Mudanças

Anos depois, descubro que não gosto mais de Gilberto Gil.

Nem um tiquinho, nem uma saudade.

Isso aconteceu depois que percebi que nenhum dos discos que eu tenho dele foi tocado touch e tocado play neste século de onze anos de idade.

Há mais de uma década deixei o baiano de lado. Isso me intriga: nem Drão?

Nem Drão.

Assei umas alcatras e picanhas com uns amigos japoneses há algumas semanas e desde então não tenho comido carne vermelha. O mais próximo disso são alguns embutidos matinais.

Devo ter associado Gilberto Gil com açougue.

Outra coisa que deixei de lado também é assistir uma partida de futebol na tv, inteira, noventa minutos + intervalo + corrida rápida no banheiro pra não perder nenhum lance.

Neste ano ainda não vi nenhum jogo e não me sinto mais ou menos marciano por isso.

Mas isso tem uma razão que é o desdém que o meu país está tratando a próxima copa do mundo. Todo mundo quer ver a copa no estádio virando a esquina, mas ninguém quer fazer a copa tijolo com tijolo num desenho mágico.

Arregaçar as mangas.

Pra fazer tem que trabalhar e deixar de lado os papos furados. Os papos furados pra fazer uma coisa dessas deviam ter sido tratados há alguns anos pra, pelo menos, termos do que reclamar.

Mas nem isso temos.

Porque não temos.

Voltando ao Gilberto Gil, hoje dá pra dizer isso dele, do som dele que pra mim já era porque eu já disse que não gosto de Paul McCartney e isso é quase declarar-se nazista.

O Lars von Trier fez isso e promoveu o próprio filme em Cannes.

Eu promovo o que? Nada.

Certas coisas são puro placebo e certas idéias, propostas inócuas. Mas eu gosto dos filmes dele.

Tipo música baiana do século XXI ou Rihanna.

Não os filmes dele, mas esse tipo de auto-promoção.


Chega.

Depois não digam que o fato de eu estar ouvindo muito Motörhead ultimamente é crise de meia idade.

É pior.

Um comentário:

Bem disse...

O Laerte foi ao Jô Soares ontem:

http://www.oesquema.com.br/trabalhosujo/2011/05/20/laerte-nos-trending-topics-do-twitter.htm#comments