondocani acha que as pessoas que usam do argumento "e se fosse com seu filho na torre, você não mataria?" para justificar a morte de um homem - mil vezes odiado odiado odiado odiado, que seja - são pessoas propícias para apertar qualquer gatilho.
Quando um homem morre, é como se uma biblioteca inteira se incendiasse, Mondocani leu isso em algum lugar.
Para Mondocani, até mesmo Bin Laden mereceria um tribunal. Mas não foi assim porque a realidade não é assim, suspira Mondocani.
Que me importa, pensa Mondocani, o dia está ensolarado, a família com saúde, tem pizza congelada no micro e preciso lavar o carro.

4 comentários:

Silvia Bowen disse...

Nei, caríssimo, Mondocani não sabe que todos somos propensos a puxar o gatilho, inclusive ele... cruéis e assassinos somos todos, cada um na sua medida, um pouco a cada dia... Superego controlando a maioria, mas lá no fundo macacos cujo córtex e sistema límbico predominam... Besos, Silvia Bowen

Palavras Vagabundas disse...

Eu bato e arrebento e quam não gosta sai da frente, eu sou norte-americano. Justiça,julgamento e tribunal só pros meus, vocês são nada!
Mondocani, triste isso!
abs
Jussara

Kenia Mello disse...

Nei, genial a ironia do nome da personagem. Sobre o texto, falei lá no Leite com uma linguagem bem direta porque ando tão indignada com essa cegueira diante do óbvio. Você, aqui no Corsário, falou e disse, excelente texto.
Beijos.

Abel disse...

Mondocani vive a armar circo pra mondocani. Mondocani se exibe pra mondocani. Mondocani, italiani mondocani. Mondocani topa tutti per soldi.