Mondocani e a farra do boi

Félix Mondocani sabe que o trocadilho de farra do boi com farra do boy é horrível, mas cita para desdenhar das coisas inteligentes.

Mondocani também avisa que está fazendo terapia que o sindicato paga a metade, mas só por vinte sessões.

Mondocani está na décima-oitava e na décima-quinta houve um incêndio num dos andares do prédio que foi evacuado, mas a moça do balcão do sindicato não quis saber se foi no começo da sessão, disse que não vai marcar de novo, vinte é vinte.

Mesmo fazendo terapia e tentando olhar o mundo mais azul, Mondocani quis dar com os dois pés na moça.

Mondocani é Félix, não Bruce Lee e homem que é homem quando tá numa boa vê o mundo azul e não cor-de-rosa.

Quando o terapeuta falou em mundo cor-de-rosa, Mondocani quase desistiu de tudo.
Ontem, hoje e há dez anos, só tem oriente médio no jornal.

Se não é oriente médio, é perto.

Pior foi ver no jornal que o bairro de Higienópolis não quer estação do metrô.

Pior foi pegar aquela passageira com o cachorrinho com cara de morcego branco e deixar ela ali na Angélica.

Pior foi ter vontade de largar a cheirosa lá em Corinthians-Itaquera só pra biltre rezar por uma catraca acompanhada de escada rolante e concreto por todo lado, ou seja, uma estação.

Mas o almoço estava bom, comentou Mondocani no lava-a-jato.

Comer, cagar e dormir, entre uma coisa e outra, a gente faz de conta que pode melhorar, concluiu Mondocani.

Terceiro passageiro gringo na semana.

Acho que tenho que aprender inglês, Mondocani falou olhando pelo retrovisor para a cara vermelha do americano risonho.

Pelo menos pra saber porque aquela gringa feiosa pinguça com voz bonita canta "no, no, no".

Vai saber.

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